Concepção e Saberes da Formação de Professores em Educação Física, no Período de 1970 a 1990, e a Relação Entre Saber e Poder

Por: Luís Rogério de Albuquerque.

188 páginas. 2008 26/06/2008

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Resumo

O presente estudo busca, a partir da constituição histórica da Educação Física no Brasil, explicitar os vínculos estabelecidos entre as relações de poder, as concepções e os saberes da formação de professores. As relações de poder são analisadas com base no pensamento de Michel Foucault, em que o poder gera saber e o saber gerado passa a estabelecer novas relações de poder. No caso da Educação Física, entende-se que o saber fisiológico gerado ao longo da modernidade tem uma relação direta com o poder ideológico, político e econômico exercido sobre o corpo dos indivíduos. Esse poder fica evidente nos ideais traçados pelos médicos higienistas e eugenistas do final do século XIX e início do século XX. Tais ideários entenderam a importância da saúde do corpo por perspectiva prioritariamente econômica. O higienismo e a eugenia social propostos pelos médicos representam o fator que gradualmente impulsionou a implantação de uma disciplina escolar denominada Educação Física. Essa disciplina, que no início do século XX era apenas idealizada, se consolida na prática a partir da década de 1930 com a real intenção de criar um Estado economicamente forte, pautado no modelo de sociedade urbana, industrial e capitalista. A década de 1930 representa o momento histórico em que surgiram, no Brasil, as primeiras escolas superiores para a formação de professores em Educação Física. Tais escolas surgem com uma base teórica estritamente biológica e com o intuito de comprovar os benefícios fisiológicos gerados pelas atividades ginásticas e esportivas. O período posterior ao golpe militar de 1964 se mostrou um momento em que o reducionismo biológico, do higienismo e da eugenia, apenas se acentuou, aliado aos modelos de eficiência técnica que se implantaram tanto na Educação, quanto na Educação Física. Tais modelos tecnicistas tiveram seu influxo nas leis 5.540/69 (reforma no ensino superior) e 5.692/71 (reforma no ensino de 1º e 2º graus). Apesar de a história mostrar que na década de 1980 iniciaram-se discussões acadêmicas no sentido de ampliar a visão da Educação Física, agregando a ela as dimensões históricas, socioeconômicas e culturais do ser humano e da sociedade, observa-se que essas ainda não se converteram em saberes e em uma concepção para a formação de professores em Educação Física no Brasil.

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