Comparação da Marcha em Ambiente Aquático Entre Homens e Mulheres

Por: Gustavo Ricardo Schutz.

58 Reunião Anual da SBPC

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INTRODUÇÃO:

São diversas as condições em que a fisioterapia aquática pode se beneficiar com a diminuição da força resultante e conseqüentemente menor sustentação do peso, dentre estas condições, podem ser citados os processos de recuperação funcional das fraturas de fêmur e tíbia, dos pós-operatórios de próteses, das reconstruções de ligamentos e tendões, dos problemas de coluna, etc. Para tanto, deve-se saber quanta carga o indivíduo pode suportar e prescrever a devida profundidade de imersão e situação em que deve realizar a marcha subaquática. Outro profissional que está envolvido com a prescrição de atividades aquáticas é o educador físico durante a hidroginástica. Uma questão que cabe a estes dois profissionais é se o sexo do paciente/aluno, uma vez que a porcentagem de massa magra e gordura geralmente é diferente entre os sexos feminino e masculino, influencia na redução da força resultante. Assim, este trabalho objetivou analisar a componente vertical e ântero-posterior da curva de força de reação do solo (FRS) na marcha subaquática entre os sexos feminino e masculino. Faz-se esta análise com o intuito de verificar se existe a necessidade de prescrever a atividade de forma diferenciada entre os sexos masculino e feminino no que tange a força resultante na caminhada dentro da água.


 METODOLOGIA:


Em uma piscina térmica (30±1oC) foi colocada uma passarela de 6,15m de comprimento contendo as duas plataformas de força subaquáticas. Foi adquirida a FRS nas componentes vertical e antero-posterior numa taxa de amostragem de 600Hz. As plataformas de força foram posicionadas a 3,5m do início da passarela, foi deixado um espaço de 0,15m entre as passarelas para melhor ajustar-se ao comprimento da passada dos sujeitos. Participaram da pesquisa 60 sujeitos (28 mulheres e 32 homens). A profundidade da água foi de 1,30m. Foi escolhida essa profundidade de imersão porque corresponde ao nível do esterno nos sujeitos que participaram deste trabalho.

Assim, os sujeitos foram divididos em dois grupos: (1) masculino e (2) feminino. Como o objetivo do estudo foi analisar a diferença na FRS entre os sexos foi aplicado o teste Shapiro-Wilk para a normalidade dos dados de idade, estatura, nível de imersão, massa corporal e densidade corporal nos grupos 1 e 2. Para manter os dados com uma distribuição normal restaram 7 participantes em cada grupo. Foram excluídos todos os participantes que alteravam os critérios de normalidade dos dados. Para o controle da velocidade foi utilizado um metrônomo digital. Esta velocidade foi verificada posteriormente através da cinemetria com uma câmera digital. Cada sujeito realizou quatro passagens na passarela, uma para cada situação do estudo. Foram adquiridas 16 curvas de força por sujeito para cada componente vertical e antero-posterior.


RESULTADOS:

A velocidade da caminhada lenta ficou em 0.42m/s e a rápida ficou em 0.55m/s. Na velocidade lenta o valor da FRS para o grupo masculino ficou em 0.24Peso Corporal (PC) e no feminino em 0.19PC para o primeiro pico de força (PPF), a deflexão ficou em 0.17PC no masculino e 0.12PC no feminino, o segundo pico de força (SPF) ficou em 0.21PC no masculino e 0.17PC no feminino, não ocorreram picos negativos em Fx e o positivo foi de 0.07PC para ambos os grupos. Para a velocidade rápida os valores foram de 0.25PC no grupo masculino e 0.18PC no feminino para o PPF, a deflexão ficou em 0.12PC no masculino e 0.09PC no feminino, o SPF ficou em 0.22PC no masculino e 0.19PC no feminino, não ocorreram picos negativos em Fx e o positivo foi de 0.13PC para o masculino e 0.11PC para o feminino. Houve diferença significativa para o PPF e para a deflexão da curva nas duas velocidades. A velocidade da marcha fez com que a deflexão diminuísse e os valores dos picos aumentassem, tornando a curva mais semelhante ao "M" da marcha fora da água.


 CONCLUSÕES:


Ocorreram diferenças significativas no primeiro pico e na deflexão da curva, assim pode ser sugerido que os homens fazem o contato inicial com o solo diferente do que as mulheres, mas na fase de propulsão não existem diferenças significativas nos valores das forças.

Para a prescrição do exercício o profissional deve ter cuidado, principalmente na reabilitação aquática onde esta pequena diferença na força pode ser o sucesso ou o fracasso de um tratamento.

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