Características Cinemáticas do Andar Para Trás em Indivíduos com Hemiparesia

Por: Vanessa Herber.

2009

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.Resumo

O andar para trás (AT) tem sido utilizado corno forma de treinamento locomotor em indivíduos com hemiparesia pós acidente vascular encefálico (AVE). No entanto pouco se sabe sobre as características cinemáticas do AT nesta população. A literatura descreve que na execução do AT é necessária a extensão do quadril combinada com a flexão do joelho, componentes que estão comprometidos nesta população. O objetivo deste estudo é comparar em indivíduos com hemiparesia as variáveis espaço-temporais e angulares entre o andar para frente (AF) e o AT e entre membros inferiores (MMII) no AT. Participaram do estudo 10 indivíduos (56.4±8.4 anos) com hemiparesia crônica (30.6±25,1 meses pós AVE). Os participantes apresentaram comprometimento motor de 25±4.4 pontos no Fugl-Meyer-MI velocidade de marcha de 0.92±0.3 m/s. Marcadores foram colocados no acrômio, trocânter maior do fêmur; côndilo lateral do joelho e maléolo lateral em ambos os lados. Os participantes foram filmados caminhando em uma velocidade confortável em cinco tentativas no plano sagital direito e cinco no esquerdo, nas tarefas do AF e AT. com uma câmera filmadora digital com freqüência de 60 Hz. As variáveis cinemáticas analisadas foram comprimento, duração e velocidade da passada e duração do apoio, além das variáveis angulares do joelho e quadril. Os dados foram submetidos a ANOVA 2X2 [2 direções e 2 lados - MI não afetado (naf) e MI afetado (af)] e posterior contrastes com teste t de Student com correção de Bonferroni. As variáveis angulares foram em seguida submetidas a ANCOVA utilizando-se a velocidade do andar como co-variável. Os indivíduos com hemiparesia apresentam redução do comprimento e velocidade da passada e aumento da duração e do percentual de apoio da passada (p=0,001 para todos) no AT comparativamente ao AF. O MInaf permaneceu mais tempo apoiado tanto no AT quanto no AF. Ambos os MMII apresentaram valores de máxima flexão de joelho (p=0,001 e p=0,005) e máxima extensão de quadril significativamente menor (p=0,001 para ambos) no AT. Em geral, as diferenças na cinemática do quadril entre AF e AT permanecem quando a velocidade é utilizada como co-variável. Com relação à comparação entre os MMII no AT, observou-se que o MInaf apresentou maiores valores angulares (valor de p entre p=0,006 e p=0,009), exceto para máxima extensão do joelho. onde o MIaf apresentou valores maiores dc extensão, isso devido a hiperextensão característica nesta população. A análise qualitativa da coordenação evidenciou um comportamento diferente entre MMII com uma preferência para movimentos simultâneos entre o quadril e joelho para 8/10 participantes assim como uma inclinação anterior do tronco durante o balanço no AT. O AT pode ser utilizado como recurso terapêutico apropriada para somar aos programas convencionais de reabilitação da marcha em indivíduos com hemiparesia. Sugere-se investigar o efeito do treinamento do AT sobre coordenação inter-articular entre quadril e joelho.

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