Brincar com a Alfabetização: Um Meio,um Caminho Para Aprender.

Por: Eliceia Schemly.

VI EnFEFE - Encontro Fluminense de Educação Física Escolar

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Nosso projeto destinou-se à turma do 1º ciclo do Ensino Fundamental. O trabalho com esta turma aconteceu de maneira diferenciada, onde as atividades trabalhadas nas aulas de educação física e em sala de aula pela professora foram realizadas de maneira integrada, tornando o aprendizado mais prazeroso.

Desta forma foi proporcionando ao aluno a participação em diferentes atividades corporais, despertando-o para uma atitude cooperativa e solidária, sem que haja discriminação entre os colegas pelo seu desempenho, utilizando-se de jogos simples e brincadeiras, onde buscou-se autonomia para concretizar seu pensar, compreender e o expressar-se livremente nas atividades, contribuindo em larga escala na alfabetização. Subentende-se que esta alfabetização acontece em todos os sentidos do processo ensino aprendizagem do indivíduo.

Para as crianças, ao ingressarem na escola, o conhecimento é um conceito abstrato, então este deve ser construído pelo próprio indivíduo, através do crescimento, construção e acomodação de seus esquemas de raciocínio, resultantes de experiências de sua mente, quando em tentativa de resolver desafios.

Em nenhuma outra fase da vida de criança a educação é de tão grande importância quanto a dos primeiros anos de escolaridade. É neste período que ela forma hábitos, atitudes, valores e esquemas de raciocínio que vão traçar as linhas de sua personalidade. Suas formas de defesa, de adaptação, ajustamento, linguagem e reação frente a dificuldades se estabelecem e fixam padrões de comportamento próprios a cada indivíduo.

O desabrochar da inteligência se faz envolvido em profundas emoções, fruto da convivência do aluno com seu professor. É necessário aproximar o professor do aluno para que laços afetivos se criem e possa acontecer o indispensável feedback. Participar ativamente das brincadeiras é uma maneira de sensibilizar o professor e torná-lo mais seguro na avaliação das competências desenvolvidas por seus alunos.

Tudo isso é resultante de relações afetivas e sociais da criança com o adulto, da experimentação dos objetos do mundo físico e social e da construção de sua reação, resultante de uma construção de valores, que se organizam numa rede de relações de esquemas de pensamentos ou raciocínio, pois, o homem não se desenvolve no vazio, nem físico, nem social e, menos ainda, alheio a emoções.

Ressalta-se, assim a importância do tipo de experiências oferecidas durante a vida escolar da criança, em relação ao seu futuro.

Para conseguir este desenvolvimento com o aluno certamente, os jogos, as atividades lúdicas e as brincadeiras parecem ter cada vez mais o seu lugar, entre as atividades da primeira fase do ensino fundamental, pois são essas que aliam o lazer a desafios em atividades que operam todas as zonas cerebrais.

A atividade lúdica que alia desafios ao prazer deve predominar na maioria das atividades oferecidas a infância, pois ampliam a base de experiências psicomotoras, formam hábitos facilitadores da independência, exercitam a atenção e a autodisciplina, de forma ativa e inteligente, formando também valores morais e sociais, fruto das experiências interpessoais e pessoais, pois aliam satisfação e lazer.

Nas atividades trabalhadas o material oferecido deve ser de uso coletivo, levando em consideração que esta situação propicia além da partilha de materiais, a construção de regras para sua utilização.

O trabalho com brincadeiras gera necessidade de ordem afetiva, e esta leva a criança para uma determinada direção a fim de obter prazer. A brincadeira motiva e por isto é um instrumento muito poderoso na estimulação da construção dos esquemas de raciocínio, o desafio proporciona a criança a busca de soluções ou de formas de adaptação a situações problema. A atividade lúdica por tanto é um eficiente recurso do professor.

Neste trabalho o acompanhamento foi constante em todas as etapas, a cada aula e o seu registro aconteceu com a função de expressar o pensamento, só podendo ser realizado após a criança ter imaginado a solução para algum problema. A escrita entra para auxilia-la a guardar informações já pensadas. Sendo que, o bom escritor é aquele que vivência e esquematiza suas ações para em seguida, registra-las.

O professor precisa buscar entender o raciocínio elaborado pelo aluno, dessa forma o aprendizado do mesmo será mais promissor. Quando o professor souber perceber a lógica do aluno, saberá também ajuda-lo na hora certa.

Dessa forma, verifica-se que tudo o que for trabalhado com a criança deverá ser realizado de maneira clara e prática, onde o aluno conseguirá assimilar os conhecimentos repassados a ele com objetividade. Ressalta-se que isso acontecerá quando ocorrer no ensino fundamental uma integração com todas as áreas.

Ao se trabalhar com movimentos integrados, a criança desenvolve seu processo de aprendizagem com mais segurança. Ela consegue progredir observando este processo de maneira a aceitar com criticidade o que a escola lhe ensina ou impõe. Mas para que isso ocorra torna-se necessário que o professor trabalhe com a afetividade de seus alunos, pois um ambiente harmonioso trará efeitos positivos em todos os aspectos do processo ensino - aprendizagem.

Segundo o Currículo Básico da Secretaria Municipal de Curitiba, a escola é a instância que procede à mediação entre o cotidiano do aluno e a prática social global, é no interior dela que a educação escolar irá se efetivar.

À escola cabe, como instituição responsável pela educação formal, cumprir a função social de possibilitar ao aluno o exercício das relações humanas que não estão ao alcance, pois é no exercício dessas relações que a aprendizagem se realiza.
Para tanto, há que se definir como se processa a aprendizagem pelo aluno no decorrer do processo pedagógico, há que se estabelecer um princípio básico de como esse aluno aprende.

Em um ambiente de integração coletiva, onde a criança não é um mero recipiente, no qual o professor deposita um grande número de informações que são recebidas passivamente, mas sim onde se colocam desafios, elas serão estimuladas a desenvolverem-se cognitivamente. A qualidade das trocas entre professor e aluno no plano verbal influenciara o seu pensamento e o processo de novas informações.

Confirmando nosso pensar em relação as atitudes tomadas pela grande maioria dos professores que consideram seu aluno como ser passivo, sem vontades, e que não tem direito a uma escolha, a não ser a de ouvir e executar todas as tarefas que o professor manda, afirma REALE citado por SANTOS ( 1998, p.17 - 18 )

"o ato de educar não é um ato de mando, iludem-se os professores que se colocam num pedestal, e jogam lá embaixo o aluno, os que pensam que educar é ditar, os que julgam que dar aulas é fazer ditados. É a triste ilusão de que o conhecimento é um monopólio do professor, sendo o aluno uma página em branco".

Deve-se então rever esta postura para que os nossos alunos realmente tornem-se críticos e participativos em nossa sociedade como é o real papel da escola.

Ficamos cada vez mais convencidos de que nos espaços onde existe liberdade de movimentos as pessoas se envolvem, desenvolvem e constroem seu conhecimento sobre o mundo em que vivem. Sendo assim o desenvolvimento humano acontece através das oportunidades que lhe são oferecidas para explorar o ambiente.

Portanto acredita-se que as atividades lúdicas podem contribuir para a construção do conhecimento da criança, pois o jogo é uma fonte de prazer e de descoberta para ela, e pode contribuir com as atividades didático - pedagógicas durante o desenvolvimento de qualquer aula, mas esta contribuição vai depender da concepção que se tem de jogo, de criança, de aprendizagem e desenvolvimento.
Nosso trabalho aconteceu com turma do 1º ciclo do ensino fundamental, sendo desenvolvido desde o inicio do ano letivo, onde as atividades apresentam uma ligação direta entre os conteúdos trabalhados em sala de aula e nas aulas de educação física.

Procuramos mostrar que através das mais diferentes formas de brincar e brincadeiras a aprendizagem torna-se mais fácil e divertida, onde o aluno vivência de forma prática muitos dos conteúdos trabalhados em sala.

As atividades foram realizadas 3 vezes por semana durante as aulas de educação física e posteriormente pela professora regente da turma em uma retomada quanto a realização da atividade.

Os conteúdos a serem trabalhados foram desenvolvidos através de textos do livro Lições Curitibanas, as rimas, quadrinhas e cantigas de roda trabalhadas tanto em sala como fora. Houve ao final de cada atividade uma troca de experiências por parte das professoras, acontecendo uma avaliação do rendimento da atividade e dos alunos.

A criança que não brinca, não se aventura em algo novo, desconhecido. Se ao contrário é capaz de brincar, fantasiar, de sonhar, está revelando ter aceito o desafio, a possibilidade de errar, de tentar e arriscar para progredir e evoluir. Cabe aos alfabetizadores em suas atividades diárias proporcionar ao aluno estas situações para que o seu desenvolvimento seja completo, valorizar as brincadeiras, as fantasias que a criança tem, são pontos que os professores precisam levar em conta, pois a criança aprende melhor quando brinca com a aprendizagem, isto é, quando a brincadeira se torna coisa séria.

Obs. As autoras, professoras Eliceia Schemly e Sílvia Aparecida Kuchta de Almeida são da Prefeitura Municipal de Curitiba.

Referências bibliográficas

  • Cagliari,L.C. Alfabetização & Lingüistica. São Paulo: Scipione, 1995
  • José,E.A & Coelho,M.T. Problemas de aprendizagem. São Paulo: Ática, 1996
  • Le Boulch,J. Educação Psicomotora. Porto Alegre: Artes Médicas, 1987
  • Piaget,J. A formação do símbolo na criança. Rio de Janeiro: Zahaar, 1978.
  • Petry,R. Educação Física e alfabetização. Porto Alegre: Kuarup, 1993.
  • Santos, C.A. Jogos e atividades lúdicas na alfabetização. Rio de Janeiro: Sprint, 1998.
  • Secretaria municipal de educação Currículo Básico da Rede Municipal de Curitiba. Curitiba, 1994.
  • Smolka,A.L.B. A criança na fase inicial da escrita: a alfabetização como processo discursivo. São Paulo: Cortez, 1993.
  • Velasco,C.G. Brincar o despertar psicomotor. Rio de Janeiro: Sprint, 1993.
  • Vygotski,L.; Luria,A.; Leontiev,A. A linguagem desenvolvimento e aprendizagem. São Paulo: Icone, 1988.
  • Pensamento e linguagem. São Paulo: Martins Fontes, 1998.

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