Ausência de Conhecimento Musical na Formação do Professor de Educaçào Física

Por: Ludmilla Carvalho.

IX EnFEFE - Encontro Fluminense de Educação Física Escolar

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Introdução

O curso superior de Educação Física oferece duas vertentes distintas, uma contemplando a educação e a outra a saúde. Ao longo da formação, o educando vivencia inúmeras experiências, ora percebendo-se educador, contribuinte na formação de conceitos, saberes; ora como preparador físico, melhorando a condição física dos sujeitos, sinalizando possíveis patologias ou auxiliando na recuperação de anomalias, melhorando assim a qualidade de vida dos praticantes de atividades físicas.

Pela complexidade da formação do profissional de Educação Física é provável que alguns saberes, por vezes, se mostrem ausentes na grade curricular. Por exemplo, comumente observa-s a falta de conhecimentos específicos sobre farmacologia e sua interação com o exercício físico, ou mesmo o estudo de noções de teoria musical contemplando a musicalidade que aparece nos brinquedos cantados, nas cantigas de roda, nas músicas utilizadas nas aulas de dança, na capoeira, na hidroginástica, enfim, em toda esfera musical que o curso oferece. Pois: [...] Musicalidade consiste em transformar as pessoas em indivíduos que: usam os sons musicais, "consomem" música, apreciam música, fazem e criam música, sentem música e finalmente se expandem por meio de música, (JANNIBELLI, 1971).

Dentro desta concepção, a utilização da música nas aulas e demais atividades da Educação Física é uma ferramenta de trabalho, pois através dela determina-se o ritmo no qual cada tarefa deve ser desempenhada. Além de marcar o ritmo de atividades físicas, a música pode trabalhar valores éticos e sociais; estimular as atividades psíquicas humanas (a inteligência, o desejo, a imaginação criadora, a sensibilidade); estabelecer uma atmosfera de alegria, ordem, disciplina e entusiasmo; canalizar e acalmar a exacerbação, proveniente da energia abundante apresentada pelo organismo dos jovens; estimular, principalmente, através do ritmo, a vitalidade; favorecer a auto-expressão, representando um benefício não só para o aspecto motor como também para os aspectos afetivo e psíquico (JANNIBELLI,1971).

Como se pôde observar até o presente momento, apesar da musicalidade estar presente no dia-a-dia dos profissionais de Educação Física, ao que parece, não existem indícios de que a teoria musical esteja presente entre as diversas disciplinas ministradas durante o curso superior de Educação Física. Contudo, não se sabe ao certo se a falta destes conhecimentos confere prejuízo em sua atuação profissional.

Este trabalho tem a finalidade de identificar se as instituições de Ensino Superior em Educação Física do estado do Rio de Janeiro oferecem em suas grades curriculares, disciplinas relacionadas ao ensino da teoria musical ou noções de música. Procurando observar a presença de disciplinas que ministrem o ensino da música e relacionar as disciplinas que ministram conhecimentos à cerca dos ritmos ou da teoria musical.

A música no contexto da Educação Física

A música é uma destacada ferramenta para o desenvolvimento físico e psíquico da criança liberando seus impulsos, contribuindo para auto-expressão e a criatividade (COSTA,1969). Como também pode provocar reações emocionais ligadas à sensibilidade, afetividade, intelectualidade, intervindo na formação da identidade do sujeito intelectualmente, emocionalmente e ainda fisiologicamente (AMORIM,1956).

Desta forma, um conhecimento mais específico da área musical pode representar para os professores de Educação Física a possibilidade de aplicar estes conhecimentos como ferramentas favorecedoras da apresentação dos conteúdos específicos de sua área, desenvolvendo-os de forma criativa.

Metodologia

Para realização da pesquisa foram analisadas as grades curriculares de quinze cursos de Educação Física ministrados por universidades públicas e privadas do Estado do Rio de Janeiro, com o objetivo de observar a existência ou não de disciplinas ligadas ao ensino da música. Posteriormente os dados foram organizados e analisados quantitativamente.

A coleta dos dados foi feita via Internet e presencialmente quando os dados não estavam disponíveis nos sites pesquisados.

Observou-se as grades, procurando identificar uma disciplina que ministrasse, especificadamente, a teoria musical.

Foram recolhidos os dados em universidades no Estado do Rio de Janeiro com licenciatura e bacharelado em Educação Física. A amostra para estudo foi retirada de um total de 50% e pelo menos mais 1, das grades dos cursos de Educação Física no Ensino Superior público e no privado. Sendo assim, das três universidades públicas, foi pesquisada uma e, do total de doze universidades privadas foram pesquisadas oito.

Foi realizada uma pesquisa de campo quantitativa, centralizando-se na análise das grades das Universidades públicas e privadas. Após a coleta, os dados foram classificados, organizados e apresentados por meio de números (THOMAS & NELSON, 2002).

A seleção dos dados foi feita observando a grade de uma Universidade pública e oito Universidades privadas no Estado do Rio de Janeiro, no total foram pesquisadas as grades de nove Universidades, respeitando a porcentagem de 50% e pelo menos mais 1 de cada rede de Ensino Superior (público e privado). Este método envolveu medidas precisas, com o controle rígido das variáveis, onde os números deram autenticidade às hipóteses desenvolvidas a partir de relatos e pensamentos. (THOMAS & NELSON, 2002).Participaram da pesquisa 9 (nove) universidades, sendo 1(uma) pública e 8 (oito) privadas, respeitando-se a porcentagem determinada pelo quantitativo de 50% e pelo menos mais 1. As grades foram analisadas buscando verificar a evidência da existência de disciplinas que contemplem com exclusividade o ensino da teoria musical.

As grades foram coletadas via Internet e presencialmente, quando não obtivemos a informação pela primeira via. As grades estão dispostas no anexo.

Análise dos resultados

Segundo a pesquisa feita, o Estado do Rio de Janeiro possui provavelmente 15 (quinze) Universidades ministrando o Curso Superior de Licenciatura/ Bacharelado de Educação Física. Foram analisadas as grades das seguintes Universidades privadas: Gama Filho, UNIVERCIDADE (Faculdade da Cidade), UNIG (Universidade Iguaçu), Castelo Branco, Estácio de Sá, UNIABEU, Estácio de Sá, UNIGRANRIO; a pública UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), e verificou-se que em média possuem 50 (cinqüenta) disciplinas, divididas em 8 (oito) períodos. Além de oferecerem mais as disciplinas eletivas. Não foi constatado em nenhuma das grades, uma disciplina voltada para o ensino exclusivo de teoria musical. Detectando a ausência de ensinos especifico de música.

Conclusão

As disciplinas ministradas em Educação Física podem até oferecer noções superficiais de teoria musical, porém o conhecimento é trabalhado de forma intuitiva, pois os professores não possuem uma formação em música.

A música está presente em várias disciplinas como recurso facilitador, porém de forma implícita. Recreação, Folclore, Dança e Educação Infantil são disciplinas que apresentam música em seus conteúdos, por este motivo, participa ativamente da rotina escolar, sendo muito utilizada pelos professores de Educação Física. As atividades com música proporcionam o melhor desenvolvimento dos movimentos corporais, como também estimula a criatividade.

Através da música pode-se ditar o andamento de uma atividade, determinando até a progressão de uma aula. Sendo inevitável não relacionar, mesmo intuitivamente, o elemento ritmo, presente na música, com a habilidade motora ritmo, trabalhada como conteúdo nas aulas de Educação Física.

A música é tão importante na formação cognitiva, afetiva, motora do aluno, precisando que o profissional ao exercê-la tenha conhecimento embasado, para relacioná-la aos objetivos propostos nas disciplinas do Curso Superior de Educação Física. Seria necessário uma cadeira especifica, pois mesmo o profissional tendo este conhecimento, torna-se inviável ministrá-la concomitantemente com outra disciplina, faltando assim tempo hábil para transmitir todos os conhecimentos propostos na ementa.

Obs. As autoras, acadêmicas da UNIABEU trabalham todas na SEM de Belfort Roxo, Simone do Nascimento Silva de Almeida.

(agnesvazlobo@bol.com.br), Sueli Maria de Lemos (agnesvazlobo@ bol.com.br) sendo que a Ludmilla da Silva Carvalho (agnesvazlobo@yahoo.com.br) também trabalha na SEM de Nova Iguaçu

Referências bibliográficas

  •  Amorim e Vita, Zita Alves de e Luís Washington.Introdução à Pedagogia Musical. Editora Ricordi Brasileira. São Paulo, 1956.
  • Costa e Valle, Niobe Marques da e Edna Almeida. Música na Escola Primária. Editora J. Olympio. Rio de Janeiro, 1969.
  • Jannibelli, Emília d’ Anniballe. A Musicalização na Escola. Editora Lidador Rio de Janeiro, 1971.
  • Thomas e Nelson. Metodologia da Pesquisa em Atividades Físicas. Editora ArtMed, 2002.

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