Campo e Mandinga: Presentificação Estética, ética e Política na Capoeira Angola

Por: Dimas Antonio de Souza.

210 páginas. 2016 27/10/2016

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Resumo

Data: 27-10-2016

O presente estudo de caso tematiza a Capoeira Angola praticada na Associação Cultural Eu Sou Angoleiro Acesa. Nele, além da observação participante, realizamos entrevistas em História Oral de Vida com o fundador do grupo, Mestre João Bosco Alves da Silva, bem como entrevistamos com questionários semi-estruturados vinte e cinco de seus discípulos. Nosso objetivo foi o de enfatizar e compreender os aspectos relativos à política cultural de resistência dos afro-brasileiros concernentes a esta prática de lazer cultural. Ao verificarmos a história de vida do Mestre João, percebemos que o mesmo, ao se aprofundar na busca de suas raízes africanas a partir da prática da Capoeira Angola, foi gradativamente trazendo ao presente uma cosmovisão afro-brasileira. A fim de compreendermos o processo que o levou a essa presentificação, buscamos conhecer o rito de iniciação, bem como o próprio Ritual da Roda de Capoeira Angola. Daí, verificamos que, por ser a Capoeira uma linguagem corporal, ela engloba uma forma de ver, de perceber e de expressar o mundo, de modo que, quem a pratica por anos consecutivos, vai gradativamente incorporando e trazendo ao presente essa linguagem ancestral. Isso nos levou a perceber que o próprio Ritual da Roda de Capoeira Angola opera como um Rito de Presentificação. Como essa iniciação é uma vivência estética em uma forma de arte tradicional afro-brasileira, às luzes do conceito de arte afro-brasileira, analisamos a Capoeira Angola por seus aspectos funcionais, suas técnicas e seus fundamentos, o que nos permitiu tangenciar a sua configuração ética, possibilitando verificar o conjunto de valores que tal prática comunica aos seus cultores, reafirmando mais uma vez o caráter presentificador da mesma. Verificamos o mesmo quando avaliamos os aspectos políticos que envolvem a Capoeira Angola. Percebemos que não só a luta da Capoeira nos remete ao modelo de guerra praticado pelos negros em Palmares e em Angola, mas que a própria forma organizativa do grupo também nos remetia ao referido Quilombo. Ou seja, como uma política cultural afro-brasileira, a Capoeira Angola presentifica os antigos quilombos bantos e, consequentemente, uma forma ancestral de resistir.

Endereço: http://www.bibliotecadigital.ufmg.br/dspace/handle/1843/BUBD-AL3RUK

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