Comunicação e Mídia no âmbito do Conhecimento e Intervenção em Educação Física

Por: Fernando Gonçalves Bitt e .

Educação Física/ciências do esporte: intervenção e conhecimento.

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Comunicação e mídia no âmbito do conhecimento e intervenção em Educação Física*
por Giovani de Lorenzi Pires e Fernando Gonçalves Bitt - publicado em 17/01/2007

“uma das coisas mais lamentáveis para um ser 
humano é ele não pertencer ao seu tempo. 
É se sentir, assim, um exilado no tempo (...) 
Sou um homem da televisão e do rádio também. 
Assisto a novelas e aprendo muito, criticando-as” 
Paulo Freire

I. Introdução

As Ciências da Comunicação e principalmente o seu campo aplicado dirigido às massas - a mass media - colocam-se hoje como âmbitos que extrapolam o conceito tradicional de área disciplinar, perpassando e influenciando grande parte do espectro acadêmico de produção de conhecimento e intervenção. Sua importância social estava inicialmente relacionada ao papel necessário de informar/formar a opinião pública com vistas ao aperfeiçoamento da sociedade democrática burguesa (Habermas, 1984). A valorização deste espaço público como instância de veiculação de estratégias de reconhecimento e adaptação às regras de comportamentos sociais desejáveis para a vida societária implica em tratamento diferenciado às instituições e profissionais desta área. Tanto é assim que, ainda hoje nos regimes totalitários em geral, a imprensa engajada ou submissa aos propósitos destes regimes é sempre distinguida com benesses do poder, ao passo que os órgãos de comunicação de massa e os jornalistas que tentam manter sua autonomia e implementar ações direcionadas à garantia dos direitos de cidadania, em não poucas ocasiões, sofrem retaliações as mais diversas. Os recentes bombardeios da OTAN às antenas e instalações de rádio e televisão do governo sérvio em Belgrado conferiram aos meios de comunicação caráter de “alvos de guerra”, tamanha sua importância para as forças de resistência e propaganda ideológica nacionalista.

A crise aguda do capitalismo e sua tentativa de renovação conservadora, através de diferentes mecanismos de produção e acumulação flexíveis, gerou um novo conceito de cidadania tutelada, em que cidadão é quem consegue inserir-se no mercado, tornar-se consumidor. Com isso, além de veicular valores e atitudes necessários ao projeto ideológico da cultura de consumo, o papel da mídia passa a ser também o de disponibilizar na forma de mercadoria a produção humana tanto material como simbólica. O avanço da tecnologia aplicada aos meios de comunicação de massa consegue atribuir a esta produção transformada em mercadoria tratamento estético que a torna irresistível ao consumidor, gerando inclusive novas necessidades de consumo.

À mídia é atribuído ainda papel co-adjuvante no processo de banalização e mercadorização da cultura. A produção standardizada e serializada de bens culturais visa atender a camadas segmentadas de consumidores de diferentes níveis de poder aquisitivo, conforme já denunciada por Adorno e Horkheimer (1985), através do conceito de indústria cultural. Por meio dos mecanismos de reprodução e consumo virtuais, conforma-se hoje um mercado mundializado que comercializa simbolicamente informação e entretenimento, amplamente apoiado no poder midiático de divulgação, que institui globalmente a chamada sociedade-espetáculo; espetáculo esse que, por sua própria condição, é muito mais visual do que auditivo, muito mais emocional do que reflexivo ou compreensivo.

Consolida-se, assim, a televisão como principal veículo de massa, pautando e trazendo a reboque as demais mídias, num processo que Bourdieu (1997) denomina circularidade circular da informação: os jornais e rádios dão destaque e ampliam hoje as notícias televisivas de ontem à noite, que retornam à pauta do noticiário noturno conforme sua repercussão durante o dia; e assim até que se esgotem as informações “quentes” ou que novos temas assumam este espaço. Desta forma, soa familiar a afirmação de Vilches (1997) que sugere serem os efeitos sociais das modernas tecnologias midiáticas decorrentes muito mais das mudanças no processo (modo) de produção e veiculação da informação do que propriamente dos seus conteúdos. Será que o meio virou a mensagem, como antecipou McLuhan?

No campo da já referida espetacularização midiática da realidade, parece ser indiscutível a importância adquirida pelo esporte, considerando-se aqui o fenômeno polissêmico do seu conceito adotado na mídia (Betti, 1998). Do jogo final do Campeonato Brasileiro de Futebol à aventura de descer cachoeiras seguro por cordas, tudo é esporte, tudo é imagem, tudo é emoção, enfim, tudo é espetacular ! Dumazedier (1979) refere-se ao esporte como um dos mais apropriados eventos para a mídia, em vista da indeterminação prévia dos resultados e da sensação de interatividade que o espetáculo esportivo confere ao (tele)espectador: “a peça não é escrita antes de ser representada, mas sim concomitantemente; e o público, mais do que em qualquer outro espetáculo, tem a impressão de que contribui para a escrita, compartilhando, em espírito e em gesto, as esperanças e angústias dos atores” (p.10), ainda que o faça a quilômetros de distância, diante do tubo de imagem do seu televisor.

Os projetos de investigação e intervenção profissional desenvolvidos no âmbito da cultura de movimento ou, mais especificamente, da cultura esportiva não podem prescindir ou desconsiderar as informações e os conhecimentos sobre este campo que são produzidos através da mídia. Desta forma, torna-se evidente a interface que se constitui entre a área das Ciências da Comunicação Social e a Educação Física/Ciências do Esporte, tendo o esporte e as práticas corporais (se quisermos adotar o conceito mais restrito de esporte) como ponto fulcral desta relação. E isto tem sido percebido pelas duas áreas. Tanto é assim que, antecipando-se à burocracia das instituições acadêmicas, as respectivas sociedades científicas (CBCE e INTERCOM[4] <http://cev.ucb.br/cbce/gtt/esportemidia/xii/comunicacao.htm>) criaram grupos de trabalho específicos, visando caracterizar e aprofundar esta interação.

No âmbito do Colégio Brasileiro de Ciências do Esporte, o surgimento do GTT EF/Esporte, Comunicação e Mídia decorreu da restruturação organizacional do X CONBRACE (Goiânia, 1997), quando as sessões de temas-livres foram substituídas pela atual dinâmica dos grupos de trabalho temáticos. Os estudos apresentados naquela primeira reunião são aqui revisitados, através das publicações veiculadas pelos Anais do evento. A necessidade de se investir na construção de identidade própria para o grupo temático (observação que se depreende justamente da reflexão sobre os trabalhos do GTT) levou à produção de ementa que é explicitada e comentada logo a seguir. Para concluir, são apresentados algumas propostas de intervenção possíveis para a Educação Física/Ciências do Esporte, decorrentes de estudos que vem sendo desenvolvidos em programas de pós-graduação e de iniciativas institucionais na área educacional.

II. Revisita aos trabalhos do GTT EF/Esporte, Comunicação e Mídia no X CONBRACE

Esta breve releitura dos assuntos tratados neste GTT por ocasião do último CONBRACE, decorrem da dupla tarefa de, por um lado, resgatar, mesmo que sucintamente, as primeiras discussões travadas no âmbito deste GTT, para, em seguida, estruturando sua ementa, ajudar a subsidiar as discussões sobre a direção que o mesmo deve tomar. Com o cuidado de não transformar a ampla área de investigação possibilitada pelo assunto num “vale tudo”, os temas giraram em torno das diferentes mídias e suas relações com a Educação Física e Esportes, suscitando questões sócio-culturais, políticas, pedagógicas, de administração e marketing, históricas e filosóficas. Esta vasta abordagem se deve ao amplo espectro de interesses que hoje permeiam nossa área de conhecimento e que convergem com o interesse pela sociedade “midiada” (Thompson, 1995). Os assuntos passearam pelas diferentes possibilidades comunicacionais, viajando por estudos vinculados a TV, a mídia impressa e a informática. Faremos esta revisita abordando o conjunto de trabalhos apresentados/debatidos no Congresso[5] <http://cev.ucb.br/cbce/gtt/esportemidia/xii/comunicacao.htm> distribuídos em quatro áreas de estudo, que foram arbitrariamente por nós sistematizadas.

Como primeira área a destacar está a relacionada ao marketing. Os estudos envolvendo esta atividade ligada a prática desportiva têm tido considerável importância para os profissionais de Educação Física, notadamente entre os estudiosos da administração. Com este enfoque, dois trabalhos se destacaram. Em “Marketing no futebol - a saída para a crise”, é produzida análise do futebol brasileiro, refletindo sobre a necessidade de sua modernização. Ao identificar as dificuldades por que passam os clubes para cumprir seus compromissos financeiros, aponta os incrementos nas estratégias de marketing como possibilidade de superação das suas crises de receitas. Ademais, infere que a profissionalização das diferentes áreas que cercam este esporte, incluindo aí as dos profissionais de Educação Física, melhor organização dos torneios e campeonatos a partir de calendários melhor estruturados, associados às estratégias de marketing devem repercutir positivamente no futuro do futebol brasileiro. Num segundo estudo, “Uma Nova Imagem para o Centro Esportivo Miécimo Silva”, preocupado em envolver a comunidade local e apoiando-se na idéia de “marketing social”, o autor propõe transformar a imagem do Centro em algo positivo e útil. Partindo de um planejamento compartilhado entre Governo, Comunidade Empresarial, Entidades Esportivas e Cidadãos, traça série de procedimentos para modificar o quadro de “abandono e destruição” em que se encontra o centro, tornando-o acessível e agradável ao público alvo determinado - professores e estudantes, atletas e desportistas (incluindo a mídia), população da região, entre outros.

Um segundo grupo de trabalhos, que denominamos de mídia informativa, remete-nos ao estudo da interferência da mídia na construção e desenvolvimento de diferentes percepções sobre o objeto da Educação Física/Ciências do Esporte. O trabalho de cunho histórico, “Nacionalismo e o Homem Brasileiro na Revista Educação Physica (1932-1945)”, descortina como a ideologia nacionalista era incutida, baseada na idéia de “um povo brasileiro” saudável e defensor da pátria. Através dos artigos desta revista, os discursos engendrados com este fim, serviriam à legitimação da Educação Física. “A Mídia Impressa e o ‘Futebol de Saias’ no Brasil: Uma Análise dos Jogos Olímpicos de Atlanta 1996”, discute as relações entre a categoria gênero e a aquela modalidade esportiva na imprensa escrita. Investigando os noticiários de diferentes periódicos, os autores identificam o discurso machista, preconceituoso e carregado de estereótipos sexistas destes veículos, quando tratam do futebol. As comparações entre a atuação feminina e a masculina, o desprestígio e caráter folclórico do primeiro mais a sua inclusão no mundo dos negócios têm influenciado o desenvolvimento deste, suscitando uma questão relevante: “o incremento do futebol feminino é uma conquista das mulheres ou uma concessão dos homens baseada na lógica do capital?”

“A Mídia no Voleibol Brasileiro Masculino” preocupou-se em analisar a participação da mídia no desenvolvimento deste esporte no Brasil. Com a chegada de grandes patrocinadores, o nível técnico-tático do voleibol brasileiro alcançou o das principais potências do esporte e rendeu bons resultados. As mudanças na estrutura do jogo para adaptar-se aos padrões televisivos, mais a criação de atletas ídolos, entre outros aspectos, evidenciam o poder da mídia na transformação do, agora produto, voleibol. Em “A mídia na Construção Social do Rodeio-Esporte”, identifica-se, na esportivização do rodeio, a “ponta de um iceberg” do imenso mundo country hoje midiatizado e mercadorizado. Programas televisivos e revistas especializadas tratam de música, roupas, cavalos, fazendas, rodeios e do estilo de vida country/sertanejo, acentuando uma identidade cuja cultura se associa cada vez mais à produção de mercadoria. O Rodeio-Esporte é apresentado como um ícone desta nova comunidade.

A terceira área na qual os trabalhos foram agrupados a denominamos novas tecnologias, basicamente vinculada à Informática e seu caráter aplicado. “Brincadeiras de Ontem e de Hoje: os jogos populares no espaço e no tempo ao redor do mundo”, apresenta um projeto cujo objetivo é “identificar, vivenciar, registrar e divulgar” brincadeiras populares através do ambiente “Kidlink” na Internet, redimensionando o espaço-tempo da troca de experiência com outras comunidades, integrando diferentes disciplinas como a Educação Física, a História, a Geografia e as Línguas. Já “A Prática Pedagógica em Questão: possibilidades no trato com o conhecimento no projeto expressão - Kidlink House Espaço e Ciência”, apresenta pesquisa em andamento que trata de investigar as possibilidades pedagógicas, a produção de novos conhecimento e as situações de aprendizagem quando da utilização das modernas tecnologias, no âmbito da Cultura Corporal. O eixo norteador da prática pedagógica é a elaboração e produção do conhecimento a partir dos alunos e sua capacidade crítica, em que a tecnologia informacional aparece como uma ferramenta para este fim. Em “Fundamentos Teóricos Metodológicos Para o Estudo da Mediação da Experiência Lúdica Pela Tecnologia”, o autor, baseado em Marx - “O Trabalho Alienado” -, e preocupado com a sobreposição do brinquedo eletrônico/computador ao brinquedo artesanal e as brincadeiras e jogos tradicionais, reflete sobre a experiência lúdica da criança (“adultocênctrica”) mediada pela tecnologia, e as possibilidades teórico-metodológicas desta mediação.

O quarto e último grupo de trabalhos foi denominado de reflexão teórica, pois, de maneira menos específica, trata de discutir as influências da moderna sociedade informacional sobre a cultura mundializada, a Educação Física e os esportes. “O Esporte Globalizado e a Cultura de Consumo” e “Globalização, Cultura Esportiva e Educação Física: primeiras aproximações” partem da idéia do ‘encolhimento do mundo’, viabilizado pelos meios de comunicação e transporte, abordando, inicialmente, o paradoxo: cultura local versos cultura universal, representada esta última, pela cultura de consumo, conseqüência da mercadorização do mundo. O primeiro trata ainda do fluxo contínuo de imagens e signos - a hiper-realidade baudrillardiana - que associa produtos e serviços à imagem dos novos “cow boys” , os atletas, confundindo sonho e realidade, criando hábitos e mitos, vendendo carros e bebidas, através da Indústria Cultural. A questão é, quais as possibilidades da Educação Física frente a esta avassaladora estratégia do capital? O segundo, na mesma trilha, investiga as responsabilidades que se apresentam à Educação Física em vista da cultura esportiva decorrente desta mundialização e da mediação dos mass-media, sugerindo os princípios da Concepção Crítico-Emancipatória sistematizada por Kunz (1994), para refletir criticamente e intervir sobre este fenômeno. Defende a idéia de que instrumentalizar técnica e comunicativamente para o esclarecimento dos cidadãos deve ser nossa tarefa pedagógica com vistas à emancipação.

III. Em busca de identidade para o GTT EF/Esporte, Comunicação e Mídia

Por muito tempo, a Educação Física/Ciências do Esporte em nosso país olhou a mídia esportiva apenas com olhos apaixonados de torcedor. Para além de qualquer possibilidade de reconhecer nas informações nela veiculadas um conhecimento a ser apropriado e transformado para intervenção, destacava-se sobretudo o seu aspecto impactante, produtor de reações emocionais e acríticas entre os profissionais da área, que pouco ou em nada diferiam das atitudes do cidadão comum diante do fenômeno esportivo tecnologicamente mediado. O esporte era, então, questão de interesse estratégico do Estado, importante aos projetos ideológicos internos e externos dos governos impostos pelo regime militar, como o da promoção da imagem de coesão nacional. A divulgação de grandes programas de esporte e atividades físicas (EPT, Mexa-se, JEB´s, entre outros) planejados e financiados pelo Estado, também se utilizou largamente da tecnologia comunicacional, desde a veiculação de relatos de ações regionais, normalmente descontínuas e isoladas, até a transmissão ao vivo de finais das competições escolares.

Posteriormente, no bojo da crítica geral às instituições que, no entender dos intelectuais de sociedade que buscava sua redemocratização, teriam contribuído para a implementação e manutenção do regime militar por um quarto de século, a grande imprensa em geral (e a rede Globo de televisão, de modo especial) foi acusada de forjar realidade que levava à desmobilização da resistência e ao conformismo ingênuo. Era o conceito auto-defensivo da “manipulação” dos meios de comunicação, tese das esquerdas da Europa Ocidental dos anos sessenta (Enzensberger, 1979), aplicado à realidade brasileira. Novamente embarcamos com pouca reflexão neste processo de denúncia e satanizamos a mídia esportiva e seu filho mais dileto, o esporte-espetáculo, imputado como prova material da alienação imposta. Todavia, tempos depois, fomos buscar nas experiências bem sucedidas deste mesmo campo o marketing como ferramenta que subsidiasse o ingresso dos profissionais da área nas novas alternativas de trabalho - clubes, academias, clínicas -, que emergiram quando a escola e o serviço público em geral deixaram de ser a principal fonte de absorção dos egressos da formação acadêmica. A ânsia de disputar espaço na chamada economia de mercado levou-nos, uma vez mais, à apropriação acrítica e aligeirada destes instrumentos tão bem utilizados pela mídia, sem percebermos nossa adesão não somente às regras do mercado, senão ao próprio modelo de sociedade que por elas se orienta.

Na mesma linha de raciocínio, estabeleceu-se também crítica à mais recente tecnologia de informação e de comunicação[6] <http://cev.ucb.br/cbce/gtt/esportemidia/xii/comunicacao.htm>, a rede mundial de computadores - Internet. Entre outros, sociólogos europeus de esquerda a classificaram como nova estratégia de controle concebida pelo imperialismo americano e acusaram de estar a serviço da globalização excludente, pelo fato de ser restrita ao uso daqueles que dispõem de acesso ao computador. Igualmente, criticou-se o isolamento provocado nos “internautas”, que os estariam distanciando das relações de contato humano. O contraponto é liderado pelo principal intelectual do “cyberspaço”, Pierre Lévy, que batiza a Internet de “nova arquitetura dos espaços de comunicação”, onde se compartilharia uma “inteligência coletiva, em oposição à cultura verticalizada na qual vivemos até agora” (apud Moraes, 1997, p.46). Sem entrar no mérito deste debate (que ainda está longe de se encerrar !), parece legítimo que se reconheça a atuação da Internet a partir das duas categorias-chaves da comunicação: a) a informação de massa, representada pelas páginas da web (sites) que disponibilizam para acesso individual conjunto de dados, inclusive com pontes (links) para outros pontos de consulta; b) a comunicação interativa, interpessoal e virtual, via correio eletrônico (e-mail) e programas de bate-papo (chats), que originam grupos de discussão por temática de interesse ou como forma de entretenimento.

Qual deveria ser então o procedimento a ser adotado pelos profissionais da área de Educação Física/Ciências do Esporte diante da mídia e das modernas tecnologias comunicacionais relacionadas ao campo do esporte e da atividade física? Como aproveitar as inúmeras possibilidades de aperfeiçoamento da intervenção profissional que elas podem nos oferecer, sem necessariamente subsumirmo-nos ao projeto social das forças que as controlam? Ainda mais: como nos apropriarmos do enorme potencial revolucionário dos meios de comunicação de massa para a ação emancipatória coletiva e auto-organizada que sugere Hans Enzensberger (op.cit.) ?

Evidentemente, estas são perguntas cujas respostas necessitam ser construídas no âmbito do espaço acadêmico-científico associado ao campo das intervenções sociais. Também nos é claro que, para a produção destes entendimentos, os olhares estritamente disciplinares precisam ser superados por abordagens que apontem para a interação entre as várias áreas que compõem a complexidade desta temática. Por isso percebemos relevante que o estudo sobre as diferentes tecnologias comunicacionais e mídias seja incluído no âmbito da formação acadêmica e da intervenção profissional em Ciências do Esporte, através da sua reelaboração em conhecimento que as torne, ao mesmo tempo, um “saber” e um “saber fazer” desta área. Ou ainda, como sugere Trebels (apud Kunz, 1995), configurem-se, concomitantemente, em “conhecimento para intervenção imediata” e “conhecimento de esclarecimento” (p.50).

Por isso, também, nossa certeza na relevância do papel de incentivo e apoio que pode ser exercido por este GTT do CBCE, vindo a constituir-se em forum permanente de socialização das investigações e do relato/reflexão sobre intervenções na área temática da Educação Física/Esporte, Comunicação e Mídia. Para tanto, busca-se dar a ele racionalidade e dinâmica tais que o produzam, efetivamente, como este espaço, o que exige a construção de identidade própria que pretendemos possa ser representada pela ementa proposta:

Estudos em Educação Física/Ciências do Esporte relacionados aos interesses, influências e possibilidades de interação deste campo do conhecimento/intervenção com as diferentes mídias e tecnologias comunicacionais.
 
Em uma perspectiva abrangente e de inclusão, como entendemos necessariamente deva ser a atribuída ao grupo de estudo - até por se tratar de temática ainda pouco explorada no âmbito da Educação Física/Ciências do Esporte -, a preocupação em explicitar e consolidar identidade para o GTT se justifica em vista do risco de ele vir a caracterizar-se pelo ecletismo estéril (embora certa indefinição dos seus contornos e limites, neste momento de conformação, seja compreensível). Por isso, a necessidade de refletirmos sobre a ementa e a intenção de orientação e balizamento nela inserida, a partir do entendimento que estamos atribuindo à comunicação.

O processo de comunicação humana é muito mais amplo do que a esfera informacional e a contém, afirma Rodigues (op.cit.). A produção de sentidos fundamenta-se na compreensão de símbolos culturais concebidos para mediar a interação humana e com a realidade objetivada. Se os meios tecnológicos à disposição do campo informativo, especialmente a mídia de massa, servem para ampliar nossos órgãos sensoriais e nossa perspectiva de percepção, fazendo com que passemos a partilhar das mesmas informações num mesmo tempo e espaço, não é menos verdade que isto não garante ser comum, homogênea e unívoca a sua assimilação e a representação da realidade a partir daí processada. A experiência cultural comunicativa, individual e socialmente construída, torna subjetiva e singular a interpretação produzida para os fenômenos informacionais a que se está submetido. Isto, por um lado, não é garantia de proteção contra o poder de manipulação e influência exercido pelos meios, haja vista sua capacidade de intervenção na própria produção da subjetividade que irá mediar a percepção e a construção de sentidos. Por outro, ressalta para nós, profissionais de Educação Física/Ciências do Esporte, a possibilidade de também agirmos no âmbito da comunicação esportiva para esclarecer e fortalecer a capacidade de recepção crítica dos sujeitos-singulares e da sociedade, compreendendo e fazendo uso das ferramentas próprias das Ciências da Comunicação.

Deste modo, parece justificada a tese de que o conhecimento e a intervenção dos profissionais da nossa área se processe incluindo a consideração e o aproveitamento tanto dos pressupostos teórico-conceituais da comunicação como das estratégias metodológicas utilizadas para interação comunicativa eficiente, mediada ou não pelas ferramentas eletrônicas do campo informacional.

IV. Alguns olhares da Educação Física/Ciências do Esporte dirigidos ao campo da Comunicação e Mídia

Perseverando na perspectiva de construir a identidade do GTT e, paralelamente, sugerir caminhos a serem percorridos pelos pesquisadores da área, faz-se referência a trabalhos desenvolvidos em Programas de Pós-Graduação no âmbito desta temática, além de algumas iniciativas institucionais que ajudam a demarcar as possibilidade de estudo nesta área de interface. A opção decorre de compreendermos que, mais que exemplos, constituem-se em apontamentos relativos à abrangência e premência do tema para conhecimento e intervenção qualificada dos profissionais de Educação Física/Ciências do Esporte no campo social.

Provavelmente estão entre as primeiras produções viabilizadas no campo desta interação Educação Física/Ciências da Comunicação os estudos de mestrado e doutorado do Prof. Dr. Sérgio Carvalho, realizados respectivamente na EEFE e na ECA - ambas na USP -, analisando a utilização do veículo rádio para difusão da área e dos conhecimentos da Educação Física. Em seu retorno ao Centro de Educação Física e Desportos da UFSM, implementou primeiramente linha de pesquisa na subárea de Pedagogia do Movimento do Programa de Pós-Graduação em Ciência do Movimento Humano, com a denominação Comunicação, Movimento e Mídia na Educação Física. Posteriormente, com o crescimento em número e densidade dos estudos desenvolvidos, torna-se subárea do Programa, com diversificadas linhas de pesquisa que abordam a relação Educação Física, mídia e marketing esportivo. Com um fluxo regular de formação de especialistas, mestres e doutores, a subárea tornou-se conhecida também através da divulgação de seus trabalhos em periódicos e eventos[7] <http://cev.ucb.br/cbce/gtt/esportemidia/xii/comunicacao.htm>, no país e no exterior. É de responsabilidade da subárea, ainda, a publicação de Caderno Didático, já em seu quarto número (1998). Atualmente, Carvalho coordena o GT Esporte e Mídia da INTERCOM.

Tomando como tema de estudo as relações cada vez mais estreitas entre a manifestação espetacularizada do Esporte e o veículo Televisão, duas teses de doutorado recentemente apresentadas abordam a constituição deste fenômeno e o conjunto de impactos e influências dele decorrentes para a área de Educação Física/Ciências do Esporte.

O primeiro estudo, realizado pelo Prof. Dr. Mauro Betti no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Educação da Unicamp, tem já no sugestivo título[8] <http://cev.ucb.br/cbce/gtt/esportemidia/xii/comunicacao.htm> um indicativo da intenção da pesquisa. Utilizando-se da fenomenologia hermenêutica de Paul Ricouer, procede interpretação crítica do discurso televisivo sobre o esporte, descobrindo os novos lugares-tempos que se desvelam para o esporte na pós-modernidade e as tarefas que se apresentam aos profissionais da Educação Física diante da realidade em construção. O tema do Esporte e Mídia, especialmente no que tange ao aspecto da violência, já vinha sendo abordado pelo autor, que havia publicado artigos em periódicos e um livro (Betti, 1997) dedicados à análise das suas consequências sociais. Atualmente, Betti desenvolve projetos de pesquisa na temática junto ao Laboratório de Estudos Socioculturais e Históricos da Educação Física, Esporte, Lazer e Dança, do Departamento de Educação Física da UNESP/Bauru.

Outra tese de doutoramento que toma o tema do Esporte Espetáculo na sua relação com a Televisão foi apresentada pela Profª Drª Vera Regina Toledo Camargo, no Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação da Universidade Metodista de São Paulo (UMESP). Adotando uma perspectiva interdisciplinar, a autora objetiva descortinar os cenários constitutivos da Comunicação Esportiva, área em formação como resultante da aproximação entre as Ciências do Esporte e da Comunicação. Reunindo referencial teórico e opiniões de especialistas das duas áreas, a autora, pesquisadora do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo da Unicamp (LABJOR), analisa a transformação do esporte em signo representativo da cultura midiática e da sociedade de consumo, com a consequente mudança nas formas pelas quais os meios de comunicação passam a tratar e destacar o esporte, agora visto como novo top nas grades de programação e na escalação de profissionais para sua cobertura jornalística. Paralelamente, observa o surgimento possível de novo campo de intervenção para os profissionais de Educação Física e Esportes, na prestação de assessoria especializada às redações e jornalistas esportivos.

Na linha do que vimos chamando novas tecnologias comunicacionais, ressalta-se o trabalho desenvolvido pelo Prof. Dr. Laércio Elias Pereira - atualmente vinculado ao curso de Educação Física da Universidade Católica de Brasília - e apresentado como sua tese de doutoramento no Programa de Pós-Graduação em Educação Física da FEF/Unicamp (Pereira, 1998). No estudo, a rede mundial de computadores (Internet) é tomada como espaço para experiência de informação e comunicação virtuais em Educação Física/Ciências do Esporte. Neste sentido, o autor criou e implementou o site Centro Esportivo Virtual[9] <http://cev.ucb.br/cbce/gtt/esportemidia/xii/comunicacao.htm>, “hospedado” no Núcleo de Informática Biomédica da Unicamp, como ferramenta de formação profissional permanente através de duplo objetivo: i) disponibilizar informações relevantes e atualizadas para consulta dos profissionais da área, seja diretamente no CEV, seja através das diversas ligações (links) que oferece com vários outros centros informatizados de pesquisa em todo o mundo; ii) constituir-se em canal permanente de comunicação entre profissionais da área, através das mais de trinta listas de discussão auto-administradas e operadas através do sistema de correspondência eletrônica (e-mails) para múltiplos destinatários. Com o mérito de ter sido legitimado pela comunidade científica da área antes mesmo de virar tese e obter o reconhecimento acadêmico, o Centro Esportivo Virtual é hoje, sem dúvidas, a principal experiência de utilização democratizada dos novos recursos tecnológicos de comunicação colocados à disposição do campo da Educação Física/Ciências do Esporte.

Utilizando-se das novas ferramentas tecnológicas aplicadas à educação continuada a distância, especialmente na Educação Física, podem ser também referidos empreendimentos institucionais de Universidades, Secretarias e outros órgãos públicos em todo o país, através de programas e projetos que visam oferecer contribuição ao esforço de construção de bases teórico-conceituais e de qualificação da intervenção pedagógica no campo social. Da associação entre profissionais de diversas áreas e através do uso combinado de modernos recursos de tecnologia educacional (televisão, informática, comunicação virtual, teleconferência, etc.) vêm se delineando novos espaços e formas de produção e socialização do conhecimento.

No campo das iniciativas institucionais de aproximação entre a Educação Física e as Ciências da Comunicação, vale também registrar o conjunto de ações colaborativas empreendidas pelo Departamento de Ciências do Esporte da Faculdade de Educação Física da Unicamp e o LABJOR da mesma instituição, já citado anteriormente. Desde a realização de eventos de curta duração como seminários e wokshops até a implementação de curso de especialização em Jornalismo Esportivo, a parceria vem construindo bases para interação futura mais intensa e sistemática, em que se vislumbra a criação de possível área de concentração interdisciplinar em Comunicação Esportiva junto ao Programa de Pós-Graduação da FEF/Unicamp.

Cabe ainda apontar os esforços empreendidos por entidades representativas e científicas que, através de seus fóruns e meios próprios de socialização do saber produzido, vêm reservando espaços importantes para o trato sobre o conhecimento em Educação Física/Ciências do esporte na sua interface com a questão da mídia e comunicação. São os casos do Movimento Estudantil da Educação Física, que realizou Seminário Nacional em Goiânia (1996), tendo este assunto como temática central, e do próprio Colégio Brasileiro de Ciências do Esporte que, além da criação deste GTT, dedicou o volume 17, número 3 (maio/1996) da sua Revista para veicular produções de vários pesquisadores sobre o tema das interações entre as Ciências do Esporte e as da Comunicação.

Para concluir este tópico, é nosso dever reconhecer as iniciativas das comissões curriculares de diferentes cursos de graduação em Educação Física e Esportes que, compreendendo a importância da mediação tecnológica do esporte e das atividades físicas para a formação acadêmica dos futuros profissionais, vêm buscando integrar os temas relativos à Comunicação Esportiva aos currículos, seja através de disciplinas isoladas ou em sequência, seja através da sua distribuição em diferentes disciplinas, na forma de conteúdos e/ou unidades didáticas dos programas de ensino, cujos resultados já se começa a perceber e, certamente, se poderá observar com mais atenção nas reuniões do GTT e nas sessões de pôsteres do XI CONBRACE.

V. Considerações finais

Enquanto as novas tecnologias comunicacionais avançam de forma sistemática, na mesma medida em que diferentes máquinas produzem sensações e sentidos à distância - realidade virtual, cybersex, etc... -, desestruturando/restruturando o tempo/espaço, criando para o corpo/movimento novas formas de expressão e dominação, mais e mais evidencia-se a necessidade da Educação Física/Ciências do Esporte interferir na produção e veiculação do conhecimento, com vistas a compreensão do fenômeno midiático sobre o homem moderno.

O estreitamento das relações entre o campo da informação de massa e o esporte/práticas corporais os torna, progressivamente, em dimensões da mesma realidade em processo de construção: a constituição da cultura esportiva[10] <http://cev.ucb.br/cbce/gtt/esportemidia/xii/comunicacao.htm> que se insinua como uma das principais características da sociedade do próximo século. Bastam alguns exemplos para ilustrar estas afirmações:

a) o permanente movimento de mudanças nas regras e formas de organização de competições em alguns esportes, buscando adequarem-se ao formato exigido pela televisão, com vistas a sua viabilização como esporte-espetáculo;

b) a autorização concedida pela FIFA para uso da chamada publicidade virtual, que garante às emissoras de televisão a potencialização dos “espaços” para veiculação de patrocínios dos estádios;

c) a associação e até mesmo aquisição de clubes de futebol por grandes conglomerados de mídia, como são os casos do Bordeaux e do Manchester United (este último revertido pela Câmara de Comércio da Inglaterra, por representar prática de monopólio!);

d) por outro lado, clubes, ligas e federações (o exemplo mais notório para nós é o da FISA/F1) vem criando seus próprios canais de televisão, disponibilizados pelos sistemas de distribuição por assinatura, o que torna ainda mais privatizado e restritivo o acesso dos telespectadores ao espetáculo esportivo;

e) a utilização dos mais variados recursos eletrônicos para individualizar o oferecimento a domicílio de alternativas de atividades físicas assentadas em pressupostos aderidos ao esporte (saúde, estética, qualidade de vida, etc.);

f) contraditoriamente, cresce também a oferta de opções domésticas de consumo de lazer passivo, o que só se explica pela lógica da mercadorização desenfreada dos bens culturais.

Parece não restarem muitas dúvidas quanto à responsabilidade da nossa área do conhecimento em examinar os determinantes e as consequências de tais reelaborações da realidade do esporte sobre a sociedade, especialmente aquela parcela que, por força da abrangência e capacidade de sedução do discurso midiático, se torna consumidora fiel da cultura esportiva. Mais do que isso, urge que busquemos o desenvolvimento de estratégias de intervenção qualificada neste processo.

Algumas alternativas neste sentido vêm sendo apontadas e a leitura dos estudos citados no tópico anterior ajudam a refletir sobre nossas possibilidades. Da compreensão de que Educação Física/Ciências do Esporte e as Ciências da Comunicação podem constituir área interdisciplinar na produção de conhecimentos superadores resulta a abertura de amplo leque de procedimentos e inserções profissionais. Compatibilizar a utilização dos diversos veículos midiáticos e de recursos comunicacionais como ferramentas pedagógicas de facilitação ao acesso, tematização e reconstrução dos saberes mediados pela indústria da comunicação de massa com propostas que sugerem a prestação de assessoria especializada ao campo do jornalismo esportivo representa atribuição que se impõe aos profissionais de Educação Física/ Esportes. Igualmente, investir na formação de cidadãos esclarecidos e seletivos quanto ao consumo dos bens culturais disponibilizados pela Comunicação Esportiva, o que implica no fortalecimento de seus mecanismos de recepção e atribuição autônoma de significados ao universo das mensagens midiáticas, é compromisso emancipatório que não podemos postergar.

O Grupo de Trabalho Temático “Educação Física/Esporte, Comunicação e Mídia” do Colégio Brasileiro de Ciências do Esporte, cuja tarefa aos poucos se desenha, mergulha, convicto, na extensa lista de debates possíveis, associando-se de forma criativa e organizada aos que compreendem que as novas tecnologias não devem servir a velhas formas de dominação - simbólicas, corpóreas, mais ou menos violentas - mas, ao contrário, apostam no grau de positividade e na perspectiva libertadora que a comunicação engendra.

É, pois, nesta perspectiva, que o presente texto foi elaborado e espera-se seja apropriado pela comunidade da área. Para além de proceder o necessário balaço do “estado atual da arte”, deseja-se que ele possa se constituir em eixo articulador de diferentes trabalhos que vêm sendo produzidos na temática, tendo por objetivo maior a inserção definitiva da Educação Física/Ciências do Esporte na agenda de estudos para produção de conhecimento e intervenção que levem à construção da cidadania emancipada.

Giovani de Lorenzi Pires é doutor em Educação Física pela Unicamp e Fernando Gonçalves Bittencourt é professor de Educação Física da ETFSC - Uned São José.
Endereço eletrônico dos autores: ferbit@matrix.com.br e giovani@cds.ufsc.br.

* Capítulo publicado no livro Educação Física/Ciências do Esporte: intervenção e conhecimento, organizado por  Silvana Goellner e editado pelo CBCE, 199.

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[4] <http://cev.ucb.br/cbce/gtt/esportemidia/xii/comunicacao.htm> Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares de Comunicação.

[5] <http://cev.ucb.br/cbce/gtt/esportemidia/xii/comunicacao.htm> Para a leitura na íntegra dos trabalhos do GTT, sugerimos consulta ao Anais do X CONBRACE (1997).

[6] <http://cev.ucb.br/cbce/gtt/esportemidia/xii/comunicacao.htm> Informação e comunicação, embora frequentemente utilizadas como sinônimos, são expressões que diferem tanto em objetivos quanto em procedimentos técnicos, ensina Rodrigues (1994). Enquanto aquela visa tornar disponível um conhecimento para muitos receptores e, para tanto, age unidirecionalmente como meio tecnológico, comunicação implica em interatividade, isto é, em compartilhamento e reciprocidade mediados pela cultura.

[7] <http://cev.ucb.br/cbce/gtt/esportemidia/xii/comunicacao.htm> Para informações sobre a produção do Laboratório, consultar página em construção: <http://www.ufsm.br/cmmef/index.html>

[8]http://cev.ucb.br/cbce/gtt/esportemidia/xii/comunicacao.htm A Janela de Vidro: esporte, televisão e Educação Física - recentemente transformada em livro (Betti, 1998)

[9] <http://cev.ucb.br/cbce/gtt/esportemidia/xii/comunicacao.htm> Para consultas:http://www.cev.org.br.html/

[10] <http://cev.ucb.br/cbce/gtt/esportemidia/xii/comunicacao.htm> Em Pires(1997) fez-se um primeiro esforço no sentido de conceituar cultura esportiva como o modo predominante de ser-estar-no-mundo no âmbito esportivo da sociedade globalizada, cujos significados são simbolicamente incorporados através da mediação feita pela indústria da comunicação de massa.

Endereço: http://portalmultirio.rio.rj.gov.br/sec21/chave_artigo.asp?cod_artigo=1255

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