Brincar Social Espontâneo

Por: Conceição Lopes.

XV Conferência Mundial do IPA

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Resumo

Introdução: A ludicidade na sua manifestação Brincar Social Espontâneo surge como uma teia formada por inúmeros fios, fruto do tempo e do lugar, tecidos na realidade da existência humana que os cruza e descruza segundo a sua razão, a sua imaginação, a cultura e os padrões sociais que a valorizam e/ou desvalorizam. Conceito chave: Brincar social espontâneo é o processo privilegiado da comunicação e da ludicidade na infância.   Diversos são os pontos de vista identificados nos diferentes corpos teóricos, mas sendo o objectivo desta comunicação apresentar o conceito de BSE, refere-se que a sua construção teórica é influenciada pelas teorias correntes da ludicidade, nomeadamente as que se desenvolveram ao longo deste século e cujos traços de distinção se situam na importância dada à inter-relação e à interacção entre os indivíduos e o meio, bem como aos seus comportamentos. De entre as diversas teorias que influenciaram esta construção teórica destacamse a teoria da Metacomunicação de Bateson (1955,1977,1980) e o Modelo Orquestral da Comunicação de Watzlawick et al. (1967). Métodos e estratégias: Um conjunto de proposições contribuem para a identificação do BSE de outras manifestações da ludicidade. O BSE é a forma singular da manifestação da comunicação e da ludicidade da infância. O BSE é um fenómeno que abrange não só a condição de ser Homo ludens como de Homo comunicans, integrando múltiplas manifestações e efeitos sobre os indivíduos. Pela importância atribuída à inter-relação e à interacção entre os indivíduos e o meio, ou seja aos seus comportamentos, o BSE integra-se nas teorias correntes da ludicidade. Privilegia as regras espontâneas que potenciam a relação e a moral cooperante, assim como a partilha e o uso da liberdade activa. O BSE induz mudanças internas no desenvolvimento da criança, contribuíndo para o processo de afirmação da sua autonomia, em relação às restrições situacionais quotidianas. Na promoção do BSE, a intervenção do educador está no saber criar condições para o fazer emergir e manter enquanto processo de aprendizagem e de mudança. A capacidade de criar cenários adequados ao BSE e saber avaliar os contextos situacionais, deve fazer parte dos instrumentos metodológicos ao alcance do educador de infância. Resultados: na medida em que a tomada de consciência da importância da manifestação lúdica Brincar Social Espontâneo se revela imprescindível para que a alteração das orientações mais comuns acerca do brincar tenham lugar, torna-se necessário clarificar esta manifestação da ludicidade e integrá-la não só na dimensão de análise da condição de ser do humano, como, também, distingui-la das diversas manifestações, nomeadamente, jogar, recrear e lazer, e identificar os seus efeitos na aprendizagem social da cidadania activa.

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