Comportamento do Andar de Idosos com Doença de Parkinson Sob Influência de Diferentes Alturas de Obstáculo

Por: A. M. Baptista, D. Orcioli-silva, F. A. Barbieri, L. Simieli, , P. Santos, R. Vitório e V. Pereira.

IX Congresso Internacional de Educação Física e Motricidade Humana XV Simpósio Paulista de Educação Física

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Resumo

A maioria das quedas em idosos ocorre durante a ultrapassagem de obstáculos. Para realizar a ultrapassagem, os idosos realizam o planejamento a três passos do obstáculo (fase de aproximação). Qualquer prejuízo na fase de aproximação pode prejudicar a ultrapassagem e aumentar a chance de contato com o obstáculo, podendo resultar em quedas. Idosos com doença de Parkinson (DP) apresentam déficits sensório-motores que podem prejudicam a interpretação do ambiente e a fase de aproximação. Apesar disso, poucos estudos anteriores analisaram a fase de aproximação, especialmente com manipulação da altura do obstáculo. Assim, o objetivo do estudo é analisar os parâmetros espaço-temporais da fase de aproximação de idosos com DP e neurologicamente sadios sob influência de diferentes alturas de obstáculos. Participaram 28 idosos, distribuídos em dois grupos: 15 indivíduos com DP (70,66±6,55 anos; H&Y=1-3) e 13 indivíduos neurologicamente sadios (71,53±5,42 anos). O protocolo experimental consistiu em o indivíduo percorrer uma passarela de 8m em velocidade preferida. O ponto de saída dos participantes foi ajustado de modo que a ultrapassagem fosse realizada com a perna direita. Os idosos realizaram 4 condições: andar sem obstáculo, andar com obstáculo baixo (altura do tornozelo), andar com obstáculo intermediário (obstáculo alto + obstáculo baixo/2) e andar com obstáculo alto (metade da altura do joelho). Foram avaliados os 4 passos anteriores a ultrapassagem e foram calculados os seguintes parâmetros através do GaitRite®: comprimento (cm), largura (cm) duração (s) e velocidade do passo (cm/s), duração do suporte simples (%) e duração do duplo suporte (%). Foi aplicada uma MANOVA com fator para grupo e condição. Em caso de interação, testes post hoc foram utilizados. A MANOVA revelou interação entre os fatores (p<0,05) para duração do passo e porcentagem da duração do duplo suporte. Também houve efeito principal para altura do obstáculo, em que o obstáculo alto aumentou a duração do suporte simples e do duplo suporte. Para o obstáculo baixo, os idosos diminuíram a velocidade do passo. Para interação, o teste post hoc indicaram que idosos com DP apresentaram maior duração do passo em todas as condições, exceto para o obstáculo baixo. Além disso, este grupo apresentou maiores valores de porcentagem de duração de duplo suporte em relação ao grupo controle em todas as condições. Pode-se concluir que os idosos com DP, devido aos déficits sensório-motores que prejudicam a interpretação correta do ambiente, necessitam aumentar os valores temporais antes da ultrapassagem, aumentando a quantidade de informação absorvida do ambiente. Ainda, obstáculos altos demandam maior tempo na fase de aproximação, enquanto obstáculos baixos requerem uma menor velocidade do passo, independente do grupo, indicando uma precaução nessa fase anterior a ultrapassagem.

Endereço: http://www.periodicos.rc.biblioteca.unesp.br/index.php/motriz/article/view/10060/10060

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