Atividade Física e Síndrome Metabólica em Adolescentes

Por: Antonio Stabelini Neto.

2011 00/00/0000

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Resumo

As doenças do aparelho circulatório são, em geral, dependentes da incidência de fatores de risco. Porém, apesar de um único fator de risco ser capaz de contribuir para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares, eles tendem a se agregar, potencializando a geração de um efeito de multiplicação de risco no desenvolvimento de doenças crônicas. Um bom exemplo de agregação dos fatores de risco é a "síndrome metabólica" (SM), diagnosticada pela coexistência de pelo menos três dos seguintes fatores de risco: obesidade abdominal, hipertrigliceridemia, baixa concentração plasmática de “high density lipoprotein cholesterol” (HDL-C), hipertensão arterial e hiperglicemia em jejum. Apesar das evidências científicas de que a origem da SM pode ocorrer prematuramente, ainda são limitadas as informações considerando a etiologia da SM relacionada a prática de atividade física na população pediátrica. Neste sentido, esta investigação teve como objetivo associar o diagnóstico de SM com a prática de atividade física em adolescentes de ambos os sexos. Participaram deste inquérito epidemiológico transversal de base escolar, 391 escolares com idades entre 10 e 18 anos. A mensuração da atividade física foi feita através do método objetivo, utilizando o acelerômetro. Os counts alcançados nas diferentes atividades foram convertidos em equivalentes metabólicos (METs) e classificados como atividade moderada ≥ 3,0 e vigorosa ≥ 6,0 METs. Para se obter informações referentes ao comportamento alimentar dos escolares foi empregado questionário simplificado para auto-avaliação de alimentos associados ao risco de doenças coronarianas, desenvolvido e validado por Chiara e Sichieri. Para definição da SM foi utilizado à proposta adaptada para população pediátrica do NCEP-ATP III: presença no mesmo sujeito de três ou mais dos seguintes critérios: pressão arterial sistólica e/ou diastólica ≥ percentil 90o para idade, sexo e percentil de altura; triglicérides ≥ 110mg/dL; HDL-colesterol ≤ 40mg/dL; glicemia de jejum ≥ 110mg/dL; circunferência da cintura ≥ percentil 90o para idade e sexo. Escore de risco metabólico contínuo também foi calculado para a agregação dos fatores de risco de síndrome metabólica. Para análise estatística foram empregados testes t de Student, testes de Qui-quadrado, correlação de Pearson, regressão de Poisson e Análise de Variância de um fator. Curva ROC foi produzida para determinação do ponto de corte em minutos/dia de prática de atividade física moderada a vigorosa (AFMV) para prevenção da SM. Os resultados indicaram que os rapazes apresentaram maior tempo médio diário em atividade física moderada (96,1 ± 39,6 min.dia) e vigorosa (9,7 ± 8,8 min.dia) do que as moças (moderada: 73,7 ± 37,7 mim.dia; vigorosa: 6,1 ± 6,8), sendo os mais novos (10 a < 14 anos) fisicamente mais ativos que seus pares mais velhos (14 a < 18 anos) em ambos os sexos. O diagnóstico de SM esteve presente em 3,4% da amostra (rapazes: 2,6%; moças: 4,0%). Indivíduos obesos apresentaram elevada prevalência de SM (29,6%) comparados a seus pares com sobrepeso e eutróficos. Associação inversa estatisticamente significativa foi observada da prática de AFMV com o escore de risco metabólico, indicando que quanto mais tempo engajados em atividade física de intensidade moderada-vigorosa menor o escore de risco dos componentes agregados. Sugere-se que os escolares devem realizar aproximadamente 88 min./dia de AFMV para manutenção de um estilo que vida que proporcione um perfil metabólico saudável. Estes achados reforçam as evidências prévias de que a prática de atividade física está relacionada à SM em adolescentes. Assim, quando se leva em conta as relações de custo-efetividade em longo prazo, estratégias de prevenção devem ser elaboradas para aumentar a prática regular de atividade física na população pediátrica desde o ensino fundamental. 

Endereço: http://dspace.c3sl.ufpr.br:8080/dspace/handle/1884/26370

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