Comportamentos de Risco Para a Saúde na População Adulta de Maringá, Paraná

Por: Paulo Tsuneta.

2010 12/02/2010

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Resumo

As intensas modificações socioeconômicas e tecnológicas ocorridas nas últimas décadas proporcionaram mudanças importantes no modus vivendi (trabalho, transporte, tarefas domésticas, lazer e tempo despendido em atividades passivas realizadas em posição sentada) e no perfil epidemiológico da maioria das populações. Em sendo assim, a atividade física e a alimentação, enquanto componentes do modus vivendi saudável, constituem-se na atualidade como componentes fundamentais entre os determinantes de promoção da saúde. A busca por evidencias cientifica para estes pressupostos tem motivado crescente preocupação em analisar os hábitos associados a pratica de atividade física, na tentativa de estabelecer indicadores referenciais que possam contribuir para a monitoração do estado de saúde e qualidade de vida dos indivíduos. Desta forma, o presente estudo de corte transversal, de base populacional em nível domiciliar, objetivou identificar informações referentes aos comportamentos de risco para a saúde na população adulta da cidade de Maringá, Paraná. A população de referência para o estudo inclui habitantes de ambos os gêneros, com idades >15 anos, residentes em Maringá, Paraná, no ano de 2008, estimada em 210 mil habitantes. O tamanho da amostra foi estabelecido assumindo intervalo de confiança de 95%, erro amostral de 3% e acréscimo de 10% para atender eventuais casos de perdas na coleta dos dados. A amostra foi selecionada aleatoriamente, em duplo estágio, sendo o primeiro estágio os setores censitários e os domicílios como unidades do segundo estágio, composta por 2656 sujeitos. As informações levantadas envolveram quatro seções: a) seção relacionada aos indicadores sociodemográficos, em que foram levantadas informações quanto ao gênero, à idade, à classe econômica familiar e medidas relatadas de peso corporal e estatura; b) fatores comportamentais relativos ao uso de tabaco, consumo de bebidas alcoólicas e percepção quanto ao estado atual de saúde; c) a prática habitual de atividade física obtida por intermédio do Questionário Internacional de Atividade Física (IPAQ), versão longa, tendo como referência a última semana; e d) informações relacionadas aos hábitos alimentares obtidas pelo questionário proposto pelo inquérito VIGITEL Brasil 2006. As proporções de sujeitos reunidos nas categorias de percepção do estado de saúde, consumo de bebidas alcoólicas, uso de tabaco, hábitos alimentares e prática de atividade física foram analisadas mediante tabelas de contingências, envolvendo o teste não-paramétrico de quiquadrado (X2) para tendência linear para identificação das diferenças estatísticas entre os indicadores sociodemográficos. Os resultados propiciaram a identificação de comportamentos de risco que acometem a população em função de gênero, idade e classe econômica familiar. Em relação à percepção do estado de saúde os sujeitos de idades mais avançadas e de classe econômica familiar menor foram os que apresentaram proporção mais elevada de percepção negativa, não ocorrendo diferenças significativas entre gêneros. O tabagismo apresentou indicadores de maior prevalência entre homens e sujeitos de classe econômica familiar menos privilegiada, apresentando crescimento regular até os 54 anos. O consumo regular de bebida alcoólica mostrou-se mais disseminado também nos homens e entre os mais jovens, não apresentando diferenças que possam ser consideradas entre classes econômicas familiar. Os indicadores de sobrepeso apontaram crescimento com avanço da idade e proporção mais elevada entre homens. A obesidade também apresentou crescimento com avanço da idade; porém, proporção de prevalência similar em ambos os gêneros. Classe econômica familiar não apresentou impacto significativo na ocorrência do excesso de peso corporal. O consumo de alimentos saudáveis, frutas e hortaliças, de forma geral, apresentaram menor consumo entre homens, em sujeitos de classe econômica familiar menos favorecida e em idades mais jovens. No outro extremo, o consumo de alimentos não-saudáveis, consumo de carne com excesso de gordura, leite integral e refrigerante, são homens, sujeitos mais jovens e de classe econômica familiar menos favorecidas os que apresentaram maior consumo. Referente à atividade física, os dados reunidos no estudo apontaram que mulheres, sujeitos de idades mais avançadas e de classe econômica familiar menos favorecida foram os que apresentaram maior proporção de classificados como insuficientemente ativos. 

Endereço: http://www.bibliotecadigital.uel.br/document/?code=vtls000161106

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