Brincadeiras Africanas Para a Educação Cultural

Por: Débora Alfaia da Cunha.

118 páginas. Edição do Autor.

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Sobre a Obra

Prefácio
Ao longo dos anos recentes, a educação e suas práticas escolares acabaram procedendo a uma espécie de afastamento do brincar, ou uma deturpação da prática da brincadeira. De um lado, os adeptos de uma perspectiva que minimiza a importância da brincadeira, analisando-a como prática meramente recreativa e sem fins pedagógicos, portanto, pouco importante para o desenvolvimento das crianças em processo de formação escolar. De outro lado, os adeptos de uma espécie de expontaneísmo pedagógico, e a brincadeira se converte em prática para matar o tempo educativo, ela mesma, sem finalidade educativa. E em meio a estas duas perspectivas hegemônicas, observa-se um movimento em torno da valorização da brincadeira e do brincar como inerentes aos processos formativos dos sujeitos humanos.

É exatamente desse movimento que dialoga com a necessidade de pensar a prática escolar como prática contextualizada, preenchida de sentidos e significados que se originam na vida de alunos e professores em suas relações com o mundo que os faz sujeitos, que este livro vai tratar. A brincadeira como elemento motivador para a releitura da cultura e das origens inter-étnicas do Brasil, a partir do encontro com as brincadeiras de origem africana. Nesse sentido, as discussões teóricas sobre a dimensão lúdica na educação, a necessidade de superação de estigmas e preconceitos étnico-raciais presentes na escola pela ausência de valorização da cultura negra, e as brincadeiras experimentadas e apresentadas são uma contribuição da Universidade Federal do Pará, por meio da Faculdade de Pedagogia do Campus de Castanhal aos processos de revisão e melhoria da Educação Básica.

Os processos e brincadeiras aqui descritos são resultantes de ações de pesquisa, ensino e xtensão, e contêm os resultados de programas e projetos nesta área temática, em específico, os resultados do projeto Ludicidade Africana e Afro-brasileira (LAAB), criado em 2011, com o objetivo de promover capacitação pedagógica para a educação das relações étnico- raciais, com foco no desenvolvimento de metodologias lúdicas. Tal projeto é realizado com financiamento interno à UFPA, por meio do Programa de Apoio às Iniciativas Metodológicas – PAPIM, da Diretoria de Projetos Educacionais/PROEG/UFPA, e do Programa PIBEX, vinculado a Diretoria de Programas e Projetos de Extensão/DPP/PROEX/UFPA.

Os processos e resultados apresentados aqui se remetem ao objetivo de demonstrar a importância da integração entre esses campos, tidos como indissociáveis da prática acadêmica (ensino, pesquisa e extensão), mas tão pouco experimentados de modo a gerar consequências para a revisão de nosso fazer acadêmico. Aqui se demonstra por meio muito explícito as possibilidade de pensar e fazer educação com base neste tripé. O processo metodológico de construção do livro estimula à busca de integração entre os procedimentos de pesquisa adotados para a execução do projeto, que envolveu a realização de levantamentos e estudos bibliográficos e documentais para a identificação e seleção dos jogos e brincadeiras de origem africana e afro-brasileira, aos procedimentos de extensão, com a realização de oficinas nas escolas envolvidas no projeto, que envolveram alunos e professores de Educação Básica no encontro com os saberes produzidos por eles próprios e pelos alunos e professores vinculados ao projeto.

Todos esses processos fortalecem uma compreensão de ensino a partir da vida de educandos e educadores, tanto na universidade, por meio dos alunos bolsistas do projeto e de suas produções para a consolidação dessas discussões no curso de Pedagogia de onde se originam, quanto nas escolas de Educação Básica, vistas não como coadjuvantes da proposição pedagógica desenvolvida, mas como protagonistas do que seria uma prática educativa para além dos formalismos burocráticos que esvaziam de sentido essa mesma prática.

O que se vê ao longo do livro é uma tentativa muito séria de aproximar educação de seus componentes lúdicos a partir da valorização de diálogos interculturais. A própria educação vista como comunicação intercultural, que pode ser desenvolvida a partir de jogos e brincadeiras que aproximem os educandos e educadores de novas possibilidades de tratamento de temas e questões centrais como as relações étnico-raciais na escola, ainda vista como uma questão periférica na educação formal escolar, apesar das indicações legais.

Este livro, é, portanto, um convite feito por sua autora Débora Alfaia da Cunha, ao aprofundamento de inovações metodológicas com base na cultura do diálogo para a construção de relações de tolerância dentro e fora de nossas escolas e universidades, e tudo isso, tendo por base a alegria que o brincar nos proporciona, sejamos crianças ou adultos.

Profa. Dra. Marilena Loureiro da Silva
Belém, 14/05/2016

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