Atividade Fisica e Sintomas Musculo-esqueleticos: Explorando Relações em População de Calouros de Medicina

Por: Ana Carolina Basso.

2002 18/11/2002

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Resumo

Desde os clássicos tempos do Relatório Lalonde, a atividade física (AF) vem sendo reconhecida como elemento crucial e controverso no “estilo de vida ativo” na Promoção à Saúde. Apesar das evidências dos possíveis benefícios fisiológicos desta prática, não se permite afirmar que AF promove saúde. Os objetivos do trabalho são: i) conhecer o perfil dos calouros de medicina ingressantes no ano de 2000 da Universidade Estadual de Campinas, segundo nível de atividade física (NAF); ii) identificar a prevalência relatada de sintomas músculo esqueléticos (ME) em diferentes regiões corporais dessa mesma população, segundo NAF; iii) explorar relações entre o NAF e o efeito temporal de sintomas ME relatados por referência aos últimos sete dias, ao ano anterior e aos que limitaram as atividades de vida diária (AVD) no ano anterior. Realizou-se estudo observacional transversal retroanalítico de base populacional, relacionando-se identificação e localização corporal dos sintomas ME como variáveis dependentes, NAF como independente e sexo, idade, peso, estatura e horas de estudo como descritivas. Para classificar o nível de atividade física adotou-se critério adaptado de Caspersen e Merrit (1995): i) fisicamente inativo ou sedentário (sem tempo dedicado a AF); ii) ativo irregular ou intermediário (atividade por menos que três vezes semanais e/ou com tempo inferior a vinte minutos por sessão) e iii) ativo regular ou ativo (três vezes ou mais por semana, com tempo igual ou superior a 20 minutos). A população de estudo foi 103 calouros do ano de 2000 em Medicina da Universidade Estadual de Campinas e cursando a Disciplina de Educação Física Desportiva. Em síntese, os resultados alcançados podem ser sumariados nos seguintes tópicos: i) quanto ao perfil dos estudantes, é possível notar que, como ativos, predominaram as pessoas de sexo masculino, mais pesadas, mais altas e que passaram menos tempo estudando, em comparação ao grupo dos sedentários, em que ocorreu o inverso (mulheres, mais leves, mais baixas e que permaneceram mais tempo estudando); ii) quanto à prevalência dos sintomas ME, os resultados mostraram, para todas as regiões corporais, independentemente do NAF, no plano descritivo predomínio de ausência de relatos sobre presença; e iii) quanto ao efeito temporal dos sintomas ME, os resultados alcançados geraram duas ordens de fatos: a) segundo NAF, houve significância estatística de ausência dos sintomas ME nos últimos sete dias e na limitação de AVD, bem como equivalência de ausência e presença dos sintomas ME em cinco regiões corporais nos doze meses, sempre envolvendo o grupo dos sedentários; e b) na estratificação por gênero, as mulheres se destacaram por expressarem significância na presença de sintomas ME de doze meses e na correlação com as horas de estudo no ano anterior. Portanto, apresentam-se aparente expressão de intermitência temporal na manifestação clínica dos sintomas ME e peculiaridade do predomínio da manifestação dos sintomas ME nas mulheres. 

Endereço: http://www.bibliotecadigital.unicamp.br/document/?code=vtls000297160&opt=1

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