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Um estudo inédito revela que as zonas do cérebro envolvidas na compreensão das palavras são igualmente accionadas nos praticantes de desporto e nos seus aficionados, o que é uma boa notícia para os "treinadores de sofá".

A conclusão é de um estudo publicado na última edição da revista "Proceedings of the National Academy of Science", divulgado pelo site do jornal espanhol El Mundo. A investigação apurou que atletas e aficionados melhoram as suas habilidades e a sua compreensão da linguagem perante a prática desportiva.


A autora do estudo, a professora de Psicologia da Universidade de Chicago (Estados Unidos) Sian Beilock, salienta o pioneirismo da investigação que conseguiu identificar que "as partes do cérebro normalmente envolvidas no planeamento e controlo das acções também se activam quando os desportistas e os aficionados escutam e intervêm em conversações sobre a actividade desportiva".

"O estudo serviu para demonstrar que "o cérebro na idade adulta é mais flexível do que se pensava", afirma Sian Beilock, citada pelo jornal espanhol. A neurologista Cristina Costa, do Hospital Amadora-Sintra, disse à Lusa que esta conclusão é "muito interessante do ponto de vista da plasticidade do cérebro". Por se tratar de adultos envolvidos na investigação, o estudo veio revelar que "estamos sempre a aprender", adiantou Cristina Costa.

A conclusão é importante porque vem reforçar a capacidade deste órgão do Sistema Nervoso Central se fortificar, o que promove a aprendizagem, disse A investigação envolveu 12 jogadores profissionais de hóquei sobre o gelo, oito adeptos deste desporto, mas que não o praticavam, e nove pessoas que nem jogavam nem viam hóquei.

Os participantes escutaram um conjunto de frases relacionadas ora com o hóquei, ora com actividades quotidianas e, a seguir, viam uma imagem e tinham de dizer se esta estava em consonância com o que tinham escutado, ou não. Tinham ainda de responder a umas perguntas para apurar qual tinha sido o seu grau de compreensão. Ao mesmo tempo, o comportamento do cérebro era seguido através de imagens de ressonância magnética.

As pessoas familiarizadas com a terminologia do hóquei eram também mais rápidas na altura de identificar as acções rotineiras e não relacionadas com o desporto. "O nosso estudo demonstra que actividades não relacionadas com a linguagem, como praticar ou ver desporto, melhoram as habilidades linguísticas e compreensivas, uma vez que activam as zonas do cérebro envolvidas na compreensão das palavras", segundo os actores, citados no El Mundo.

Para a neurologista Cristina Costa, os benefícios do desporto a nível cerebral há muito que foram comprovados, tal como na protecção de doenças como o Alzheimer. Resta agora saber, prossegue a especialista, se os benefícios da actividade cerebral, que é accionada durante a prática desportiva, ou a sua observação, se mantêm a longo prazo. Num país como Portugal, onde o futebol move multidões, esta é uma boa notícia para quem joga e quem vê jogar.

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