Cinemática do Salto Horizontal de Crianças : Proposição de Uma Matriz Biomecânica Para Análise do Padrão Motor

Por: Diogo Cardoso da Silva.

2010

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Resumo

Este estudo descritivo de desenvolvimento tecnológico teve como objetivo principal validar uma matriz biomecânica para análise quantitativa dos padrões motores do salto horizontal de crianças, com base em indicadores cinemáticos. Especificamente: identificar e comparar os ângulos intersegmentares do salto horizontal de crianças entre diferentes estágios de desenvolvimento; determinar os intervalos angulares correspondentes a cada estágio de desenvolvimento motor; testar a validade da matriz quantitativa para avaliação de padrões motores de crianças. Participaram deste estudo 90 escolares, de ambos os sexos, com idade entre 5 e 15 anos, pertencentes à rede de ensino de Florianópolis–SC cujos pais consentirem a participação. Foram utilizados os dados referentes a 3 saltos realizados por cada criança, sempre que possível. As coletas de dados foram realizadas no Laboratório de Biomecânica da UDESC, utilizando-se uma câmera de vídeo, com freqüência de aquisição de 60Hz, a matriz de análise qualitativa do salto horizontal de Gallahue e a sistemática proposta por Estrázulas (2006). As variáveis utilizadas foram os ângulos do joelho, do quadril, do tronco e do membro superior, nas fases de propulsão, vôo e aterrissagem. Após a coleta todos os saltos foram classificados conforme a matriz de Gallahue, utilizando-se a sistemática de Estrázulas (2006), nos mesmos instantes em que os ângulos foram medidos. A partir destes dados foram estipulados os intervalos angulares correspondentes a cada ângulo em cada fase do salto. Os saltos foram novamente classificados segundo seu estágio de desenvolvimento motor, utilizando-se a nova matriz proposta. Para a análise estatística foi utilizada a estatística descritiva: média, desvio padrão, coeficiente de variação, mínimo, máximo, e limites inferior e superior do intervalo de 95% de confiança para a média. Para análise dos diferentes estágios, foi utilizado o teste de Kolmogorov-Smirnov para verificar-se a normalidade dos dados e após o teste ANOVA one way para comparação entre as médias dos três grupos estudados. Quando encontrado diferença estatisticamente significativa para um p≤0,05 foi aplicado o teste de post hoc de Sheffé. Utilizou-se uma análise de curva ROC e o índice de Youden para identificação dos pontos de corte entre os intervalos angulares em cada um dos ângulos medidos. Por último foram utilizados a correlação de Spearman e um teste t de Student para comparar os resultados obtidos entre as duas classificações por estágio de desenvolvimento. O nível de confiabilidade adotado foi de 95%. Na comparação dos ângulos segmentares verificou-se diferenças estatísticas entre todos os estágios de desenvolvimento motor em todas as fases do salto. Foram observados valores para área sob a curva ROC acima de 0,85 em todas as comparações. A diferença entre as médias angulares observadas entre as formas de avaliação do estágio motor, quando existiram, foram muito pequenas. Concluiu-se que os segmentos corporais apresentaram diferentes estágios de desenvolvimento motor e que ângulos de joelho, quadril, tronco e membro superior mostraram ser bons indicadores do posicionamento dos segmentos corporais, discriminando o estágio de desenvolvimento motor das crianças deste estudo. Por fim, a matriz proposta permite classificar crianças nos diferentes estágios de desenvolvimento motor.

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