Características Biopsicossociais, Dor Orofacial e Sua Interrelação com Controle Postural em Indivíduos com Deficiência Visual Total

Por: Taisa Vendramini.

2009

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Resumo

O controle postural engloba a postura e o equilíbrio corporal, sendo o resultado de uma complexa interação, e dependente de inúmeros fatores, entre eles, informações dos sistemas proprioceptivo, vestibular e visual. O objetivo deste estudo foi avaliar as características biopsicossociais, a dor orofacial e suas interferências no controle postural em indivíduos com deficiência visual total. A primeira etapa da pesquisa é de caráter descritiva-exploratória (n=21); a segunda, correlacional (n=21); e a terceira, descritiva (n=6), sendo que os sujeitos apresentavam deficiência visual congênita ou adquirida. Os instrumentos utilizados foram o protocolo Research Diagnostic Criteria for Temporomandibular Disorders (RDC/TMD), o software de avaliação postural SAPO®, e uma plataforma de força com freqüência de 1000 Hz, durante 20 segundos. O processamento dos dados e o tratamento estatístico foram realizados com os softwares Excel 2007 e SPSS versão 17.0 for Windows. Obtiveram-se os valores médios de idade 34,5 anos (±11,62), massa corporal 71,26 kg (±14,02), estatura 1,66 m (± 0,09) e índice de massa corpórea (IMC) 26,05 kg/m2 (±4,92). Realizou-se o teste de correlação de Spearman (p≤0,05) e obteve-se correlação entre grau de instrução e renda, mas esta foi inexistente entre a prática de exercícios físicos regulares e o IMC. A dor crônica não foi importante, porém a depressão e a somatização foram freqüentes. Houve diagnósticos apenas no grupo III do protocolo RDC/TMD, tanto nos cegos congênitos quanto nos adquiridos; uni ou bilateralmente. A ocorrência de DTM está correlacionada com a presença de dor crônica, depressão e somatização. Na avaliação postural evidenciou-se a projeção anterior da cabeça, o incremento das curvaturas vertebrais, a inclinação anterior do tronco e vertical do corpo, e antepulsão dos quadris. A partir do padrão sugerido pela literatura para a estabilometria, metade dos indivíduos apresentou valores normais para a variável amplitude de deslocamento ântero-posterior (AMPLAP), e os demais estiveram acima do esperado. Os valores da amplitude de deslocamento médio-lateral (AMPLML), em 100% dos casos, esteve dentro da normalidade; e a área de oscilação, em apenas dois indivíduos acima de 100 mm2. Nada se pode afirmar acerca da área do CoP, visto não haver valor normativo na literatura para a população estudada. Pode-se concluir que a todas as estruturas e segmentos corporais contribuem para a homeostase fisiológica, porém são necessários novos estudos sobre as interferências das características biopsicossociais e da dor orofacial no controle postural de deficientes visuais.

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