Capoeiragem no Piauí

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Mestre Baé liga (20/10/2014). Há muito não nos falávamos. Conta-me sobre o ultimo ano, o ter deixado a Federação e ir cuidar de sua vida, de sua família, e de seu Grupo. Perspectivas de se estabelecer na Europa. Além do Tocantins e Pará, continuando a expansão pelo interior do Maranhão... Fala de que está indo com regularidade ao Piauí, onde a Capoeira está a começar... Digo que não! A Capoeiragem no Piauí é tão antiga quanto a do Maranhão... Têm a mesma origem, desde meados dos 1800 se tem notícias; falei dos Basson, de Parnaíba:

Um aluno [do Colégio Pedro Segundo]1, reconhecido como capoeira, foi José Basson de Miranda Osório, nasceu em Parnaíba a 17 de novembro de 1836, faleceu a 17 de abril de 1903, na Estação de Matias Barbosa, Estado de Minas Gerais. Cursou humanidades no tradicional Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro, seguindo para São Paulo e ingressando na Faculdade de Direito. Filho do Coronel José Francisco de Miranda Ozório, um dos chefes emancipacionista do Piauí no movimento parnaibano de 19 de outubro de 1822, Comandante das forças legalistas na guerra dos Balaios e um dos raros monarquistas brasileiros a resistir ao golpe republicano de 1889. Ocupou dentre outros, os seguintes cargos: Inspetor, Tesoureiro da Alfândega, Promotor e Prefeito de Parnaíba, Deputado Provincial e Vice-Presidente da Província do Piauí por longos anos, Presidente da Província da Paraíba, Inspetor da Alfândega do Pará e do Ceará, Chefe de Polícia da Capital do Império. (PASSOS, 1982) 2

Para Costa (2007) 3, no Rio de Janeiro, no Recife e na Bahia, a capoeira seguia sua história, e seus praticantes faziam a sua própria. Originavam-se de várias partes das cidades, das áreas urbanas e rurais, das classes mais abastadas às mais humildes, de pessoas de origem africana, afro-brasileira, europeia e brasileira, inserindo-se em vários setores e exercendo várias atividades de trabalho, profissões e ofícios. Alguns exemplos que fundamentam essa constatação: Manduca da Praia, empresário do comércio do ramo da peixaria, Ciríaco, um lutador e marinheiro (CAPOEIRA, 1998, p. 48) 4; José Basson de Miranda Osório, chefe de polícia e conselheiro (REGO, 1968)5 [...](GRIFOS MEUS).

1 [...] Muitos dos mais influentes personagens da história do Brasil e da capoeira estudaram no Colégio Pedro II, existindo

informações sobre a prática da Capoeira entre eles. O ano de 1841 é considerado como o marco inicial da história da gymnastica

no Colégio Pedro Segundo. Exatamente no dia nove de setembro, Guilherme Luiz de Taube, ex-capitão do Exército Imperial,

entrou em exercício no cargo de mestre de gymnastica do Colégio. In CUNHA JR, C F F. Organização e cotidiano escolar da

“Gymnastica” - uma história no Imperial Collegio de Pedro Segundo. Perspectiva, Florianópolis, v. 22, n. Especial, p. 163-195,

jul./dez. 2004 on line, disponível em http://eu-bras.blogspot.com/search/label/1841-

Gymnasia%20militar%20en%20el%20Colegio%20Pedro%20II

2 PASSOS, Caio. Cada rua sua história. Parnaíba: [s.n.], 1982. citado por , SILVA, Rozenilda Maria de Castro COMPANHIA DE

APRENDIZES MARINHEIROS DO PIAUÍ E A SUA RELAÇÃO COM O COTIDIANO DA CIDADE DE PARNAÍBA.

on line, http://www.ufpi.br/mesteduc/eventos/ivencontro/GT10/companhia_aprendizes.pdf

3 COSTA, Neuber Leite CAPOEIRA, TRABALHO E EDUCAÇÃO. Dissertação (mestrado) – Universidade Federal da Bahia.

Faculdade de Educação, 2007.

4 NESTOR CAPOEIRA: PEQUENO MANUAL DO JOGADOR. 4. ed. Rio de Janeiro: Record. 1998.

5 REGO, Waldeloir. CAPOEIRA ANGOLA: UM ENSAIO SÓCIO-ETNOGRÁFICO. Salvador: Itapuã, 1968.

FONTE: PASSOS, Caio. Cada rua sua história. Parnaíba: [s.n.], 1982. Citado por , SILVA, Rozenilda Maria de Castro

COMPANHIA DE APRENDIZES MARINHEIROS DO PIAUÍ E A SUA RELAÇÃO COM O COTIDIANO DA CIDADE

DE PARNAÍBA.

Jornal ‘O Papiro”, de 1874, periódico literário, de Teresina-PI, edição de 9 de

julho, em “Reminiscências Infantis” escrevia Lívio Druso:

No jornal “A Época”, órgão conservador, disponível os números de 1878 a 1884,

se encontram dez referencias sobre ‘capoeira’, nem sempre relacionadas com

capoeiristas e capoeiragem. Na edição de 7 de maio de 1880, por exemplo, ao referiremse

alguns queixosos sobre a atuação do Juiz e das tropas regulares em Jaicó, identifica o

Juiz como um cínico, afirmando ‘Que capoeira? Como sabe ser estupidamente cínico.’

Voltemos ao Dr. Basson, e a esse mesmo jornal, edição de 22 de setembro de

1883; o articulista o identifica como ‘capoeira’, e utiliza outro termo para identificar os

praticantes da arte da capoeiragem: caceteiro:

Em diversas edições, posteriores, em se tratando de fatos e intrigas da política

local, dos interiores do Piauí, sempre que se queria denegrir alguém, se lhe referia como

“capoeira”:

Campo Maior Amarante

Barras Barras

Barras

Passemos aos registros do Jornal “O Apóstolo”, disponíveis os anos de 1907 a

1912, com seis ocorrências. As do ano de 1909 – a partir de outubro – se referem à

capoeira como mato, necessitando de a cidade ser remodelada, eliminando-se “essas

capoeiras”, em críticas à proposta do novo Governador de ajardinar a cidade. Outros, a

terrenos pertencentes a alguém, e que estaria sendo invadido. Mas há referencia também

à prática da “capoeira” a que nos referimos, enquanto arte-luta, como esse comentário:

Baé, podemos ir um pouco mais longe; sabemos que no período colonial desde o

Ceará até Rondônia e o Caribe, desde o Atlântico até os contrafortes dos Andes, havia

nesse território o grande estado do Maranhão, criando em 1617 e implantado a partir de

1621; o Piauí ficou subordinado ao Maranhão até 1816. Portanto, nossas histórias são as

mesmas, subdividindo-se na medida em que o território foi sendo desmembrado;

primeiro, o Ceará que voltou a Pernambuco; o Piauí foi a última Província a ser

desmembrada...

Em meu livro “Crônica da Capoeiragem” (2014) 6 trago um capítulo - RES PRO

PERSONA7,8 onde procuro esclarecer a origem do termo “capoeira”. O que é

‘capoeira’? 9 Verniculização do tupi-guarani caá-puêra: caá = mato, puêra = que já

foi10; no Dialeto Caipira de Amadeu de Amaral: Capuêra, s.f. – mato que nasceu em

lugar de outro derrubado ou queimado. Data de 1577 primeiro registro do vocábulo

“capoeira” na língua portuguesa: Padre Fernão Cardim (SJ), na obra “Do clima e da

terra do Brasil”. Conotação: vegetação secundária, roça abandonada (Vieira, 2005) 11.

Capoeira – espécie de cesto feito de varas, onde se guardam capões, galinhas e

outras aves (Rego, 1968):

[...] os escravos que traziam capoeiras de galinhas para vender no

mercado, enquanto ele não se abria, divertiam-se jogando capoeira.

6 VAZ, Leopoldo Gil Dulcio. CRÔNICA DA CAPOEIRAGEM. São Luís: Edição do Autor, 2014

7 Por metonímia res pro persona, o nome da coisa passou para a pessoa com ela relacionado.

8 http://www.blogsoestado.com/leopoldovaz/2013/11/18/8331/

9VAZ, Leopoldo Gil Dulcio. Jornal do Capoeira http://www.capoeira.jex.com.br/, Edição 47: 30 de Outubro à 05 de Novembro de

2005

LACÉ LOPES, 2007, obra citada.

LACÉ LOPES, 2006, obra citada.

REIS, Letícia Vidor de Sousa. Capoeira, Corpo e História. In JORNAL DA CAPOEIRA, disponível em www.capoeira.jex.com.br,

capturado em 14 de abril de 2005, artigo com base na dissertação de mestrado "Negros e brancos no jogo de capoeira: a

reinvenção da tradição" (Reis, 1993).

VIEIRA, 2005, obra citada. p. 39-40.

LIMA, Mano. DICIONÁRIO DE CAPOEIRA. 3ª. Ed. Ver. E amp. Brasília: Conhecimento, 2007

ARAUJO; JAQUEIRA, 2008, obra citada.

10 MARINHO, Inezil Penna. A GINÁSTICA BRASILEIRA. 2 ed. Brasília, Ed. Do Autor, 1982

11 VIEIRA, 2005, obra citada p. 39-40.

(Antenor Nascimento, citado por REGO, 1968, citados por MANO LIMA –

Dicionário de Capoeira. Brasília: Conhecimento, 2007, p. 79).

DEBRET – 1816/1831

Por Capoeira deve-se entender

individuo(s) ou grupo de indivíduos que promovião acções criminosas que

atentavam contra a integridade física e patrimonial dos cidadãos, nos

espaços circunscritos dos centros urbanos ou área de entorno?

Conforme a conceitua Araújo (1997) 12 ao se perguntar “mas quem são os

capoeiras? e por capoeiragem como:

a acção isolada de indivíduos, ou grupos de indivíduos turbulentos e

desordeiros, que praticam ou exercem, publicamente ou não, exercícios de

agilidade e destreza corporal, com fins maléficos ou mesmo por

divertimento oportunamente realizado”? (p. 69); e capoeirista, como sendo:

“os indivíduos que praticam ou exercem, publicamente ou não, exercícios

de agilidade e destreza corporal conhecidas como Capoeira, nas vertentes

lúdica, de defesa pessoal e desportiva? (p. 70).

Para esse autor, capoeiras era a denominação dada aos negros que viviam no mato

e atacavam passageiros (p. 79), em nota registrando a Decisão (205) de 27 de julho de

12 ARAÚJO, 1997 , obra citada..

1831, documentada na Coleção de Leis do Brasil no ano de 1876, p. 152-153; “manda

que a Junta Policial proponha medidas para a captura e punição dos capoeiras e

malfeitores).

Quando surgiu? No entender de muitos capoeiristas, quando o primeiro escravo

angolano pisou a Terra de Santa Cruz (hoje, Brasil), já o teria feito no passo da ginga e

no ritmo de São Bento Grande:

numa noite escura qualquer, o primeiro negro escapou da senzala, fugiu do

engenho, livrou-se da servidão, ganhou a liberdade... escapou o segundo e

o terceiro, na tentativa de segui-lo, fracassou. Recapturado, recebeu o

castigo dos negros (...) as perseguições não tardaram e o sertão se encheu

de capitães-do-mato em busca dos escravos foragidos. Sem armas e sem

munições, os negros voltaram a ser guerreiros utilizando aquele esporte

nascido nas noites sujas das senzalas, e o esporte que era disfarçado em

dança se transformou em luta, a luta dos homens da capoeira. ’A capoeira

assim foi criada’. (Jornal da Capoeira, n. 1, 1996). (Vieira e Assunção,

1998, p. 83) 13.

Durante as invasões holandesas - SÉCULO XVII, 1640 - surgem as expressões:

‘negros das capoeiras’, ‘negros capoeiras’, e ‘capoeiras’. (MARINHO, 1982; VIEIRA,

2004, 2005) 14.

Com o advento das invasões holandesas, na Bahia e em Pernambuco,

principalmente a partir de 1640, houve uma desorganização generalizada no litoral

brasileiro, permitindo que muitos escravos fugissem para o interior do país,

estabelecendo-se em centenas de quilombos, tendo como consequência o contato ora

amistoso, ora hostil, entre africanos e indígenas. Cabe ressaltar, que nunca houve

nenhum registro da Capoeira em qualquer quilombo. (Vieira, 2005) 15.

Tende-se a acreditar que o vocábulo, de origem indígena Tupi, tenha servido para

designar negros quilombolas como “negros das capoeiras”, posteriormente, como

negros capoeiras” e finalmente apenas como “capoeiras”. Sendo assim, aquilo que

antes etimologicamente designava “mato” passou a designar “pessoas” e as atividades

destas pessoas, “capoeiragem”. (VIEIRA, 2005) 16.

Segundo Coelho (1997, p. 5) 17 o termo capoeira é registrado pela primeira vez

com a significação de origem linguística portuguesa (1712), não se visualizando

qualquer relação com o léxico tupi-guarani. Em 1757 é encontrada primeira associação

da palavra capoeira enquanto gaiola grande, significando prisão para guardar

malfeitores. (OLIVEIRA, 1971, citado por ARAÚJO, 1997, p. 5)18.

13 VIEIRA, Luiz Renato; ASSUNÇÃO, Mathias Röhring. Mitos, controvérsias e fatos: construindo a história da capoeira. In

ESTUDOS AFRO-ASIÁTICOS, 34, dezembro de 1998, p. 82-118

14 MARINHO, 1982, obra citada

VIEIRA, Sérgio Luis de Sousa. CAPOEIRA – ORIGEM E HISTÓRIA. Da Capoeira: Como Patrimônio Cultural. PUC/SP – Tese

de Doutorado – 2004. disponível em http://www.capoeira-fica.org/.

VIEIRA, 2005, obra citad p. 39-40.

15 VIEIRA, 2005, obra citada p. 39-40.

16 VIEIRA, 2005, obra citada p. 39-40.

17 ARAÚJO, 1997, obra citada.

18 ARAÚJO, 1997, obra citada

Encontrei em Marcos Carneiro de Mendonça19, em seu festejado “A Amazônia na

era Pombalina”, carta de Mendonça Furtado20 a seu irmão, o Marques de Pombal –

datada de 13 de junho de 1757 -, dando conta da desordem acontecida no Arraial do Rio

Negro, com as tropas mandadas àquelas paragens, quando da demarcação das fronteiras

entre as coroas portuguesa e espanhola.

Afirma que os dois regimentos que foi servido mandar para guarnição eram

compostos daquela vilíssima canalha que se costuma mandar para a Índia e para as

outras conquistas, por castigo. A maior parte das gentes que para cá era mandada eram

ladrões de profissão, assassinos e outros malfeitores semelhantes, que principiavam

logo por a terra em perturbação grande:

“[...] que estava uma capoeira cheia desta gente para mandarem para cá

[...] sem embargo de tudo, se introduziram na Trafalha, soltando-se só do

regimento de Setúbal, nos. 72 ou 73 soldados, conforme nos diz o Tenente-

Coronel Luis José Soares Serrão, suprindo-se aquelas peças com estes

malfeitores [...] rogo a V. Exa. queira representar a Sua Majestade que, se

for servido mandar algumas reclutas (sic), sejam daqueles mesmos homens

que Sua majestade, ordenou já que viesse nestes regimentos, e que as tais

capoeiras de malfeitores se distribuam por outras partes e não por este

Estado que se está criando [Capitania do Rio Negro] [...]” (p. 300). (grifos

do texto).

Para Vieira (2004)21:

[...] data a Capoeiragem, de 1770, quando para cá andou o Vice-Rei

Marques do Lavradio. Dizem eles também que o primeiro capoeira foi um

tenente chamado João Moreira, homem rixento, motivo porque o povo lhe

apelidou de ‘amotinado’.

Nossas origens – Maranhão e Piauí – são as mesmas; nossas histórias - até pelo

menos 1816 é a mesma – se confundem. Mesmo após a separação, somos estados

siameses. Os episódios da Balaiada transcorreram tanto no Maranhão – seu início –

quanto no Piauí. Parnaíba teve um papel importante no combate aos insurretos. E os

balaios praticavam a capoeiragem...

Fico por aqui; devemos buscar mais informações...

19 MENDONÇA, Marcos Carneiro de. A AMAZONIA NA ERA POMBALINA. Tomo III. Brasilia: Senado Federal, 2005,

volume 49-C.

20 Francisco Xavier de Mendonça Furtado (1700 — 1769) foi um administrador colonial português. Irmão do Marquês de Pombal

e de Paulo António de Carvalho e Mendonça. Foi governador geral do Estado do Grão-Pará e Maranhão de 1751 a 1759 e

secretário de Estado da Marinha e do Ultramar entre 1760 e 1769.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Francisco_Xavier_de_Mendon%C3%A7a_Furtado

21 VIEIRA, 2004, obra citada. Disponível em http://www.capoeira-fica.org/ .

ATLAS DA CAPOEIRAGEM NO PIAUÍ

MESTRE BAÉ

LEOPOLDO GIL DULCIO VAZ

1757 encontrada primeira associação da palavra capoeira enquanto gaiola grande,

significando prisão para guardar malfeitores. (OLIVEIRA, 1971, citado por

ARAÚJO, 1997, p. 5) 22. Carta de Mendonça Furtado a seu irmão, o Marques de

Pombal – datada de 13 de junho de 175723. Francisco Xavier de Mendonça Furtado (1700

— 1769) foi um administrador colonial português. Irmão do Marquês de Pombal e de Paulo

António de Carvalho e Mendonça. Foi governador geral do Estado do Grão-Pará e Maranhão de

1751 a 1759 e secretário de Estado da Marinha e do Ultramar entre 1760 e 1769. Nesse período,

o Piauí fazia parte do Estado Colonia do Maranhão e Grão-Pará.

1836 nascimento de José Basson de Miranda Osório, em Parnaíba a 17 de

novembro de 1836, faleceu a 17 de abril de 1903, na Estação de Matias Barbosa,

Estado de Minas Gerais. Cursou humanidades no tradicional Colégio Pedro II, no

Rio de Janeiro, seguindo para São Paulo e ingressando na Faculdade de Direito.

Filho do Coronel José Francisco de Miranda Ozório, um dos chefes

emancipacionista do Piauí no movimento parnaibano de 19 de outubro de 1822,

Comandante das forças legalistas na guerra dos Balaios e um dos raros

monarquistas brasileiros a resistir ao golpe republicano de 1889. Ocupou dentre

outros, os seguintes cargos: Inspetor, Tesoureiro da Alfândega, Promotor e

Prefeito de Parnaíba, Deputado Provincial e Vice-Presidente da Província do Piauí

por longos anos, Presidente da Província da Paraíba, Inspetor da Alfândega do

Pará e do Ceará, Chefe de Polícia da Capital do Império. Perito na arte da

capoeira24.

1874 Jornal ‘O Papiro”, periódico literário, de Teresina-PI, edição de 9 de julho, em

“Reminiscências Infantis” escrevia Lívio Druso25:

1878/1884 no jornal “A Época”, órgão conservador, se encontram referencias sobre

‘capoeira’, nem sempre relacionadas com capoeiristas e capoeiragem, tratando de

22 ARAÚJO, 1997, obra citada

23 VAZ, Leopoldo Gil Dulcio. CRÔNICA DA CAPOEIRAGEM. São Luís, 2014

24 VAZ, Leopoldo Gil Dulcio. CRÔNICA DA CAPOEIRAGEM. São Luís, 2014

25 VAZ, Leopoldo Gil Dulcio. CAPOEIRAGEM NO PIAUÍ. Correspondência eletrônica pessoal a Mestre Baé, 21/10/2014

fatos e intrigas da política local, dos interiores do Piauí, sempre que se queria

denegrir alguém, se lhe referia como “capoeira”. 26

1880 Jornal A Época, 7 de maio de 1880, referia sobre alguns queixosos sobre a atuação

do Juiz e das tropas regulares em Jaicó, identifica o Juiz como um cínico,

afirmando ‘Que capoeira? Como sabe ser estupidamente cínico.’ 27

1883 Jornal A Época, edição de 22 de setembro de 1883; o articulista identifica o Dr.

Basson como ‘capoeira’, [José Basson de Miranda Osório foi Inspetor, Tesoureiro da

Alfândega, Promotor e Prefeito de Parnaíba, Deputado Provincial e Vice-Presidente da Província

do Piauí por longos anos, Presidente da Província da Paraíba, Inspetor da Alfândega do Pará e do

Ceará, Chefe de Polícia da Capital do Império. (PASSOS, 1982)] 28 e utiliza outro termo para

identificar os praticantes da arte da capoeiragem: caceteiro. 29

1907/1912 Jornal “O Apóstolo” a partir de outubro se refere à capoeira, mas como

mato, necessitando de a cidade ser remodelada, eliminando-se “essas capoeiras”,

em críticas à proposta do novo Governador de ajardinar a cidade. Outros, a

terrenos pertencentes a alguém, e que estaria sendo invadido. Mas há referencia

também à prática da “capoeira” enquanto arte-luta:

1954 nascimento de José Carlos de Lima (Mestre Zé Carlos), nascido no dia

06/11/1954 em Teresina, conhecido inicialmente como Mestre Bimba, tendo que

mudar de apelido devido a coincidência com um dos mais famosos mestres da

história da capoeira no Brasil, é funcionário público e iniciou na capoeira no ano

de 1976, em Feira de Santana, retornando ao Piauí em 1977, onde se manteve até

hoje ensinando e divulgando a capoeira. Reside à rua Ivan Messias Melo, nº 554,

bairro Cristo Rei. Se destacou pela forma plástica e de bastante leveza com que

jogava capoeira, acompanhado de mais dois irmãos, em especial com

apresentações no carnaval de escolas de samba do Piauí, nas décadas de 1970 e

1980, bem como em escolas públicas, além de ser pioneiro na difusão da capoeira

26 VAZ, Leopoldo Gil Dulcio. CAPOEIRAGEM NO PIAUÍ. Correspondência eletrônica pessoal a Mestre Baé, 21/10/2014

27 VAZ, Leopoldo Gil Dulcio. CAPOEIRAGEM NO PIAUÍ. Correspondência eletrônica pessoal a Mestre Baé, 21/10/2014

28 PASSOS, Caio. Cada rua sua história. Parnaíba: [s.n.], 1982. citado por , SILVA, Rozenilda Maria de Castro COMPANHIA DE

APRENDIZES MARINHEIROS DO PIAUÍ E A SUA RELAÇÃO COM O COTIDIANO DA CIDADE DE PARNAÍBA.

on line, http://www.ufpi.br/mesteduc/eventos/ivencontro/GT10/companhia_aprendizes.pdf

29 VAZ, Leopoldo Gil Dulcio. CAPOEIRAGEM NO PIAUÍ. Correspondência eletrônica pessoal a Mestre Baé, 21/10/2014

na imprensa televisiva, exibindo-se em programas de auditórios e reportagens ao

vivo. [SILVA, Robson Carlos da. As narrativas dos mestres e a história da capoeira em

Teresina/PI: do pé do berimbau aos espaços escolares.

http://www.repositorio.ufc.br/handle/riufc/7651]

1957 nascimento de Inocêncio de Carvalho Neto (Mestre Caramurú), natural da

localidade de Betúlia, no município de Simplício Mendes, Piauí. Nasceu em

18/08, residente em um Chalé, na Rua Beira Mara, 1666, Bairro Beira Mar, Luiz

Correia-PI. Exerce a função de Marceneiro, sendo Microempresário de uma

pequena fábrica de marcenaria. É Mestre de Capoeira da Associação Cultural

Lua Nova de Capoeira, ministrando aulas numa academia própria que montou

num galpão que adquiriu, ao qual pretende construir, nos fundos, sua própria

residência. É poeta e escritor, tendo seu nome e uma pequena biografia registrada

no Dicionário de Poetas Piauienses Contemporâneos. Possuí vasta experiência na

Capoeira com viagens a vários estados do Brasil, em espacial Goiás, Brasília,

Pernambuco e Rio de Janeiro. [SILVA, Robson Carlos da. As narrativas dos mestres e a

história da capoeira em Teresina/PI: do pé do berimbau aos espaços escolares.

http://www.repositorio.ufc.br/handle/riufc/7651]

1962 nascimento de José Gualberto da Silva Neto (Mestre Tucano), nascido em

Teresina-PI em 07/08/1962, tem 32 deles dedicados à prática efetiva da capoeira,

iniciada no ano de 1978 em Teresina, pelos ensinamentos do professor carioca

Paulo Capoeira, um dos pioneiros do ensino da capoeira por aqui, com aulas às

segundas, quartas e sextas-feiras no Clube do SESC, na Ilhotas. Possui vasta

experiência conquistada pela inserção e participação em eventos de capoeira pelo

Brasil e viagens internacionais, organizando eventos de capoeira e participando de

encontros promovidos por outros mestres de capoeira. É professor de Educação

Física, pela UFPI, com Especialização em Esportes e Saúde, também pela UFPI,

exercendo sua função de professor efetivo da Secretaria Estadual de Educação

(SEDUC), na APAE, Escola Consuelo Pinheiro, localizada no Bairro Cabral, zona

norte da cidade, desenvolvendo atividades de esportes, artístico-culturais e de

capoeira com crianças e jovens surdas e portadoras de dificuldades mentais leves,

a mais de 20 anos. Reside à Rua Dr. Arêa Leão, 1082, Bairro Mafuá, em Teresina

e desenvolve trabalho de capoeira na Casa da Cultura (Prefeitura Municipal), no

centro da cidade, às terças e quintas feiras, e no Colégio Alceu Brandão

(SEDUC), zona sul, aos sábados e domingos. É Mestre de capoeira pela

Associação Cultural Raízes do Brasil e ajudou a fundar a primeira associação

legalmente constituída do Piauí, a Associação Esportiva, Cultural e Filantrópica

Quilombo Capoeira, no dia 12 de outubro de 1984. [SILVA, Robson Carlos da. As

narrativas dos mestres e a história da capoeira em Teresina/PI: do pé do berimbau aos espaços

escolares. http://www.repositorio.ufc.br/handle/riufc/7651]

1963 nascimento de Mestre Chocolate, nascido em Teresina-PI, no dia 26/09/1963,

tem 48 anos, reside em Caracas na Venezuela onde desenvolve trabalhos com

capoeira e cultura brasileira em várias instituições culturais, sociais e educacionais

naquele país. Iniciou na capoeira no ano de 1978, com o Mestre Tucano, seu

irmão. Foi um dos precursores, ao lado do Mestre Tucano, da capoeira nas escolas

de Teresina-PI. Logo cedo partiu para São Paulo e depois ao Rio de Janeiro,

treinando e ensinado capoeira ao lado de renomados mestres dessa arte,

retornando a Teresina, onde passou breve temporada, seguindo para Caracas,

capital da Venezuela, desenvolvendo sua capoeira e criando a Associação

Humaitá - celeiro de bambas. [SILVA, Robson Carlos da. As narrativas dos mestres e a

história da capoeira em Teresina/PI: do pé do berimbau aos espaços escolares.

http://www.repositorio.ufc.br/handle/riufc/7651]

1966 o mestre baiano Washington Bruno da Silva (Canjiquinha) faz suas exibições fora

do Estado da Bahia, destacando exibição em Teresina-PI [Rego, 1968, p. 277 -

Capoeiras Famosos e seu Comportamento na Comunidade Social”]

1969 Mestre Caramurú (reconhecido no universo da capoeira como o pioneiro dessa

cultura no Piauí) chegou a Teresina no ano de 1969, iniciando na prática da

capoeira no ano de 1970, pelos ensinamentos de um primo oriundo de Salvador-

BA, chamado Washington, que veio morar na Via Militar, no bairro Marquês,

zona norte da cidade, mais precisamente no Clube do Marquês, clube dos oficiais

do Exército do Piauí. Mestre Caramurú fala de seu início na capoeira:

Quando esse primo nosso chegou, ele chegou pela manhã e já fez aquela cara de

descolado, morava na capital Salvador, outra vivência, outra coisa, então ele chegou em

casa e já foi logo andando na rua, queria saber onde eu estava, qual o colégio e tudo

mais, e ele já foi logo me pegar no colégio. Na estrada ele já vinha dizendo que fazia

capoeira em Salvador, e foi uma coisa que me fascinou, a tarde a gente brincando em um

campo no Marquês, que na época era um campo enorme, de chão batido, não tinha

praça, os circos vinham e ficavam lá acampados. A gente ficava lá brincando de bola, e

lá rolou o primeiro “au” que eu vi, um “au”, uma “benção”, uma “armada”, um salto,

um “s” dobrado, porque pra gente, naquele tempo , um “s” dobrado era bonito demais

(risos), então aí começou esse movimento, eu e o Washington, o nome dele era

Washington Vieira de Carvalho, só que ele me ensinou de uma maneira meio drástica,

ele me dava muita pancada, me botava no chão, doía, ralava joelho, ralava cotovelo

quando eu caia, não tinha a manha de cair em queda de rins nem “negativa”, nem

“cocorinha”, aí eu fui aprendendo. Depois de uns dias, a gente brincando, e eu disse

“olha, hoje você não me derruba mais”, um dia de tarde, depois de uma pelada, tinha

suado, fomos jogar, aí eu passei a me embaraçar com ele, de igual pra igual, aí eu dei

umas duas rasteiras seguras nele, ele levantava a perna, e eu ia por baixo, só que eu

entrava no corpo, eu era mais forte do que ele, ele era maior mais era magro, eu entrava

com meu corpo por baixo do dele, empurrava com as mãos e puxava como se fosse uma

baianada, uma alavanca lateral, e por duas vezes eu consegui derrubar ele, e aí ele disse

“ você já aprendeu”. Me lembro disso como se fosse hoje. Aí começou minha grande

audácia de querer fazer aquilo ali sempre com as pessoas.[...] isso foi no ano de 70, de

junho até julho, ele (seu primo) esteve com a gente até agosto, que eu me lembro que

logo depois do meu aniversário ele foi embora. [SILVA, Robson Carlos da. As narrativas dos

mestres e a história da capoeira em Teresina/PI: do pé do berimbau aos espaços escolares.

http://www.repositorio.ufc.br/handle/riufc/7651]

1971 Segundo Mestre Caramurú a capoeira em Teresina teve início no ano de 1971,

enquanto prática realmente instituída, em local próprio e com o uso de

vestimentas características.

Durante o ano de 70 não, de jeito nenhum, procurei em muitos lugares, eu andava na

Vermelha, tinha uma tia que morava na Vermelha, não tinha, passei a frequentar o

Círculo Militar quando o presidente era o Carlito, não tinha ninguém com capoeira por

lá em 1970, só fui achar uma pessoa pra jogar capoeira em 1971, isso mais ou menos no

carnaval, que era uma pessoa que veio de Fortaleza chamado Cláudio, que disse que iria

retornar e montar um grupo de Capoeira. [...] não me lembro se ele era daqui, ele só

veio pra cá, passou alguns meses, inclusive deu aula, na segunda vez que ele veio ele deu

aula no SESC, mas isso bem depois, 74, 75 por aí. Ele não veio logo em seguida nesse

tempo que a gente se encontrou no Círculo Militar. (Mestre Caramurú)

- As primeiras manifestações ficaram a cargo de um pequeno grupo de amigos que se

reuniam para a prática da capoeira, conhecido como “thurma”, que pregavam a

liberdade de expressão e eram representados enquanto intelectuais, se constituindo

numa espécie de grupo fechado, mais atrelado à forma livre de se manifestarem e

conduzirem suas experiências:

Meu nome é Inocêncio de Carvalho Neto, nascido no povoado de Betúria, da fazenda

Malhadinha, uma das fazendas mais antigas do Piauí, tá no mapa de 1970 pra trás, tem

um pontinho lá com o nome de “Fazenda Malhadinha”, onde tinham nove escravos

nessa fazenda. Na época, eu me lembro vagamente que eu passei só três anos com meus

pais legítimos, a gente ia lá comer manga, essa manga rosa, e andar naquele grande

porão de pedra que tem lá até hoje, e a coisa que eu achava muito bonita era um paredão

de pedra, a cerca lá era de pedra, feita pelos escravos. Então logo depois tive que fazer

uma cirurgia, minha mãe me deu pra minha tia, que morava em Floriano, pra fazer essa

cirurgia, e a minha tia gostou muito de mim e não me devolveu mais pra minha mãe

(risos), fui criado em Floriano. Então minha infância foi em Floriano, e em 69 meu pai

deixou a firma onde trabalhava em Floriano e a gente veio morar em Teresina, em

dezembro de 1969. Nossa mobília veio toda em um barco e desceu ali onde hoje em dia é

o Troca-Troca em Teresina, aí começamos a morar em Teresina, lá na Rua Tiradentes,

próximo ali a Coelho de Rezende, quase esquina com essa rua, e fui estudar no Colégio

João Costa, se não me engano é ali atrás do Lindolfo Monteiro, e logo anos depois foi

montado o polivalente. Lá no João Costa é que onde começou praticamente os

movimentos de capoeira, veja o porquê: lá tinha a quadra da LBA, uns dois pés de

manga, muito grande, então aquelas pessoas iam fazer aquela assistência social, aquela

coisa toda, e ficavam muitas pessoas lá, então certo dia recebemos uma carta que dizia

que um primo meu de Salvador iria passar uns três meses com a gente.

[SILVA, Robson Carlos da. As narrativas dos mestres e a história da capoeira em Teresina/PI: do

pé do berimbau aos espaços escolares. http://www.repositorio.ufc.br/handle/riufc/7651]

1974 Mestre Caramurú inicia um pequeno grupo de capoeira, denominado de Nova lua

de Capoeira, sendo o primeiro grupo que se tem notícia no Piauí, por volta de

1974, época que coincide com a chegada de alguns capoeiristas de outros centros

que se estabelecem em Teresina:

O “Lua Nova”, [...] foi fundada aí, a raiz dela foi aí, porque primeiro foi “Lua Nova de

Capoeira”, depois, com o tempo, é que pessoas me diziam pra fundar uma associação

com pessoas que tivessem certa importância na área do esporte ou na área social, daí

coloquei como associação, mas não registrada em cartório, não é a associação mais

antiga de Teresina, é o grupo de capoeira mais antigo de Teresina. Só veio a haver outro

grupo fundado por mim, Carlão, Sevilha, Henry, Paulinho de Tarso, que não é o

Paulinho Velho, é o Paulo de Tarso do Rio de Janeiro, o “Paulo Capoeira”, Luís Bahia,

que era o Hippie, o Serginho e o Ricardinho, que são dois irmãos do Rio de Janeiro,

amigos dele que logo depois vieram pra cá, eram artesãos na época, inclusive me tornei

artesão por causa desses dois irmãos. [...] Então, daí em meados de 74 e 75 é que se tem

uma amizade com o Paulo Capoeira, que é igual ao Washington, [...] o Washington veio

da Bahia e o Paulo Capoeira veio do Rio de Janeiro. Era soldado do exercito, o irmão

também era cabo, [...] Resultado: eles vieram embora pra cá devido a recessões lá,

aquela coisa toda, ficou muito crítica a situação deles, então o Paulinho veio pra cá, pra

casa da avó deles, que ficava no Mafuá, próximo de mim e próximo de Carlão, aonde eu

convivia diariamente, que era a casa do coronel, pai do Carlão, e a gente criou aquela

amizade, aquela coisa toda. O Paulinho era um eximo capoeirista, malandro do morro,

tinha um grupo de capoeira lá no morro, malandro daqueles de gingar, e fazer gesto de

macaquice e tal, fazia do corpo o que ele queria, praticamente ele era um “negro de

mola”, ta entendendo? Aí a gente começou a treinar, e ele viu que eu tinha potencial, já

foi investindo em mim, “olha, você tem que fazer isso aqui comigo direto, não pode sair

daqui, tem que ter responsabilidade”, e eu não queria ter muita responsabilidade não.

[SILVA, Robson Carlos da. As narrativas dos mestres e a história da capoeira em Teresina/PI: do

pé do berimbau aos espaços escolares. http://www.repositorio.ufc.br/handle/riufc/7651]

1975 nas memórias dos mestres, a capoeira começou a se aproximar da escola ainda no

ano e 1975, porém somente por meio de apresentações pontuais em escolas públicas,

sem nenhum vínculo institucional:

Em 1975 a gente fez várias apresentações, vou te citar alguns colégios onde a gente se

apresentou: em um colégio na Vermelha, no CSU do Parque Piauí, no colégio da

Ampliação no Parque Piauí, no Demóstenes Avelino, próximo à linha do trem, no rumo

de quem vai descendo na Pires de Castro, fizemos apresentação várias vezes no Helvídio

Nunes, porque a diretora era muito amiga da minha mãe, e ela sempre pedia pra gente

fazer apresentação lá, de 75 em diante, em 78 foi quando eu zarpei de Teresina, eu viajei

mesmo pra não voltar seguidamente. Fizemos também em um colégio, não me recordo o

nome, onde a turma falava “pagou passou”, próximo à São Benedito, tinha o Colégio

São Francisco, no centro, depois da Igreja São Benedito, apresentamos muito ali

também,fica próximo ao Karnak, por ali. (Mestre Caramurú)

1976 Mestre Marcondes e seus familiares, e o professor Paulo Capoeira formam uma

grande turma de jovens capoeiristas divulgando assim a arte da capoeira no estado

do Piauí. http://culturaeformacao.blogspot.com.br/2011/03/capoeira-no-piaui.html

- Mestre Zé Carlos - nascido em Teresina a 06/11/1954 - conhecido inicialmente como

Mestre Bimba, iniciou-se na capoeira, em Feira de Santana, retornando ao Piauí

em 1977, onde se manteve até hoje ensinando e divulgando a capoeira:

Eu comecei a capoeira no Piauí em 1977, quando fui convidado para uma ala no

carnaval por Mario de Araujo Lima, ex-carnavalesco, engenheiro da prefeitura, falecido,

que Deus o tenha em um bom lugar, e com isso começou o movimento da capoeira no

Piauí. Foi se não me engano onde hoje é o atual Bradesco, e eu cheguei e já existiam

pequenos focos de capoeiristas, aqueles que passam um mês e viajam para o Sul, para

São Paulo, e chegam aqui e dizem que são professores de capoeira (risos), e também

semi-analfabetos na área.

- [...] O inicio foi o seguinte: como eu jogava bola todo dia à tarde lá no campo do Clube do

Marquês, a gente queria ficar dentro do clube, mas os oficiais não deixavam ter essa

coisa assim de menino, bagunça de menino. Lá tinha um racha que era dos oficiais, todo

dia de tarde tinha essa pelada deles, e a gente esperava eles terminarem essa pelada

deles lá pelas 18 horas, já tudo escuro, porque não tinha refletor lá, só tinha uns pés de

manga muito grande, a quadra e o clube do lado, e um portão bem grande de garagem

direto pro rumo da quadra. Então a gente esperava terminar isso aí e ia jogar rapidinho,

eu e mais quatro colegas vizinhos que eu já estava ensinando. Dentro desse primeiro

prefácio de treinamento de capoeira, consegui mais cinco pessoas ao redor do clube, a

molecada de lá mesmo que jogava bola por lá, a gente já era amigo, e de tanto eles

verem a gente treinar eles se interessaram. Ficou mais ou menos oito pessoas praticando

capoeira. (Mestre Caramurú) (Grifos meu) [SILVA, Robson Carlos da. As narrativas dos

mestres e a história da capoeira em Teresina/PI: do pé do berimbau aos espaços escolares.

http://www.repositorio.ufc.br/handle/riufc/7651]

1977 após haver retornado do Rio de Janeiro, o capoeirista conhecido como Paulo

Capoeira, se estabelece por mais tempo na cidade, propondo uma melhor

organização da capoeira, com a abertura de turmas, instituindo horários de treinos,

seguindo uma determinada metodologia de ensino e ampliando a difusão dessa

arte como uma atividade educativa, capaz de agregar pessoas de idade, sexo,

formação, etnia e classe sociais as mais diversas, conseguindo, por meio do

contato de parentes seus, acesso ao Serviço Social do Comércio (SESC), que

seguindo a política de unidades instaladas em outros centros, estabelece a capoeira

como uma das atividades ofertadas à comunidade. Se iniciava, assim, uma nova

época da capoeira no Piauí, notadamente marcando o aparecimento de outros

capoeiristas que se firmariam como os mestres e guardiões da capoeira piauiense:

1978 em Teresina, o professor carioca Paulo Capoeira, dava aulas às segundas, quartas

e sextas-feiras no Clube do SESC, na Ilhotas. [SILVA, Robson Carlos da]

- Mestre Tucano - nascido em Teresina-PI em 07/08/1962 – iniciou na capoeira com o

professor carioca Paulo Capoeira, um dos pioneiros do ensino da capoeira em

Teresina.

Bom, eu iniciei na capoeira mais ou menos na metade de setembro de 1978, acho que

pelo dia 15 ou 16 de setembro desse ano, aqui em Teresina, no Ginásio do SESC, hoje

chamado de SESC Ilhotas, que é o Ginásio de Esportes do SESC Ilhotas, na época com o

professor Paulo Capoeira, em 1978. Então, naquela época, a capoeira em Teresina não

era muito difundida, mas chamava a atenção das pessoas, as pessoas achavam a

capoeira bonita, ela sempre chamou atenção como beleza plástica, pela sua agilidade,

pela sua música, pela sua expressão corporal, porém ela não tinha uma aceitação muito

grande pela sociedade, os movimentos da capoeira eram bonitos, muito bem praticados,

mas a questão é que as pessoas achavam que o capoeirista não era um sujeito bem

quisto, então em 1978, não só aqui como no Brasil de um modo geral, a capoeira não era

muito bem aceita como ela é hoje, e aqui em Teresina especialmente, porque aqui tem

mais de um tipo de preconceito, além de achar que a capoeira era coisa de quem não

tinha o que fazer, era coisa de drogado, era coisa de gente pobre, era coisa de

vagabundo, tinha mais um preconceito que pesava muito: se você não era baiano, não

era bom de capoeira. Então diziam assim: “ah, é piauiense, se não é baiano então não

presta na capoeira”. A visão que se tinha na época da sociedade piauiense era a

seguinte, o karate tava em alta, nessa época eram muito difundidos os filmes de Bruce

Lee, e tinha toda aquela coisa do kung-fú chegando, o judô ainda não tinha ainda uma

difusão grande, a musculação começava a chegar aqui, a natação estava no auge... e

tudo isso era o que dava status aqui em Teresina, as pessoas não aceitavam nem o

maratonista, quem corria na rua era vaiado. Então era uma sociedade muito provinciana

ainda, e com isso a capoeira não era muito bem aceita, então nós iniciamos em um

período um pouco difícil [...]. (Mestre Tucano) [SILVA, Robson Carlos da. As narrativas dos

mestres e a história da capoeira em Teresina/PI: do pé do berimbau aos espaços escolares.

http://www.repositorio.ufc.br/handle/riufc/7651]

- Mestre Chocolate - nascido em Teresina-PI, no dia 26/09/1963 - iniciou na capoeira

no ano de 1978, com o Mestre Tucano, seu irmão:

[...] depois que ele entrou e começou a praticar capoeira no SESC com Paulo Capoeira,

e depois começamos a treinar e a fazer aula de capoeira com ele e com o Gladstone, que

era um capoeirista que existia no centro da cidade, e nos reuníamos lá no Pirajá, onde

hoje é a UESPI. Todos os dias nos dirigíamos para aquele lugar, por volta de 4 ou 5

horas da manhã, para treinarmos capoeira. (Mestre Chocolate) [SILVA, Robson Carlos da]

- Nessa época (1978), chegou o Paulista (Mestre Albino), quando a gente tava fazendo

roda no SESC, todo domingo tinha roda, a gente dava aula na terça e no sábado,

eram dois dias na semana, e no domingo fazíamos a roda. E num desses domingos

apareceu um paulista lá, calça de malha e tudo. [...] E, nesse tempo, quando

aparece o Paulista, alguns meses depois chegam três irmãos, também lá no SESC,

nessas rodas que eu, o Paulinho e o Deuto estavam fazendo, aí esses três irmãos

eram José Francisco, José de Ribamar e o José Carlos (Mestre Zé Carlos), se não

me engano, o outro moreno, bem menor. [...] Zé Carlos veio com esse apelido de

Bimba. O Paulinho deu um descaramento nele, não gostou do apelido dele,

porque não era pra ninguém ter o apelido de “Bimba”, isso na filosofia da gente.

[...] eles vieram pra estar com a gente no SESC, o primeiro contato de Bimba,

José Carlos e José Francisco foi no SESC [...] assim como o de Albino também

foi lá. Só que o Albino ele já tinha estado comigo no Marquês, porque a mãe dele

morava ali próxima a Primavera, tava começando esse bairro, pouquíssimas casas

por lá [...]. (Mestre Caramurú)

- Outro nome que merece destaque neste período, podendo ser apontado sua inserção na

história da capoeira do Piauí é um professor da Escola Federal do Piauí,

identificado como Mestre Marcondes, porém sem conseguir notoriedade, nem

tampouco um reconhecimento unânime entre os praticantes dessa arte. Sua

presença é apontada quase sempre enquanto referência por sua oportunidade de

conhecer e praticar capoeira em Brasília, notadamente com alguns mestres de

renome, tais como Adilson e Tabosa, sem, no entanto, maior influência na

capoeira praticada em Teresina:

[...] foi mais ou menos em 74, 75, nesses meados aí, que a gente já tinha bastante

informação, já jogava bastante, já fazia roda,lá no colégio João Costa, depois me mudei

pro João Clímaco, e já tinha roda de capoeira porque era eu que fazia, e depois foi que

fui conhecer o Marcondes através de um grande amigo meu que era goleiro, o

Madeirinha, jogava ali naquela pracinha em frente a aquela penitenciária, que hoje não

existe mais.[...] E ele veio pra morar, a família dele veio morar ali, acho que ainda hoje

ta do mesmo jeito, com aquela calçada alta, então a gente se conheceu assim, porque eu

jogava capoeira, e falaram “olha eu também jogo capoeira e tal” foi quando eu conheci

Leal, quando eu conheci finado Zé Maria, quando conheci a turma ali do Pó de Arroz, o

pessoal do Fluminense, aquela coisa toda, jogava no Bariri, foi nessa época que eu

conheci ele. Mas ele chegava assim: “sou professor“. Era contramestre. (Mestre

Caramurú)

1979 alguns dos capoeiristas que se iniciaram no SESC, começam a se organizar em

torno de seus próprios alunos, fundando os primeiros grupos organizados do

Piauí. Neste período, a capoeira passa a ser conhecida e difundida, seguindo por

várias dimensões diferentes, muitos encontros e desencontros, surgindo outras

pessoas que marcariam sua presença de forma significativa neste processo.

- Os já conhecidos Zé Carlos e Albino seguem cada qual na formação de seu grupo,

seguindo o mesmo caminho os irmãos Tucano e Chocolate, além de outros

capoeiristas oriundos do SESC, tais como Valtinho e seu irmão John Grandão.

São estes grupos que trarão uma nova roupagem à capoeira, fundando verdadeiras

escolas de capoeira, formando discípulos e proporcionando a abertura de novas

possibilidades para esta cultura em Teresina, inclusive ampliando seus espaços de

atuação para fora do estado.

- Mestre Zé Carlos que forma o grupo Irmão Unidos, desenvolvendo suas atividades

no bairro Piçarra, na zona sul da cidade;

- Mestre Albino funda o grupo Escravos Brancos, no Centro Social Urbano da

primavera (CSU Primavera), zona norte da cidade;

- Mestres Tucano e Chocolate fundam o grupo Palmares, no Centro de Treinamentos

do Pirajá, no bairro Matinha, na zona norte de Teresina; e

- John Grandão, juntamente com seu irmão Valtinho, iniciam o grupo Nova Lua, no

bairro Cabral, também na zona norte de Teresina.

- A chegada da capoeira às escolas de Teresina se dá de forma efetiva, mais

precisamente a partir da segunda metade do ano, quando os capoeiristas, em busca

de espaço para treinar, decidem utilizar os espaços vazios, aos finais de semanas,

das escolas públicas de Teresina, grandes pátios e quadras de esportes que

ficavam fechadas sem nenhuma utilização pela comunidade próxima ou distante

do entorno destas escolas.

Então ser aceito na escola era mais difícil ainda, mas como, em alguns casos já tínhamos

estudado nas escolas e as diretoras nos conheciam elas autorizavam. O complicado era o

vigia abrir os portões. Não foram raras as vezes que tivemos de pular os portões, pois o

vigia fechava e ia embora. Nossa experiência mais importante foi no Colégio Benjamin

Baptista, o Polivalente, pois conseguimos montar um grupo grande de praticantes e que

foi base para os capoeiristas que continuaram a tradição da capoeira em Teresina;

continuaram treinando, acompanharam a evolução da capoeira, alguns pararam, como

Monteiro, Edson, este sobrinho do mestre Marcondes, um dos pioneiros da capoeira no

Piauí; outros se formaram e hoje são mestres, como Bobby e Chocolate. Quando íamos

solicitar autorização para treinar capoeira na escola, a diretora fazia sempre algumas

exigências, tais como: somente utilizar o pátio e a quadra; evitar andar pelos corredores,

salas e outras dependências; manter a escola limpa e segura, pois era proibida a entrada

de quem não fosse treinar; permitir que os alunos da escola participassem do grupo. Aí,

ainda era comum a gente fazer apresentações na escola, no recreio, quando tinha

alguma festa, ou torneios de esportes, que naquele tempo envolviam toda a escola e

outras escolas. Também, como já disse, nós mesmos estudávamos na escola e já tinha um

vínculo com os professores, a diretora e os outros alunos; isso facilitava muito a

aceitação da capoeira, pois a diretora sabia a quem estava entregando a escola. Assim,

sempre tinha alunos da escola treinando. (Grifos meu). (Mestre Tucano)

1980 um grupo de jovens capoeiristas formaram o grupo Quilombo Capoeira,

formado pelos irmãos Tucano, Bobby e Chocolate, além do professor John

Grandão, que levaram a capoeira em todos os locais públicos, instituições

privadas e os mais diversos locais onde a capoeira pudesse ser aplicada,

desenvolvida e conhecida pelo público em geral.

http://culturaeformacao.blogspot.com.br/2011/03/capoeira-no-piaui.html

- destacam-se nomes como Mestre Albino, Mestre Traíra, professor Alberto, Mestre

Deuton, dentre outros. http://culturaeformacao.blogspot.com.br/2011/03/capoeira-nopiaui.

html

- Mestre Albino procurou e manteve contato com Tucano e Chocolate, indo ao Pirajá

em busca de informações sobre a capoeira que lá se fazia. Aconteceu, assim, um

dos contatos que contribuiu para o surgimento de uma nova época na capoeira do

Piauí, que seria o encontro efetivo dos grupos, promovendo um significativo

intercâmbio entre as escolas dessa cultura, além do fortalecimento dos grupos, não

esquecendo do clima de rivalidade que a partir de então fica mais evidente,

favorecido pelo próprio encontro destas pessoas e de suas concepções.

- Nos anos 80, a capoeira no Piauí teve um grande crescimento sendo conhecida a nível

nacional e internacional, revelando grandes talentos, com participação em

encontros nacionais, internacionais, shows, cursos, JEBs, JUBs, participação de

pessoas portadoras de deficiência, consolidando-se definitivamente nos anos 90

até os dias atuais. http://culturaeformacao.blogspot.com.br/2011/03/capoeira-no-piaui.html

- jornal “O Estado”, com data provável do dia 28/12/1980, assinada pelo jornalista

Kenard Cruel, com o título “Praticantes de Capoeira pedem apoio ao Governo”,

na qual era chamada a atenção para um grupo de capoeiristas que procuravam

despertar nas autoridades políticas, empresariais e da sociedade em geral sobre as

dificuldades em se organizarem e a necessidade de serem reconhecidos enquanto

grupo representativo dessa cultura, no sentido de realizar eventos em Teresina e

participar dos eventos nos grandes centros em que essa arte tinha um

desenvolvimento consistente.

1981 e se estendendo até a segunda metade da década de 1980, algumas destas pessoas

começam a se encontrar, trocando ideias, visitando os espaços de treinamento e

fortalecendo os laços no sentido de melhor organizar a capoeira, surgindo daí os

grandes grupos de capoeira, que conseguem arregimentar significativa parcela de

alunos, atraindo a atenção da imprensa e despertando nas autoridades o efetivo

interesse nessa cultura, identificando seu potencial educativo e cultural. Neste

período, acontece também a saída de cena dos capoeiristas que iniciaram o

movimento do SESC, alguns voltando a seu estado de origem, como Paulo

Capoeira (Paulinho) que retorna ao Rio de Janeiro, “[...] aí o Paulinho disse ‘estou

indo embora, não vou demorar muito, mas você fica aqui com a rapaziada e tudo

mais’ [...]” (Mestre Caramurú); outros acabam viajando para fora do estado e

retornam envolvidos com outras atividades ou, como é o caso de mestre

Caramurú, que se afasta em longas viagens pelo Brasil e, ao retornar, se casa e

segue trabalhando a capoeira, porém em outras cidades.

- Mestre Chocolate conta de forma pormenorizada alguns desses acontecimentos:

Depois veio o Bozó, no Pirajá, que é onde fica a UESPI, com o Quinzinho, com o

Monteiro, e nesse período veio o Bobby, que se entrosou depois, o Zé Almeida, e nessa

trajetória encontramos em Teresina um aluno de Mestre Pastinha, que ele se dizia ser

desertor da Marinha nessa época e estava viajando pelo Brasil. Ele era um cara que

vivia na periferia da cidade, na ponte do Rio Parnaíba. Em troca de levarmos comida

pra ele, conversava e tal, ele traçou alguns treinamentos pra gente. Ele era conhecido

como Mariano, e foi o primeiro contato que tivemos com um professor da Bahia, que era

aluno do Pastinha da capoeira de Angola. Depois de um determinado tempo

encontramos um pessoal do Mercado Modelo, que vieram fazer uma apresentação aqui,

que foi o Cacau e o Coringa, e a gente começou a ter um contato com esses caras por um

período, falava, se comunicava e tal, e mais pra frente tivemos contatos com o Paulão do

Ceará, começamos a viajar pro Ceará pra fazer roda, encontrar as pessoas e

encontramos o Paulão, que era do grupo Senzala, comandado pelo Camisa, do Rio de

Janeiro. Lá em Fortaleza conhecemos o Paulão e seus alunos, que eram o Dingo, Dunga,

Gamela, Araminho, Querido, Pica-pau, muitos alunos dele.

1983 vinda do Mestre Guarulhos, de São Paulo, mestre filiado à Federação Paulista de

Capoeira, essa, por sua vez, filiada à Confederação Brasileira de Pugilismo, com o

propósito de visitar familiares, levando Mestre Albino a enxergar ali uma

oportunidade única de promover o que considerava um antigo sonho seu, criar a

Federação Piauiense de Capoeira e se candidatar a presidente, alcançando, em sua

concepção, a liderança dos capoeiristas do Piauí.

- Primeiro Batizado de Capoeira de Teresina, sob coordenação do mestre Guarulhos,

reunindo significativa parcela dos capoeiristas em atividade naquela ocasião,

porém não conseguindo o consenso entre estes. Seu objetivo era efetivar a

graduação de todo o pessoal, concedendo o grau de professor de capoeira para

alguns capoeiristas que desenvolviam atividades frente a seus grupos e, para os

considerados pioneiros e fundadores da capoeira no Piauí, o grau de mestre, tudo

conforme as normas oficiais da Federação Paulista de Capoeira, inclusive com a

entrega dos certificados, devidamente carimbados e assinados por mestre

Guarulhos, ficando decidido a seguinte relação dos que seriam mestres: Albino,

John Grandão, Tucano, Chocolate, Bobby e Monteiro.

Não houve um consenso porque queriam nos impor uma sistematização e critérios que

não tinha nada haver com nossa história. Neste período não tínhamos graduação, mas

seguir as da Federação, sem critérios e ficar dependente da decisão do Albino, não

dava.” (Mestre Tucano), e muita gente que naquele período dava aula ficou de fora,

alguns não aceitando o convite para participar do evento e outros nem mesmo sendo

lembrados, visto que “O Alberto, conhecido como Beto, começou a dar aulas no Jockey

ainda no início dos anos oitenta e mesmo não sendo convidado foi lá e ainda distribuiu

uns certificados de curso de extensão em capoeira, ministrado por ele, da Universidade

Federal. O pessoal do Monte Castelo, que estavam se chegando ao nosso grupo, também

nem foram chamados, nem o pessoal do grupo Mocambo, o Zumba e o Baixinho. Ai

acabou que a gente discordou e resolvemos não participar, ou seja, fomos pro evento,

tocamos, participamos da roda, mas não aceitamos a graduação, nem o diploma de

mestre ou de professor. (Mestre Chocolate)

1984 12 de outubro primeira associação legalmente constituída do Piauí, a Associação

Esportiva, Cultural e Filantrópica Quilombo Capoeira. Extrato publicado no

Diário Oficial do Estado do Piauí, ano LIV, n. 09, 96º da República, em 16 de

janeiro de 1985.

- De acordo com relato feito na Ata de criação da Associação Quilombo Capoeira,

registrada no dia 12/10/1984, na academia Lumasa, antiga academia de

musculação de Teresina, o grupo Quilombo teve como principal objetivo reunir

capoeiristas de vários grupos, dispostos a pensar e trabalhar em comum pelo

crescimento da capoeira no Piauí, por sua divulgação e prática, o que de fato

ocorreu como fica evidente por meio da descrição das pessoas presentes neste

momento, alguns dos quais já comandavam seus próprios grupos com bastante

significância nesse universo, outros se encontravam praticando capoeira sem

nenhuma orientação, somente seguindo aspectos que aprenderam de encontros

aleatórios, desejando, a partir da associação a um grupo organizado, se

atualizarem e se adaptarem aos novos rumos que tomava a capoeira no Piauí.

- Joaquim Gutenberg, conhecido na capoeira como Quinzinho recorda aquele período:

Eu me recordo daquele tempo, porque fui eu quem foi despertar a atenção dos meninos.

Como morava e tinha amizade muito próxima ao Monteiro, ouvi ele comentar que o

Albino estava organizando a Federação, já com toda a papelada em ordem e iria criar a

Federação, sendo presidente. E quem não fosse filiado teria de parar de dar aulas, pois

seria exigência para quem quisesse dá aulas ser filiado à Federação, além de padronizar

o uso de cordéis, que era a graduação, com as cores da bandeira do Brasil e cordas

trançadas. Então, fui correndo à casa do Zé (Tucano), Roberto (Chocolate) e do Bobby,

além de avisarmos o John e o Thomas (Rapadura). Então foi daí que saiu a ideia de

criarmos uma associação, legal mesmo e reconhecida. Inclusive fomos até Fortaleza e lá

procuramos o Canário que nos recebeu muito bem e falou que não tinha essa pressão,

que Federação não pode impedir ninguém de dar aulas. Na verdade, todos éramos

jovens, a maioria estudante, sem muita experiência sobre estas coisas. Mas no final,

aconteceu tudo normal, o Albino fundou a Federação, nós criamos nossa associação, e

cada qual seguiu seu rumo. (Quinzinho).

1985 jornal O Dia, edição do dia 15/03/1985, na página 09, por meio de uma

reportagem que trazia informações a respeito do primeiro curso de capoeira

organizado em Teresina, numa promoção da Associação Quilombo Capoeira e

que seria realizado nos dias 18 a 22 de março daquele ano de 1985.

- 19 de outubro fundado o grupo Mocambo, pelo professor Zumba, que destaca entre

outros componentes, Palmeira, Jabiraca, Pajé.

1986 jornal O Dia, 11/01/1986, título é “Capoeira teve atividades importantes no ano

passado”, trazendo em seu corpo um apanhado das principais atividades

desenvolvidas por diversos grupos de capoeira de Teresina e ressaltando o

crescimento e expansão de sua prática no Piauí. A matéria destaca os principais

líderes da capoeira (Sob a liderança de José Gualberto/Tucano, John, Robson

Bobby e Roberto Dídio/Chocolate [...]) que seguem trabalhando de forma efetiva

para sua valorização e melhoria técnica de seus praticantes (Quatro viagens a

Fortaleza, visando maior aprimoramento técnico com consagrados professores da

capital alencarina), corroborando a opção que tive na escolha dos mestres que

foram entrevistados no corpo dessa pesquisa, tais como os mestres Tucano e

Chocolate; destaca, ainda, a criação de novos grupos de capoeira, assim como o

processo de institucionalização destes em associações (Fundação de três

associações, aumentando, oficialmente, o número de adeptos e praticantes:

Quilombo Capoeira, Palmares Capoeira e Engenho Bantos Capoeira), aliado ao

planejamento de novas atividades para o ano de 1986 (Agora, para a temporada de

1986, todos os esforços já começam a ser feitos, a fim de que o número de

atividades seja bem maior, expandindo-se mais ainda a capoeira pelo território

piauiense).

1987 “Jornal Aliás”, produzido pelos alunos do Colégio Geo-Trópicos, tendo por editor

Wellington Soares, cujas matérias eram propostas e produzidas pelos próprios

alunos, (SOARES, 1987, p. 01). A edição número três, de maio de 1987, trouxe

uma matéria com o título “A Capoeira e o preconceito”, escrita pelo aluno do

terceiro ano científico Delson Lustosa de Figueiredo, que à época havia iniciado

a prática da capoeira com o professor John Grandão, do grupo Senzala, em

Teresina. Traz como única alusão à capoeira no Piauí a passagem citada: “[...]. Em

Teresina, o Grupo Senzala é liderado por professores competentes que, através

dos seus trabalhos, a capoeira do Piauí está sendo reconhecida e bem vista em

todas as outras academias do grupo senzala no país. Já tivemos a oportunidade

de trazer o mestre Camisa à Teresina, quando entramos para o grupo e teremos a

honra de contar com sua presença mais uma vez juntamente com os melhores

capoeiristas do Brasil, em novembro para o 3º BATIZADO DE CAPOEIRA DO

GRUPO SENZALA DO PIAUÍ. (FIGUEIREDO, 1987, p. 02. Destaque do autor).

[SILVA, Robson Carlos da]

1990 Roda de Rua 7 de setembro, Teresina ano 1990 jogo duro (Boquinha Raiz do

Brasil); Capoeiristas jogando Baú, Cobra preta, Paulinho Velho,Tucano, Paulo

Urubu, Urubutinga, Mineral, Boby, Carnaúba, Dureza, John Grandão, Mandioca,

Piva, Touro, Fofão, Boquinha, Waguener. https://www.youtube.com/watch?v=ZmIyTWU1gg

1991 revista “Impacto” de número n. 12 do ano de 1991, trouxe uma matéria com o

título “Capoeira: arte ou violência”, realizada e produzida por Soraia Cristina,

que se incumbiu de contatar por telefone e acertar as entrevistas com os mestres à

frente dos grupos de capoeira que se mais destacavam no período de realização da

reportagem, levando em consideração aqueles com maior visibilidade na mídia,

bem como de levantamento prévio mantido com pessoas da área do esporte e da

cultura que indicaram, a partir de conhecimento e convivência frequente em

eventos e acontecimentos sociais, quais os mestres mais atuantes e que

promoviam a prática dessa cultura em Teresina. Assim sendo, foi mantido contato

com o mestre Bobby (Robson Carlos da Silva), na época um dos componentes do

grupo Senzala, desenvolvendo trabalho no clube do SESC e coordenando outros

trabalhos em escolas particulares (Pituchinha, Cavalinho Azul, Sintagma etc),

além da escola pública João Soares no Monte Castelo, bairro da zona sul da

cidade. Também foi procurado o professor Zumba (Raimundo Nonato) que se

destacava com trabalho junto ao grupo Mocambo, desenvolvendo suas atividades

no bairro Mocambinho, um dos maiores bairros da zona norte da cidade e

alcançando êxito no processo de escolarização da capoeira naquele entorno social,

promovendo a prática da cultura em escolas públicas, centros paroquiais e clubes

sociais de esporte e lazer, em especial no “Clube do Manoelzinho”, uma das

mais tradicionais casas de festas e shows daquele bairro no período destacado. O

texto da reportagem ressalta a existência já na década de 1990 de vários grupos de

capoeira em Teresina apontando o grupo Senzala e o grupo Mocambo como

destaques, como fica evidente nas palavras da autora do texto: “Atualmente em

Teresina existem vários grupos, sendo que cada um tem sua história diferente,

mais (sic) basicamente a mesma origem e seguimento. O grupo Senzala por

exemplo, que foi fundado pelo famoso mestre-camisa (sic) tem vários grupos em

bairros de Teresina e cidades do interior, aparecendo como destaque na lista de

componentes, Bob, Grandão, Tucano, Paulinho Velho. [...] Outro grupo que tem

se destacado, inclusive como um dos melhores do Piauí, é o grupo Mocambo,

fundado em 19 de outubro de 1985 e tem como fundador o professor Zumba, que

destaca entre outros componentes, Palmeira, Jabiraca, Pajé, dentre outros.

(IMPACTO, 1991, p. 07). (grifo meu). [SILVA, Robson Carlos da]

- [...] a Federação que atualmente está sendo organizada pelo professor Albino, é

totalmente descaracterizada, pois até agora em termos práticos não trouxe

benefícios, restringindo-se somente em campeonatos que favorece aos despeitos

que se assenta gradativamente entre os grupos, não existindo sequer, entrosamento

em termos organizativo e sistemático. (IMPACTO, 1991, p. 09). [Trata-se do mestre

Albino e o grupo Escravos Brancos] [SILVA, Robson Carlos da]

1996 Revista Bugaloo - número 08 junho/julho, editada pela Point Editoração e vendida

em bancas de revistas, com abrangência em vários estados do nordeste, tais como

Maranhão, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Piauí. Período em

que a capoeira já esta institucionalizada de forma mais efetiva em Teresina com os

grandes grupos de capoeira, na realidade segmentos que se filiavam a um grupo

de grande relevância e visibilidade no mundo da capoeira, comandado por um

mestre, também, de renome e trabalho valorizado, notabilizado por uma

significativa parcela de seguidores e várias filiais espalhadas pelo país e pelo

exterior, os quais podem ser identificados como grupo-empresa. O texto, com o

título de “IÊ, Viva a Capoeira, Camará”, é assinado por Fátima Guimarães e

centra seu foco no que ela denomina de “época de transformações” em que a

capoeira no Piauí, por meio dos trabalhos dos mestres e seus grupos, começa a

colher bons resultados, ilustrando e justificando esse desenvolvimento com os

grandes eventos de capoeira organizados em Teresina, notadamente pelos grupos

que se destacam pela proporção de suas atividades e os espaços que ocupam na

sociedade piauiense e em especial ao grupo Abadá Capoeira, cujos

coordenadores se responsabilizam pelo evento que a autora do texto se propõe

descrever e tecer comentários elogiosos. [SILVA, Robson Carlos da]

- Nos dias 13, 14 e 15/06/96, Teresina gingou ao som de birimbaus (sic) e acordou com

o som dos atabaques [...] A cidade começa a ter uma visão diferente na quintafeira

dia, 13/06, onde um aulão de capoeira foi realizado em frente à Assembleia.

Era um gingado só. Ao lado da avenida não havia distinção de raça, cor, classe

social ou profissão. Eram 17:30 e o sol aproveitava para reverenciar os

capoeiristas. [...]. “O objetivo da aulão é divulgar a capoeira e mostrar que ele

pode ser praticada por qualquer pessoa e em qualquer lugar” como afirma o

instrutor Bob. [...]. [Revista Bugaloo - número 08 junho/julho]

- sexta-feira dia, 14/06, foi realizado o Festival de Cantigas de Capoeira no Ginásio

do Sesc, com premiações de 1º, 2º e 3º lugares. As participações foram diversas,

em (sic) aos capoeiristas visitantes registramos a presença de: Morcêgo

(Mestrando) do Rio de Janeiro, Edinho (Professor) de Brasília, Papagaio

(Instrutor) de Recife; somados com alunos e graduados de Juazeiro (Ba), Petrolina

(Pe), Fortaleza (Ce), Floriano (Pi), Bélem (Pa) e Açailândia (Ma). A organização

do evento ficou satisfeita com o êxito alcançado. “Para demonstrar o elevado nível

de formação, o grupo Abadá Capoeira – Pi, proporcionou ao público e aos

participantes do evento uma programação variada: toques, samba, capoeira,

maculelê, apresentações e reportagens; além de suprir a necessidade de se realizar

um grande evento de capoeira em Teresina”, comenta o instrutor Bob.

(GUIMARÃES, 1996, p. 12). (grifos meus). [Revista Bugaloo - número 08 junho/julho].

2007 início dos “Jogos Abertos Capoeira Ginga Piauí”, em comemoração ao Dia da

Consciência Negra, 20 de novembro.

2009 SILVA, Robson Carlos da; CALAND; Tâmara da Costa Sobral. Inserção,

atuação e permanência da mulher nos grupos de capoeira de Teresina-PI:

notas etnográficas. Revista FSA, Teresina, v.6, n.1, jan./dez. 2009,

http://www4.fsanet.com.br/revista/index.php/fsa/article/view/427/206

- SILVA, Robson Carlos da. A capoeira como elemento de fortalecimento das

identidades social e cultural de crianças e jovens na escola.

http://www.meionorte.com/blogs/edilsonnascimento/a-capoeira-como-elemento-de-fortalecimentodas-

identidades-social-e-cultural-de-criancas-e-jovens-na-escola-111089

2010 Rodrigo Batista Maia, Maria do Carmo de Carvalho e Martins, Cláudio Henrique

Lima Rocha, Irapuá Ferreira Ricarte,Vítor Brito da Silva, David Marcos Emérito

de Araújo, Lívia de Barros Rocha Tolentino e Silva, Moisés Tolentino Bento da

Silva. Efeito da Prática de Capoeira sobre os Parâmetros Cardiovasculares.

http://www.repositorio.ufc.br/handle/riufc/5703

2012 SILVA, Robson Carlos da (Orientador: VASCONCELOS, Jose Gerardo). As

narrativas dos mestres e a história da capoeira em Teresina/PI: do pé do berimbau

aos espaços escolares. http://www.repositorio.ufc.br/handle/riufc/7651

2013 21 de janeiro criado o Fórum Estadual de Capoeira do Piauí (FEC/PI) é um

espaço democrático e de articulação estadual que objetiva contribuir para o

desenvolvimento da capoeira. Missão: Contribuir para o desenvolvimento da

capoeira (angola e regional) enquanto expressão cultural, esportiva e lazer

pertencente ao patrimônio cultural brasileiro. Descrição: Fórum Estadual de

Capoeira do Piauí (FEC-PI) surge do anseio da comunidade capoeirista de criar

espaços democráticos para discussão de questões que dizem respeito a promoção

e valorização da capoeira, seus mestres e praticantes. Tal fato foi consubstanciado

no dia 21 de janeiro de 2013, no Memorial Zumbi dos Palmares, na ocasião em

que ocorreu a “Reunião Ampliada Pró-Fórum Estadual de Capoeira do Piauí” e

reativação da “Federação Piauiense de Capoeira”. O evento contou com a

participação de 34 capoeiristas de 10 entidades de capoeira: 1. ACTC; 2. Alforria

Capoeira; 3. Associação Cultural de Capoeira Escravos Brancos; 4. Associação

Cultural de Capoeira Iê Berimbau; 5. Associação Cultural de Capoeira Raízes do

Brasil;6. Associação Cultural de Capoeira Zumbi; 7. Confiança Brasil Capoeira;

8. Escola de Capoeira; 9. Ginga Piauí; 10. Grupo Oscapoeira.

Dentre os mestres participantes destacaram-se: 1. Mestre Albino; 2. Mestre

Corujão; 3. Mestre Diogo; 4. Mestre Oscar; 5. Mestre Touro; 6. Mestre Ulisses.

Estiveram presentes a este ato político as seguintes lideranças e praticantes de

capoeira: 1. Aerton Ezequiel Alves; 2. Alan Duarte; 3. Antonio Cardoso da Silva;

4. Antonio Francisco Ramos; 5. Antonio Francisco Ramos; 6. Carlos Henrique

Andrade; 7. Childerico Robson; 8. Cristiano Soares P. da Silva; 9. Denys Lucas

Barros de Freitas; 10. Fabiano Luper; 11. Francisco C. O. Silva; 12. Francisco de

Assis de Deus; 13. Francisco Marciel da Silva; 14. Geni Carlos da Cruz Barros;

15. Jeovania Evangelista Lima; 16. José Francisco Alves; 17. José Gonçalves

Cordeiro Neto; 18. Luzinan de Sousa e Silva; 19. Marcio Alves da Silva; 20.

Marcio R. Duarte; 21. Maria Eliane Sousa Veras; 22. Natanael Santos da Costa;

23. Paulo Rogério Cardoso de Sousa; 24. Ricardo Henrique C. e Silva; 25.

Robson de Sousa Nascimento; 26. Rogéria Pereira da Cruz Ramos; 27. Rômulo

Thiago de Oliveira Guimarães; 28. Ulisses Soares Ubirajara.

A partir desse encontro com mestres e representantes das diversas entidades de

capoeira, com atuação em Teresina e noutros municípios Piauienses, deliberou-se

a realização da I Reunião do Fórum Estadual de Capoeira para o dia 04 de

fevereiro de 2013, para se discutir o regimento interno e composição

organizacional para atuarem em prol da capoeira no campo da cultura, desporto e

educação como indutor de políticas públicas e de controle social.

https://www.facebook.com/pages/F%C3%B3rum-Estadual-de-Capoeira-do-

Piau%C3%AD/416004545160533?sk=info; http://forumcapoeirapiaui.webnode.com/nossahistoria/

2014 agosto Encontro Nacional de Capoeira, realizado em Teresina durante o último final

de semana. http://redeglobo.globo.com/pi/redeclube/noticia/2014/08/ge-piaui-destaca-oencontro-

nacional-de-capoeira-realizado-em-teresina.html

- SILVA, Robson Carlos da. A CAPOEIRA NOS ESPAÇOS UNIVERSITÁRIOS:

PRÁTICAS E ESTUDOS. O projeto desenvolve suas ações na comunidade dos

bairros Pirajá e Matinha, do entorno social à UESPI, tendo como foco crianças e

jovens em situação de vulnerabilidade social, utilizando como instrumento a

Capoeira, patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro, oferecendo contextos de

desenvolvimento humano apropriado à formação cidadã destes. As ações

envolvem dinâmicas e “conversas na roda” em que se discute temas referentes aos

problemas familiares e sociais que envolvam crianças e adolescentes, trabalhados

por especialistas nas áreas de saúde, direito, psicologia etc. disponível em

http://www.obscriancaeadolescente.gov.br/index.php?view=article&catid=63%3Acat-boaspraticas&

id=458%3Auniversidade-estadual-do-piauiuespi&

format=pdf&option=com_content&Itemid=78

- agosto BERIMBAU DE RENDA é um espaço pensado para fortalecer o movimento

de mulheres capoeiristas. O evento se lança como o 1º Festival de Músicas de

Capoeira direcionado à voz feminina, a ideia é proporcionar uma maior

visibilidade e engajamento das mulheres que cantam e emocionam nas rodas de

Capoeira. BERIMBAU DE RENDA propõe ampliar as possibilidades de cada vez

mais nós mulheres ocuparmos um espaço que também é nosso que por vezes

abrimos mão por insegurança, vergonha ou por não existir um incentivo geral para

que o espaço da mulher na capoeira seja cada vez mais visto e explorado.

BERIMBAU DE RENDA tem um foco no festival de canto, que nessa primeira

edição não será competitiva, porém as músicas participantes deverão ser inéditas,

mas não obrigatoriamente autoral, o evento é também uma plataforma de

encontros entre mulheres capoeiristas, onde toda a essência da capoeira será

abordada por meio de conversas, aulas, rodas e muita música, é claro.

BERIMBAU DE RENDA é inovador e conta com todas e todos os capoeiristas

para que seja um evento lindo, cheio de perfume, cheio de cor e de muito amor

pela Capoeira. Fanpage do evento >>https://www.facebook.com/pages/Berimbaude-

Renda/1449076471988892 Wilena Weronez (artista autônoma)

http://www.revistacapoeira.com.br/2014/02/10/1o-festival-de-musicas-de-capoeiradirecionado-

a-voz-feminina-em-piaui/

- setembro 06 a 07 a cidade de Brasileira vai sediar o Circuito Piauí Norte de Capoeira

Escravos Brancos no Ginásio Poliesportivo. O organizador do evento Thersandro

Meneses, pioneiro no município com a prática de capoeira com o Grupo Escravos

Brancos, garante que vai ser um grande evento “e que é um orgulho para a nossa

cidade, receber grandes nomes da capoeira de todo o Piauí neste circuito”.

- outubro 10 e 11 a Associação Cultural de Capoeira Raízes do Brasil vai realizar o X

Encontro de Capoeira do Litoral em comemoração aos seus dez anos de existência

em Parnaíba. No evento será realizada troca de cordas, formação de monitores,

batizado. Prestigiará o encontro, mestres e contra mestres e professores de outros

estados. A Capoeira Raízes do Brasil de Parnaíba tem sede na Rua Benedito dos

Santos Lima, 108, no Bairro Pindorama.

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