Atividades de Aventura na Natureza e o Ensino da Educação Física em Escolas Públicas de Belém-pa: Possibilidades e Desafios

Por: Ramon Luiz Cardoso de Souza e Vera Solange Pires Gomes de Sousa.

VIII Congresso Brasileiro de Atividades de Aventura - CBAA

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Resumo:

A procura por Atividades de Aventura na Natureza vem crescendo cada vez, e vem sendo embaladas pelos discursos capitalistas que se apropriaram das mesmas para torná-las lazer mercado e as descaracterizando enquanto práticas historicamente construída e culturalmente desenvolvidas. Dentro da Educação Física escolar essas atividades permitem várias possibilidades na reflexão pedagógica, apresentando como aliados a ludicidade e a motivação. Este estudo tem por objetivo identificar e analisar as possibilidades, assim como os desafios das Atividades de Aventura na Natureza no ensino da Educação Física em Escolas Públicas de Belém- PA. Constitui-se como uma pesquisa de campo, que utilizou entrevistas semiestruturadas com cinco professores de Educação Física da rede pública de ensino da cidade e uma observação para um relato de experiência, dados analisados qualitativamente. Podemos perceber neste estudo que os desafios são muitos em relação a essas atividades na Educação Física escolar principalmente nas escolas públicas, como a formação de professores que não vem dando subsídios para essas novas possibilidades de ensino, assim como também a falta de espaços e equipamentos adequados. Diante de muitos desafios impostos em uma sociedade capitalista, o professor pode ser a maior das possibilidades.

Palavras- chave: Educação Física. Cultura Corporal. Atividades de Aventura na Natureza. Escola Pública.

INTRODUÇÃO

Vivemos um momento de grandes implicações na vida urbana. O estilo criado por uma sociedade tipicamente capitalista acaba por emergir agravantes nas relações do homem com o seu ambiente, os grandes centros urbanos exigem um estilo de vida pautados em elementos como o estresse que é justificado pelos grandes fluxos de trânsito, da violência, da poluição e da falta de espaços públicos de lazer e maior contato com o natural. Tais elementos impregnados na vida urbana vêm justificando a prática de atividades de lazer que tenham como cenário a natureza, nesse sentido presenciamos ao longo da história, principalmente com o sistema capitalista, uma sistematização de que aqui chamaremos de Atividades de Aventura na Natureza. São atividades que possuem uma “incerteza calculada” e muitas vezes apresentam riscos e perigos previstos dentro do possível, que podem ser praticadas em terra, água e ar (ARMBRUST; PEREIRA, 2010). 

A procura por essas atividades vem crescendo cada vez mais, e vem sendo embaladas pelos discursos capitalistas que se apropriaram das mesmas para torná-las lazer mercado e as descaracterizando enquanto práticas historicamente construída e culturalmente desenvolvidas.

Na perspectiva do capitalismo, essas atividades não vêm sendo acessadas pela população em geral. Nesse sentido, levando em consideração os aspectos históricos, sociais e 70 econômicos de nossa sociedade, este estudo objetivou identificar e analisar as possibilidades, assim como os desafios das Atividades de Aventura na Natureza no ensino da Educação Física em Escolas Públicas de Belém, a fim de possibilitar aulas inovadoras e criativas no ensino da E.F. Tais atividades podem estar presentes no ensino da Educação Física escolar na perspectiva do ensino para e pelo lazer, se constituindo enquanto atividades educativas, permitindo aos alunos a compreensão e a tomada de consciência na escolha do seu lazer no seu tempo livre.

No entanto, muitos fatores se apresentam como limitantes, e que até corroboram para a negação dessas atividades no contexto escolar, principalmente na Escola Pública, e que nesse estudo também serão discutidos na possibilidade de reflexão pedagógica no ensino da Educação Física escolar. Diante da problemática, perguntou-se: Quais as possibilidades e os desafios da prática de Atividades de Aventura na Natureza no ensino da Educação Física na realidade das Escolas Públicas de Belém do Pará? 1.

METODOLOGIA DA PESQUISA

O presente estudo se caracterizou pela análise das possibilidades e dos desafios da prática de Atividades de Aventura na Natureza no ensino da Educação Física nas Escolas Públicas de Belém do Pará. A referida pesquisa quanto aos seus objetivos se define como explicativa, pois “além de registrar e analisar os fenômenos estudados, busca identificar suas causas, [...] seja através da interpretação possibilitada pelos métodos qualitativos.” (SEVERINO, 2009, p.123).

Este estudo se configura em uma pesquisa de campo enquanto sua natureza em relação às fontes de dados, que se deu através de entrevistas e observação. Segundo Severino (2007, p.122) na Pesquisa de campo, “o objeto/ fonte é abordado em seu meio ambiente próprio. A coleta dos dados é feita nas condições naturais em que os fenômenos ocorrem, sendo assim diretamente observados, sem intervenções e manuseio por parte do pesquisador”. Em nossa pesquisa de campo foram entrevistados cinco professores de Educação Física da rede de ensino público de Belém, formados entre 1999 e 2012 e uma observação durante uma visita de alunos de escola pública ao Parque Estadual do Utinga, instrumentos necessários para se compreender as relações que são mantidas enquanto possibilidades e desafios da prática de Atividades de Aventura na Natureza nas Escolas Públicas de Belém. A observação é uma técnica de coletas de dados para se conseguir informações, onde lançamos mão dos sentidos na obtenção de determinados aspectos da realidade, não se tratando apenas em ver e ouvir, mas também em analisar fatos ou fenômenos que se pretende estudar (MARCONI; LAKATOS, 2003). Optamos pela observação participante, onde podemos definir como sendo a que o observador fica em relação direta com os informantes do seu estudo, se possível participando do contexto social de tais (MARCONI; LAKATOS, 2003). Em nosso caso, em relação direta com público que visitou o Parque Estadual do Utinga para a prática de Atividades de Aventura na Natureza ofertada pelo próprio Parque.

2 .Atividades de Aventura na Natureza e o ensino da Educação Física escolar: O trato da pedagogia Crítico -superadora na reflexão da cultura corporal. 

A reflexão da cultura corporal está pautada em “uma pedagogia emergente que busca responder a determinados interesses de classe” (CASTELLANI FILHO, 2009, p.27) que foi denominada de Pedagogia Crítico- superadora, que sistematizou o conhecimento em que trata a Educação Física, denominado de Cultura corporal.

Essa perspectiva, busca desenvolver uma reflexão sobre o acervo de formas de representação do mundo que o homem tem produzido no decorrer da história, exteriorizadas pela expressão corporal: jogos, danças, lutas, exercícios ginásticos, esporte, malabarismo, 71 contorcionismo, mímica e outros, que podem ser identificados como formas de representação simbólica de realidades vividas pelo homem, historicamente criadas e culturalmente desenvolvidas (CASTELLANI FILHO et al, 2009, p.39). As Atividades de Aventura e Lazer na Natureza têm sua criação histórica estabelecido nas relações com o meio ambiente e que veio se desenvolvendo culturalmente através das relações sociais em determinadas épocas. Dentro da perspectiva da cultura corporal esse caráter de historicidade é fundamental, por ser um bem criado historicamente e desenvolvido culturalmente, são também passíveis de serem reinventadas. No trato da cultura corporal, tais atividades são apropriadas pelo homem dispondo de várias intencionalidades como o lúdico, a emoção e etc. no sentido das representações, ideias e conceitos produzidos nas relações sociais (CASTELLANI FILHO, 2009).

Para o autor supracitado, o ensino da Educação Física tem sentido lúdico que deve buscar a criatividade humana, no sentido de adotarem uma postura produtiva e criadora de cultura no mundo do trabalho e do lazer. Em tal perspectiva, o ensino da Educação Física também se torna motivador na medida em que se ensina para e pelo lazer, onde “educar pelo lazer significa aproveitar o potencial das atividades para trabalhar, valores, condutas e comportamentos” (MELO; ALVES JÚNIOR, 2003 apud DIAS, 2004, p. 04), possibilitando assim uma oportunidade para aventura, que é inerente à condição humana, fazendo parte da história do surgimento do ser humano e de seu desenvolvimento. Desde o primitivo em deslocamentos humanos até a contemporaneidade com o surgimento da indústria do entretenimento.

3. Os Desafios

3.1. A formação para a “aventura” Dos cinco professores entrevistados, três são formados pela Universidade do estado do Pará, diante de tal situação e da relevância histórica da instituição na formação de dezenas de professores por ano no Estado, e principalmente, em Belém (sendo também a mais antiga na formação em Educação Física no Estado), a tomaremos como referência para discutirmos de forma contextualizada a formação de professores de Educação Física inseridos no contexto escolar.

Santos (2006) em seu estudo sobre a concepção de Esporte dos professores das disciplinas esportivas da UEPA veio discutindo e identificando a problemática da formação inicial de professores de Educação Física, onde, apesar das novas concepções do esporte já estarem sendo bastante discutidas e difundidas em meios acadêmicos, a resistência e até mesmo a falta de subsídios para compreensão ainda se mostra muito evidente. Diante de tal cenário, a compreensão de conteúdos e das reais necessidades relacionadas às contradições da lógica capitalista, vem sendo comprometidas no entendimento do sentido e do significado da Educação Física, historicamente e ainda hoje deturpada em um entendimento ligado somente a conteúdos isolados, que ainda assim não vem atendendo a essas necessidades. Assim, não tão somente para o esporte, quanto para o jogo, a ginástica e outros, há uma constância na necessidade de serem reinventados.

As instituições formais devem contribuir na concepção dotada de criticidade, na produção do conhecimento que transgrida a lógica capitalista (MÉSZÁROS, p. 44 apud SANTOS, 2006, p. 55). Discutimos o estudo de Santos (2006) que trata especificamente da UEPA, mas acreditamos que a realidade de outras instituições se assemelhem também.

Quando perguntado aos professores entrevistados sobre os conteúdos trabalhados em suas aulas em escolas públicas, evidenciamos o que justamente vêm- se discutindo, fica evidente a prioridade dada aos conteúdos esportivos e até mesmo a falta de conhecimento dos conteúdos específicos da Educação Física tematizados na cultura corporal.

“Os conhecimentos são vários na nossa área, e tanto vai da parte de socialização, parte de conhecimento é... educacional, parte de integração, recreação e principalmente com a parte da área desportiva. Futsal, vôlei, basquete e outros”. [Professor A]

“Eu trabalho vários conteúdos, como vôlei, futebol, handebol e... basquetebol, às vezes passo uma recreação pra eles”. [Professor C]

A temática da aventura está sendo desenvolvida e grande difundida na atualidade, se apresentando como o “boom” do momento, e que por isso deve ser submetida cada vez mais a estudos no sentido da sistematização e na produção de conhecimento crítico- reflexivo, e assim podendo ser incluídas nos cursos de Licenciatura em Educação Física.

Na formação de todos os professores entrevistados, tais atividades não estão inseridas no trato do conhecimento de uma forma mais sistemática, como em uma disciplina específica, apresentando- se somente em aulas de outras, como as envolvidas em esportes, ginástica e lazer, mesmo assim de uma forma isolada, muitas vezes sem sentido e significado.

“Nunca trabalhei essas atividades com meus alunos, até porque não temos o conhecimento... Nossa formação deixa a desejar nesse sentido... às vezes que íamos com alguns professores pra fazer atividades de lazer em áreas assim... naturais, mas era só pra vivenciar mesmo, não aprendíamos muita coisa...”. [Professor D]

A formação inicial vem sendo como uma das justificativas para a não inclusão das Atividades de Aventura na Natureza nas aulas de Educação Física em escolas públicas. E realmente, consideramos que a formação seja umas das maiores implicações para tal contexto, haja vista que é ela o principal eixo norteador de nossa intervenção pedagógica.

3.2 Os recursos materiais e humanos Para todos os professores, o maior desafio em lançar mão dessas atividades em suas aulas está na falta de equipamentos e de espaços adequados para tal. A realidade das Escolas Públicas vem sofrendo um processo histórico de sucateamento, e que também vêm justificando a falta de possibilidades dos professores, que se vêm desafiados pela falta de materiais, equipamentos e de espaços adequados para a sua intervenção. Como pode ser notado nas falas abaixo:

“É difícil porque as escolas públicas o espaço é muito reduzido, né? E pra gente fazer uma atividade desta, de levar os alunos ao campo pra trabalhar, agente esbarra numas dificuldades muito grandes de transporte e de livre acesso; até mesmo pode se dizer, né ? Dentro da escola é difícil trabalhar, porque a maioria das escolas não tem espaço pra se trabalhar isso, mas na área de Educação Física isso é uma atividade nova que o campo ta tendo, né ?... bastante explorado que eu acho viável, mas na escola é muito complicado”. [Professor B]

“Na nossa escola a gente tem um espaço que poderia ser trabalhado, não muito grande, mas as dificuldades maiores são... agente adquirir equipamentos porque pra isso agente vai precisar de muitos recursos área... é uma área de aventura, agente precisa ter todo um esquema, todo um aparato pra gente trabalhar isso...” [Professor E]

Um dos professores relata que não possui nenhum tipo de apoio dos setores envolvidos na escola como gestores e pais de alunos, que acaba sendo também uma das problemáticas envolvidas no contexto. O presente professor pertence a uma escola localizada em uma área de extrema carência, podendo por isso sofrer ainda mais no confronto com os seus desafios.

“Não temos esse apoio... sabe? É muito difícil... queremos fazer algo diferente, mas sem que tenhamos um apoio das pessoas envolvidas na escola e até mesmo pelo próprio governo... Os pais também não contribuem muito... são muito dispersos”. [Professor D]

2. As possibilidades Em vários estudos relacionados às Atividades de Aventura na Natureza, o valor educativo e as possibilidades de reflexões pedagógicas estão sendo tratadas e vem ampliando o acervo de atividades que contribua com Educação Física em relação a uma real educação. Uma das grandes possibilidades dessas atividades é o seu grande caráter multidisciplinar, onde se pode está fazendo parcerias internas com outras disciplinas na contribuição para a Educação, ainda também podendo está exercendo nessas parcerias internas um maior incentivo para o apoio de gestores e pais.

Outra possibilidade se justifica na motivação que essas atividades têm, é interessante para os alunos está aprendendo dentro de uma perspectiva que utilize o lazer e o lúdico como veículo na produção do conhecimento.

“Se a gente pudesse trabalhar seria muito gratificante para gente e para os alunos, porque seria uma modalidade totalmente diferente. Uma coisa que eles não vivenciam e que poderia até abrir novos horizontes para eles”. [Professor A]

Sabemos que para a prática de Atividades de Aventura na Natureza precisamos lançar mão de várias técnicas e equipamentos para tal, o que para a escola pública se torna um grande limitante. O interessante em tal contexto é ter parcerias no desenvolvimento das atividades com pessoas que estão capacitadas e parcerias no desenvolvimento das atividades com pessoas que estão capacitadas e preparadas para o mesmo e já possuam alguns equipamentos, uma conversa no sentido do planejamento acaba criando várias possibilidades no próprio espaço da escola, onde muitas das vezes apresentam áreas que ficam ociosas que poderiam perfeitamente estar sendo utilizadas para essas atividades. A conversa possibilita uma junção de idéias, e essas ocorrem no sentido das adaptações ao contexto da escola, criando assim possibilidades para a prática.

Além das possibilidades do próprio espaço das escolas, são importantíssimas as parcerias realizadas na comunidade externa. Em Belém há vários espaços públicos que podem estar sendo utilizados, eles apresentam algumas estruturas físicas e fornecem recursos materiais e humanos; como é o caso do Parque Estadual do Utinga (que será exposto posteriormente). Esse espaços as vezes apresentam grandes burocracias para a sua utilização, mas que com persistências se tornam possibilidades.

4. O desbravar das aventuras em trilhas de possibilidades: um relato de experiência A visita foi realizada com vinte e seis alunos no Parque Estadual do Utinga no dia vinte e seis de junho de 2012. O Parque se constitui como umas das principais áreas verdes da cidade que viabiliza o contato com a natureza de milhões de habitantes da cidade e Região Metropolitana. O Parque em nosso estudo se mostrou como umas das possibilidades (pois é o 74 Parque em mais evidencia no contexto e que oferece gratuitamente recursos materiais, humanos e naturais) para a prática de Atividades de Aventura na Natureza, mas podendo Belém, também apresentar outras possibilidades, haja vista que várias outras áreas verdes e naturais podem estar sendo utilizadas para o desenvolvimento de atividades dessa natureza.

No processo Educacional, é extremamente importante a participação da comunidade, principalmente, quando nos vemos limitados aos recursos sucateados de nossas Escolas Públicas, como evidencia Esteban (2007) e Forgiarini e Silva (2007) aos nos remeter a história da escolarização das classes populares, uma história de fracassos. Para muitas realidades escolares e se tivermos a compreensão que educação só se dá nos limites do muro da escola e se influenciados pelo consumismo, as Atividades de Aventura na Natureza realmente se tornam quase inviáveis.

A comunidade local pode assumir um papel decisivo para a prática da aventura, principalmente em realidade com expressiva carência sócio econômica (...) pois a intenção está em permitir aos alunos vivenciar tais atividades num trabalho pedagógico formativo e inovador (p. 252).

A escolha por uma escola que está inserida num contexto de extrema precariedade das condições humanas, na região do aterro do Aurá, está relacionada ao contexto do nosso estudo: o contexto da luta de classes, que no nosso estudo vem entrelaçando os conflitos existentes no ensino da Educação Física na Escola Pública (historicamente precarizada) e a prática de Atividades de Aventura na Natureza (considerada elitista pelos moldes capitalistas) na Educação de classe populares. Durante todo o processo da visita, desde o descolamento de ida e volta, e até mesmo todo o processo anterior de dar viabilidade a visita em termos de autorização e transporte (um dos nossos maiores desafios), ficou evidenciado a dificuldade com que professores podem lidar no seu cotidiano quando querem permitir aos seus alunos um conhecimento pouco explorado em aulas inovadoras e que contribuam com a reflexão dos mesmos.

Já no Parque as crianças puderam vivenciar uma trilha com vários tipos de ambientes (com rappel em uma rocha, atravessia de ambientes aquáticos, trilha em capoeiras e capoeirões5 e em mata fechada, com observação de fauna e flora). Foi perceptível a alegria dos alunos, pois segundo percebido, a realidade em que vivem o cotidiano, não os permite terem um contato tão forte com o natural, para alguns só o fato de verem a BR-316, foi suficiente para arrancar rostos de admiração e êxtase, as atividades tiveram um grande caráter lúdico e motivador (CASTELLANI FILHO, 2009) por estarem praticando algo que jamais poderia imaginar em praticar.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A relevância deste trabalho se concretiza a partir do momento que se instiga a pensar a Educação Física dentro de outras possibilidades diante de muitos desafios na intenção de inovar e motivar nossos alunos. Que outros estudos a partir deste sejam feitos e contribuam para a Educação Física nas escolas públicas, no sentido da inovação e da criatividade e possam discuti-los tendo claras as contradições sociais impostas no sistema capitalista. Que possam discutir, por exemplo, as Atividades de Aventura na Natureza como possibilidades de Educação no campo, haja vista que esta pode está tomando para si uma perspectiva urbanocentrista diante de maiores possibilidades em seus ambientes naturais.

Fica evidente neste estudo que a prática de Atividades de Aventura na Natureza nas aulas de Educação Física nas escolas públicas no contexto de Belém se defronta com vários desafios, onde esses seguem a própria lógica do capital, criando até mesmo uma situação de conformismo. A formação inicial nas instituições formais de ensino de nível superior pode ser o principal fator que vem limitando tal prática, pois é nela em que constituímos ou 75 deveríamos constituir uma concepção de homem, mundo e sociedade. E essa concepção é que nos motiva a criar possibilidades diante de muitos desafios. A formação em Educação Física no Estado, mais especificamente em Belém, não oferecem subsídios que permita a compreensão relacionada aos conhecimentos específicos dessas atividades.

Tais atividades põem o ser humano em contato com a sua essência natural, permitindo uma dotação de consciência crítica da realidade de contradições em que se vive através do trato também crítico e reflexivo das emoções, sentimentos e sensações. Tem-se em tais atividades a ludicidade como grande aliada contribuindo no aspecto motivacional dos nossos alunos a partir do momento em que se permite educar para e pelo o lazer.

REFERÊNCIAS

ARMBRUST, Igor; PEREIRA, Dimitri Wuo. Pedagogia da aventura: os esportes radicais, de aventura e de ação na escola. 1 ed. Jundiaí, SP: Fontoura, 2010.

BAHIA, Mirleide Chaar; SAMPAIO, Tânia Mara Vieira. Lazer – meio ambiente: em busca das atitudes vivenciadas nos esportes de aventura. Revista Brasileira de Ciências do Esporte, Campinas, v. 28, n. 3, p. 173-189, maio 2007.

CAMPAGNA, Jossett. Homem- Natureza- “Parceiros” na aventura e no (re) encontro com o outro. In: SCHWARTZ, Gisele Maria (org.). Aventuras na natureza: consolidando significados. Jundiaí- SP: Fontoura, 2006. p. 211-222.

CASTELANNI FILHO ET AL. Metodologia do ensino da Educação Física. 2. Ed. rev. – São Paulo: Cortez, 2009.

DIAS, Cleber Augusto Gonçalves. Lazer e Esportes na natureza face à Educação Ambiental: Entre o possível e o necessário. In: Seminário o lazer em debate, v. coletânea do v seminário o lazer em debate. anais... (cd-rom). Rio de janeiro: ufrj/lazmin, 2004. p.187 – 193.

______________; MELO, Victor Andrade; ALVES JUNIOR, Edmundo D. Os estudos dos esportes na natureza: desafios teóricos e conceituais. Rev. Port. Ciências dos Desportos. V.7, p.358-367, 2007.

ESTEBAN, Maria Teresa. Educação popular: desafio à democratização da escola pública. Cad. CEDES, vol.27, n. 71, p. 09-17. Campinas, 2007. Disponível em: < http://www.cedes.unicamp.br> Acesso em: 04 de março de 2012.

FORGIARINI, Solange Aparecida Bianchini; SILVA, João Carlos da. Escola Pública: Fracasso escolar numa perspectiva histórica. In: Simpósio de Educação – XIX Semana de Educação. Paraná: UEOP, 2007.

GAWRYSZEWKI, Bruno. A luta capitalista contra o ócio: a necessidade á um lazer consumista. Revista Digital, Buenos Aires, v. 9, n.66. Dezembro, 2003. Disponível em: < http://www.efdeportes.com/efd66/ocio.htm >Acesso em: 17 de fevereiro de 2012.

LAVOURA, Tiago Nicola; SCHWARTZ, Gisele Maria; MACHADO, Afonso Antônio. A democratização de atividades de aventura na natureza: o projeto “Canoagem popular”. Motriz, vol.13, n.2, p. 80-85. Rio Claro, 2007. 

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