Comparação da Razão da Taxa de Desenvolvimento de Força dos Músculos Flexores e Extensores do Joelho com as Razões Convencional e Funcional em Jogadores de Futebol

Por: Wendell Lima da Silva.

2013 23/09/2013

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Resumo

A razão de pico de torque convencional, que considera a razão entre o pico de torque dos músculos flexores do joelho (FL) e extensores do joelho (EX) (FLcon:EXcon), como também a razão de torque funcional (FLexc:EXcon), que leva em conta o pico de torque excêntrico dos FL e o pico de torque concêntrico dos EX têm sido utilizadas como parâmetros de análise da capacidade de estabilização da articulação do joelho, já que um desequilíbrio entre a força desenvolvida por estes músculos é considerado um potencial fator para as lesões dos FL e do ligamento cruzado anterior. A razão da taxa de desenvolvimento de força (TDF) dos músculos FL e EX (FLtdf:EXtdf), expressa a capacidade de estabilização rápida em movimentos explosivos, e tem sido também proposta para analisar a capacidade de estabilização do joelho, já que muitas vezes o tempo necessário para esta estabilização é bastante curto. Como algumas lesões ocorrem muitas vezes em condições de fadiga, a análise da capacidade de estabilização do joelho nestas condições pode ser também um importante parâmetro de análise neuromuscular em atletas. Portanto, os objetivos deste estudo foram: 1) Analisar a relação entre as razões calculadas por meio dos valores de pico de torque concêntrico (FLcon:EXcon) e de TDF (FLtdf:EXtdf), e; 2) Analisar o efeito de um exercício intermitente exaustivo específico do futebol nas razões FLcon:EXcon, FLexc:EXcon, FLisom:EXisom e FLtdf:EXtdf. Participaram do estudo, 39 jogadores profissionais de futebol, com pelo menos 5 anos de experiência na modalidade. Os indivíduos realizaram os seguintes procedimentos, em diferentes dias: 1) Familiarização ao equipamento isocinético e determinação das medidas antropométricas. Na sessão de familiarização os atletas realizaram 2 contrações isométricas máximas e 5 contrações   contrações isocinéticas máximas excêntricas e concêntricas para os FL e EX, em um dinamômetro isocinético nas velocidades de 60°.s-1 e 180°.s-1, e; 2) Contrações máximas concêntricas, excêntricas e isométricas, como descrito no item 1, antes e após um exercício exaustivo específico do futebol no laboratório. Os testes nas contrações isométrica e isocinética foram realizados em ordem aleatória. O exercício intermitente foi realizado em uma esteira rolante e consistiu de diferentes intensidades que são observadas em uma partida de futebol. Para analisar a relação entre a razão da FLtdf:EXtdf e da FLcon:EXcon, os voluntários (N = 39) foram ranqueados de acordo com a razão FLcon:EXcon. A FLtdf:EXtdf foi obtida por meio da razão entre a TDF dos FL e dos EX. A FLcon:EXcon foi obtida por meio da razão entre o pico de torque dos FL e dos EX a 60.s-1 e a FLexc:EXcon foi obtida por meio da razão entre o pico de torque excêntrico dos FL e o pico de torque concêntrico dos EX a 180.s-1. A TDF foi considerada como a inclinação média da curva momento-tempo, e foi calculada nos intervalos de tempo de 0-50 e 0-100 ms relativos ao início da contração muscular. Os picos de torque isométrico (FL) e concêntrico (FL e EX) e a TDF (FL) foram significantemente maiores no grupo GA do que no GB. Da mesma forma, a FLcon:EXcon (0,52  0,03 e 0,68  0,02) e a FLtdf:EXtdf (0,43  0,16 e 0,54  0,12) foram significantemente maiores no grupo GA do que no GB. Porém, não houve correlação significante entre a FLcon:EXcon e a FLtdf:EXtdf em ambos os grupos GA (r = -0,45) e GB (r = 0,22) (p > 0,05). Houve redução significante da FLcon:EXcon (Pré= 0,60  0,06, Pós = 0,58  0,06) e na FLexc:EXcon (Pré = 1,29  0,2, Pós = 1,16  0,2) após o exercício intermitente específico do futebol (p < 0,05). Porém, a FLtdf:EXtdf nos intervalos a 50 ms (Pré = 0,53  0,23, Pós = 0,57  0,24) e 100 ms (Pré = 0,53  0,17 e Pós = 0,55 0,17) não foi modificada após o exercício intermitente específico do futebol (p > 0,05). Portanto, jogadores profissionais de futebol com diferentes FLcon:EXcon tendem a apresentam comportamento similar na FLtdf:EXtdf. Porém, os significados fisiológicos e clínicos destas razões para a avaliação da capacidade de estabilização da articulação de um jogador podem ser diferentes. Além disso, as razões calculadas por meio do pico de torque são mais sensíveis à fadiga do que as razões calculadas por meio da TDF. Portanto, um exercício intermitente específico do futebol, parece gerar redução da capacidade de proteção da articulação do joelho somente na fase tardia da contração.

Endereço: http://www.acervodigital.unesp.br/handle/unesp/68632

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