Brincadeira é Coiosa Séria. Omo incentiva o livre brincar em escolas, como forma de aprendizado

Por: Patrícia Mariuzzo.

Conhecimento e Inovação - v.5 - n.1 - 2009

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Brincar é uma das atividades mais prazerosas e, para as crianças, também fonte de aprendizado. Aquisição de vocabulário, aumento das habilidades mentais e sociais, criatividade, tolerância e menos agressividade são ganhos que advêm do brincar infantil. As sociedades modernas, entretanto, demandam alfabetização e desenvolvimento de outras habilidades cognitivas cada vez mais cedo, apostando no aumento das chances de sucesso escolar e vocacional. O resultado é que em casa os pais lotam a agenda dos pequenos com atividades que vão da natação ao xadrez e, na escola, mesmo nos primeiros anos, as oportunidades para as crianças brincarem e participarem de atividades livres são cada vez menores. Para tentar reverter essa tendência, a marca de sabão em pó Omo, da multinacional Unilever, incluiu o estímulo ao brincar na infância como tema de suas campanhas publicitárias e em seus projetos de responsabilidade social.

A primeira ação no Brasil foi o projeto "Brincar Heliópolis", na capital paulista. No bairro que já foi considerado a maior favela do país, a empresa implantou parques em centros educacionais que atendem crianças de até seis anos, e ofereceu cursos para os educadores entenderem a importância do brincar. O projeto envolveu mais de 930 alunos e 180 educadores de Heliópolis. "Nossa estratégia é atuar paralelamente às campanhas de comunicação para mudar a realidade dos locais onde vendemos nossos produtos", conta Regina Camargo, gerente da marca Omo. "Para isso, fomos buscar informações junto a especialistas que garantissem expertise à marca, sobre o assunto infância e a área do brincar", complementa. Regina conta que, desde 2000, a Omo busca criar uma estrutura teórica e experimental em torno das relações familiares, no que diz respeito à prática da brincadeira e ao desenvolvimento integrado das crianças por meio desse instrumento de aprendizado.

O desafio de proteger a infância

O estudo "A infância na visão global das mães" foi assinado pelos pesquisadores Jerome Singer e Dorothy Singer, da Universidade de Yale, Estados Unidos. Responderam aos questionários mães do Reino Unido, França, Estados Unidos, Tailândia, Turquia, Brasil, Argentina, África do Sul, China e Índia. A pesquisa mostrou que 79% delas acreditam que o conceito de brincar se perdeu em seus países e que é um desafio proteger a infância. No Brasil, 86% das mães têm receio de que as crianças sejam privadas de sua infância e 73% se preocupam com o fato de que seus filhos passem pouco tempo brincando fora de casa. Ao mesmo tempo, as mães brasileiras admitem que mantêm as crianças dentro de casa por motivos de segurança. Com isso a televisão e os videojogos passam a ocupar um espaço maior do que o recomendado. 75% das mães em nível global gostariam que seus filhos tivessem mais oportunidade de interagir com outras crianças. Ao mesmo tempo, um dos benefícios da aprendizagem experiencial apontado por elas (40%) é o desenvolvimento de habilidades sociais.

Aqui se brinca

Para compor essa estrutura teórica a Omo encomendou duas pesquisas: "A infância na visão global das mães", estudo realizado em dez países para avaliar a percepção das mães sobre o brincar das crianças (veja box) e "A descoberta do brincar". Uma das principais conclusões da primeira pesquisa é que as mães estão preocupadas com o fato de seus filhos estarem sendo pressionados a crescer muito rapidamente. Para essas mães, de diferentes culturas, cada vez mais a criança é privada da oportunidade de brincar ou de participar de atividades não-estruturadas, de se divertir, de ser curiosa e explorar. A segunda pesquisa apontou que a escola é o lugar onde mais se brinca socialmente. A partir desses dados e com a ideia de reconhecer as escolas que valorizam o brincar, foi criado, em 2008, o selo "Aqui se brinca".

Um dos aspectos mais importantes da iniciativa é o tipo de brincadeira que ela quer incentivar: o brincar não-estruturado, no qual a criança não precisa de brinquedos industrializados e a experiência conta mais do que o brinquedo em si. "Para a criança brincar, o mais importante é dar espaço, alguns materiais e, sobretudo, liberdade para experimentar o mundo e a natureza em torno dela", explica Regina.

O selo "Aqui se brinca" foi implantado experimentalmente no estado de São Paulo e premiou 57 escolas. Entre as instituições vencedoras 68% são públicas e 32% particulares. Foram escolhidas escolas que têm o brincar como tema de formação continuada de seus educadores e consideram que o direito à brincadeira é um ato de conquista da cidadania. As cinco melhores escolas ganharam parques educativos desenvolvidos especialmente para o projeto, um tipo de instalação que permite que a composição dos brinquedos seja alterada, reorganizada.

Outras 25 escolas foram premiadas com a ferramenta "Baú de possibilidades" que traz retalhos de tecido, lã, corda, potes, materiais de costura etc, e livros sobre brincadeiras. A ideia é estimular as escolas a trazer outros materiais para brincar a partir da sua realidade e das demandas das próprias crianças. Na opinião de Renata Meirelles, coordenadora do projeto Brincar, do Instituto Sidarta, não é preciso incluir conteúdo pedagógico e escolarizante para que o brincar se aproprie de aprendizado. "O brincar é, por si, um espaço de aprendizado", afirma. E complementa: "Isso é difícil para o adulto aceitar. Pais e professores sempre querem inserir conteúdo, ensinar alguma coisa por meio de uma atividade que é espontânea para as crianças. Acreditar que o brincar funcione como uma forma de aprendizado escolarizante é reduzir o potencial desta atividade. Corremos o risco de reduzir na criança, a qualidade de expressão de si mesma", alerta.

Em 2009 o selo "Aqui se brinca" continua em São Paulo. As inscrições para as escolas que quiserem participar serão abertas em março. A marca Omo e o Instituto Sidarta pretendem replicar a experiência em outros estados.

Investir em educação é um diferencial para o país
Partindo dessa premissa, um grupo de empresários começou a organizar, em 1992, o projeto de uma instituição educacional. Seu objetivo era contribuir para formar uma nova geração de indivíduos pronta para assumir a responsabilidade de construir uma sociedade mais justa e harmoniosa. O primeiro resultado da iniciativa desse grupo foi a fundação do Instituto Sidarta para o Desenvolvimento da Educação, uma organização sem fins lucrativos e declarada de Utilidade Pública Federal. O Instituto tem duas frentes de atuação: um núcleo de projetos e o Colégio Sidarta

Endereço: http://www.conhecimentoeinovacao.com.br/materia.php?id=216

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