Box - o Mar Como Lazer

Por: José Ribamar Martins.

Atlas do Esporte do Maranhão.

Send to Kindle


Os banhos de mar eram raros. O acesso às praias era difícil. A Ponta d’Areia e o Olho d‘Água eram as de maior freqüência. Á primeira, chegava-se  através de pequenos barcos a vela ou em inseguras lanchas a motor pertencentes ao popular “Chocolate”. O embarque e o desembarque eram realizados na Rampa do Armazém, ou Trindade, e Praia do Caju. Frequentemente aconteciam panes no motor e a embarcação ficava à deriva, deixando os passageiros em pânico. À segunda, o acesso fazia-se em caminhões ou automóveis. Qualquer um daqueles transportes era de disponibilidade difícil. A estrada, através do Turu, não dispunha de asfalto, era esburacada e muito arenosa, o que dificultava ainda mais a viagem. Outras próximas, como São Marcos, Calhau, Jaguarema ou Araçagi, eram apenas visitadas por banhistas aventureiros que do Olho d‘Água seguiam a pé até elas. – Aqui vale uma pequena e triste constatação: infelizmente nos, maranhenses, mantemos o triste hábito de ignorar nossas tradições. Podemos mencionar como exemplo a obstinada substituição de antigos nomes de ruas, praias etc., sem mínima justificativa, por outros nomes até já comuns em lugares além de nossos limites. Recentemente temos o caso das praias de São Marcos e do Jaguarema, que a cada dia estão se tornando mais identificadas como Praia da Marcela e Praia do Meio. Isso, ao que parece, conta até com o apoio dos órgãos responsáveis, conforme podemos constatar em placas indicativas existentes.

Voltando ao assunto interrompido, uma alternativa era a praia de São José de Ribamar, no balneário de mesmo nome. Apesar de servida de precária linha de ônibus, era de mais fácil acesso. Entretanto, pelos trinta quilômetros que a separam da capital, era muito  desfrutada apenas durante as férias de julho , início da estiagem.

Como se pode depreender, não era qualquer um que podia  gozar das delícias de um banho de mar. Para a garotada agitada das  proximidades da Fonte do Ribeirão, essas dificuldades eram superadas quando se aventuravam até as croas em frente à Praia do Caju  para jogar bola. Para alcançá-las, forçosamente tinham que nadar. Isso acontecia com a maré baixa, ocasião em que era mais fácil cruzar o canal de navegação. Alguns que ainda não dominavam as técnicas da natação aprendiam à força, quando eram arremessados da amurada da avenida ao mar. Ao sinal de afogamento, eram socorridos pelos melhores nadadores do grupo. Isso se repetia à exaustão até que o peralta superasse suas deficiências.   Havia também aqueles que se aventuravam na travessia do Rio Anil, em maré alta, da Praia do Jenipapeiro até à margem em frente ao Asilo de Mendicidade, no São Francisco. Naquelas imediações diziam haver muito tubarão, pois o Matadouro Municipal funcionava um pouco mais à frente, depois da Camboa, de onde despejavam no rio os restos inaproveitáveis do gado abatido.

A Praia do Jenipapeiro, cujo acesso se dava pela rua do mesmo nome – continuação da Rua das Hortas, onde existiu pequeno túnel ferroviário – era um local pedregoso, impróprio ao banho, onde ancoravam pequenas embarcações que faziam o trajeto até Vinhais.

In SÃO LUIS ERA ASSIM (minha terra tem palmeiras, já nem tantos sabiás) RELEMBRANDO LANCHAS E O MEARIM. Brasília, Equipe, 2007 (Capitulo XV, p. 67-69).

Comentários


:-)





© 1996-2019 Centro Esportivo Virtual - CEV.
O material veiculado neste site poderá ser livremente distribuído para fins não comerciais, segundo os termos da licença da Creative Commons.