Campeonato Brasileiro de Futebol e a Esportificação do Futebol Profissional

Por: Sandro Luis Montanheiro Francischini.

144 páginas. 2005 17/03/2005

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Resumo

Esta dissertação intitulada Campeonato Brasileiro de Futebol e a esportificação do futebol profissional (1971-1979) tem como propósito abordar o Campeonato Brasileiro de Futebol, cujo marco inaugural é 1971, e suas implicações sócio-históricas. Pelo modelo de organização dos campeonatos organizados pela CBD observamos que a notória paixão do brasileiro pelo futebol não pode ser vista como algo da essência da cultura brasileira, mas também como uma deliberada construção social que mobilizou vários agentes e, no período aqui delimitado (1971-1979), destaca-se o empenho do projeto militar de nação, mas sobretudo da elite política em instrumentalizar o futebol na obtenção de dividendos eleitorais. Mas é claro que esse dirigismo estava assentado em estruturas simbólicas mais amplas e o projeto de nação então em voga era maximizar o exemplo do futebol brasileiro, um esporte vitorioso. Lembrar que o futebol brasileiro conquistara definitivamente a taça Julies Rimet ao vencer pela terceira vez a Copa do Mundo em 1970, no México. Se existia uma unidade simbólica em torno do selecionado, reconhecida no plano internacional, internamente o futebol estava fracionado em competições estaduais e interestaduais, em consonância ao universo da política jogado no plano de seus localismos. Foi preciso promover essa unidade, que outros nos outorgavam de fora , para dentro do país e consolidar no plano futebolístico a idéia da nação forte. Sendo assim, o Campeonato Nacional veio como uma necessidade que transbordava os limites de um mero simbolismo esportivo, mobilizando as várias esferas da vida pública, primeiro governadores, deputados, depois prefeitos, vereadores, num escalonamento que se seguiu até o esgotamento do modelo de aliciamento dos clubes na busca da completa integração , num jogo assentado no personalismo de dirigentes e na lógica do favorecimento dinamizado pelo bipartidarismo então vigente. Este trabalho foi dividido em três capítulos: no primeiro fizemos um breve mapeamento das instituições que organizam e comandam o futebol brasileiro e mundial. Ainda neste capítulo enfocamos as primeiras competições até o surgimento do primeiro Campeonato Brasileiro destacando os fatos que precederam o mesmo como, por exemplo, a briga por uma vaga na primeira edição do Nacional. No segundo capítulo mostramos o avanço das ingerências políticas, sendo mais ativa nesse momento a participação de governadores de estados, deputados federais entre outras autoridades objetivando integrar seu estado na competição Nacional. Outro ponto deste capítulo foi a maneira como o presidente máxima do futebol brasileiro administra as pressões vindas de diversos setores. Primeiro exigiu-se que os interessados possuíssem estádios de grande capacidade e em seguida observamos que a força política valia mais em detrimento dos critérios técnicos. Devido ao carisma do presidente da CBD João Havelange que neste período estava em campanha para conseguir a presidência da FIFA relatamos um perfil da trajetória de Havelange até sua chegada a líder da entidade máxima do futebol mundial. No terceiro e último capítulo destacamos a completa integração com mudança de esferas que passam a disputar uma brecha no certame nacional. Tais disputas são feitas no âmbito regional com participação de prefeitos, vereadores e liderança locais. Enfatizamos ainda a queda deste modelo que provocou sérios problemas financeiros aos clubes sejam eles grandes, médios ou pequenos com o sucateamento da entidade culminando com o surgimento da Confederação Brasileira de Futebol.

Endereço: https://repositorio.ufscar.br/handle/ufscar/1434

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