Basquetebol; Mediação; Instituição

Por: Bruno José de Mattos.

III Congresso de Ciência do Desporto

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Introdução: Os pressupostos teóricos deste estudo fundamentam-se na Abordagem Centrada da Pessoa (Rogers, 2009), dos conceitos de Ansiedade Somática no Esporte (Liebert & Morris, 1967) e de Estresse (McGrath, 1970).

 Objetivos: 1- Buscar apreender e compreender os sentidos psicológicos de jovens atletas durante o processo de preparação e disputa da Copa São Paulo de Futebol Junior. 2- Analisar o trabalho de intervenção psicológica e as vivências do proponente desta pesquisa com os jogadores e a comissão técnica.

 Metodologia: o presente estudo foi realizado num Clube de Futebol do Estado de São Paulo que disputou uma das edições da Copa São Paulo de Futebol Junior. Participaram da pesquisa os jogadores e a comissão técnica do Clube. A pesquisa caracteriza-se como qualitativa (Minayo, 1993). O método utilizado foi o Fenomenológico (Husserl, 1996). Utilizou-se a Narrativa como Técnica de Pesquisa Fenomenológica (Dutra, 2002). Inseri-me na condição de Observador Participante (Schmidt, 2006), uma vez que fui o psicólogo da equipe e também o pesquisador.

 Resultados: o jovem jogador A. era o atleta de maior destaque e capitão da equipe. Um fato percebido por toda a comissão técnica era de que A. apresentava freqüentes câimbras em diversos jogos amistosos (preparação da equipe). Ao averiguar os resultados dos testes físicos pode-se constatar que a capacidade física de A. estava acima da média do grupo de jogadores. Isto era intrigante. Por conta das câimbras havia um cuidado especial da comissão técnica com o jogador: tinha preparação física específica e relativa moderação no volume de treinamento técnico-tático. Mesmo com esses cuidados em relação à fadiga muscular A. continuava apresentando os sintomas de câimbras. Muitas vezes o jogador demonstrava um comportamento hostil e agressivo com as orientações que lhe eram passadas pela comissão técnica. O atleta me procurou para conversar por diversas vezes. A. se queixava da forte pressão que estava sofrendo por parte de todos: dos seus familiares; do treinador; do supervisor das categorias de base; da insegurança em disputar o torneio e ter a obrigação de ser valorizado; do medo de errar, de não ter o agrado da torcida e colocar em risco seu futuro profissional.

 Conclusão: A. carregava todas essas questões em suas pernas. Seu corpo manifestava sua ansiedade. Ele entrava tenso nas partidas, com a tensão muscular aumentada e isto acarretava a fadiga muscular precoce. No clima de liberdade das nossas conversas (pautadas nas atitudes facilitadoras, propostas por Carl Rogers) A. sentiu a oportunidade de expressar tudo o que lhe afligia. As narrativas de A. tinham a função de escape das suas tensões. Isto foi explicado ao atleta e seus sintomas foram diminuindo.

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