Atlético e Cruzeiro Como Lazer nos Bares da Cidade

Por: Jairo Francisco Batista, Maria Tereza Durães Sobrinho e Nayara Queiroz Rocha.

XX Congresso Brasileiro de Ciências do Esporte e VII CONICE - CONBRACE

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Resumo

1 INTRODUÇÃO
Marcelino (2007) classificou os conteúdos do lazer em artísticos, intelectuais, manuais, sociais e físico-esportivos. Com o passar dos anos, foi acrescentado o interesse turístico à lista e, mais recentemente, Schwartz (2003) adicionou o interesse virtual. 
Em nossa sociedade, um dos interesses mais praticados é o físico-esportivo. O futebol, esporte mais conhecido e praticado do mundo contemporâneo, é um produto da moderna sociedade urbana e industrial (DAMATTA, 1994). 
Assistir ao jogo do seu time no bar é um hábito cada vez mais visível nas cidades. A movimentação do indivíduo para o bar e as relações de lazer existente nesta manifestação coletiva sugere formação de uma nova forma de consumir o futebol, ainda pouco investigada como um fenômeno social. 
Em Minas Gerais, os jogos do Clube Atlético Mineiro e do Cruzeiro Esporte Clube são os que mais chamam a atenção e envolvem maior número de pessoas para assisti-los. Assim, investigar as pessoas e o ambiente que cercam os jogos do Atlético e do Cruzeiro em bares da cidade de Montes Claros foi o objetivo deste trabalho, pretendendo, também, observar o fenômeno como lazer e seus significados, os torcedores que se descolocam de suas casas para os bares nos dias de jogos.

2 METODOLOGIA 
A pesquisa se apoiou na aplicação de questionário que observasse os fenômenos de interesse, ou seja, o fato de assistir a jogos de futebol num bar onde se transmita os jogos do Atlético Mineiro ou do Cruzeiro. Nos dias dos jogos desses times que aconteceram no segundo semestre de 2016 e primeiro semestre de 2017, foram aplicados questionários aos frequentadores dos bares que se dispuseram a respondê-lo. Foram respondidos 36 questionários, destes, 19 sujeitos da pesquisa se declaram torcedores do Atlético e 17 torcedores do Cruzeiro; 29 homens e 7 mulheres, com média de idade de 33 anos. Em relação às questões abertas, as informações coletadas foram organizadas de acordo com a semelhança das respostas e agrupadas para facilitar as análises. As questões fechadas foram organizadas quantitativamente e analisadas para a confecção da escrita do texto final da pesquisa.
A pesquisa teve parecer do Comitê de Ética da Universidade Estadual de Montes Claros, nº 1.369.315.

3 DESCRIÇÕES, RESULTADOS, INTERPRETAÇÕES
Observando as respostas abertas do questionário, os torcedores pesquisados vão frequentemente ao bar para assistir a jogos no bar (pelo menos uma vez por semana). Eles nos indicaram que o local é semelhante ao estádio, havendo confraternização e diversão, ficando a atmosfera parecida com a do estádio. Outra questão notada foi o fato de Montes Claros estar a 400 quilômetros de Belo Horizonte, inviabilizando o deslocamento aos jogos na capital. Alguns afirmaram que o bar é mais seguro, podendo estar junto aos amigos o que torna o hábito divertido. Poucos (dois) disseram preferir o estádio, pois nele “a energia é maior” e tem “o calor da torcida”. Por fim, alguns lembraram que no bar podem beber bebida alcoólica e o bar costuma ser perto da residência.
A pesquisa realizada denotou um ambiente semelhante ao encontrado nos estádios de futebol, envolvendo sentimentos de euforia, nervosismo, alegria, decepção, entre outros. Os questionários respondidos dimensionam o torcer no bar como um momento de lazer, mas com momentos específicos de euforia e decepção, condicionado pelo resultado da partida. 
Em relação ao ambiente como propiciador de lazer, cabe ressaltar que não existe apenas o interesse físico-esportivo da assistência ao futebol, mas é marcante, também, o aspecto social na vivência dos torcedores ali reunidos. Atlético e Cruzeiro movimentam o imaginário dos torcedores no momento em que assistem aos jogos no bar, pois há nítida semelhança na gestualidade do torcer, aproximando o bar do estádio.

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Podemos inferir que o lazer é um componente existente nos jogos do Atlético Mineiro e do Cruzeiro, assistidos em bares de Montes Claros-MG. É possível também afirmar que o torcer no bar é similar ao torcer no estádio e que os motivos principais de se optar pelo bar em detrimento ao estádio é distância da capital, Belo Horizonte, e a questão financeira relativa ao deslocamento.

5 REFERÊNCIAS
DAMATTA, R. Antropologia do óbvio-Notas em torno do significado social do futebol brasileiro. Revista USP, n. 22, p. 10-17, 1994.
MARCELLINO, N.C. Lazer e cultura: algumas aproximações. In: MARCELLINO, Nelson Carvalho (Org.). Lazer e cultura. Campinas: Alínea, 2007.
SCHWARTZ, G.M. O conteúdo virtual do lazer: contemporizando Dumazedier. Licere, v.2, n.1, 2003, Belo Horizonte.

Endereço: http://congressos.cbce.org.br

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