Confrontando Preconceitos Sobre Gênero no Estágio Curricular Supervisionado na Formação de Professores de Educação Física

Por: L. G. B. Rufino e S. Souza Neto.

IX Congresso Internacional de Educação Física e Motricidade Humana XV Simpósio Paulista de Educação Física

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Resumo

As relações preconceituosas desenvolvidas na escola sobre a perspectiva de gênero, ao serem naturalizadas, podem culminar em uma série de comportamentos coercivos que apresentam implicações negativas para a formação humana, crítica e reflexiva dos alunos. Nesse sentido, os componentes curriculares apresentam a importância de estabelecer olhares críticos para o que acontece cotidianamente dentro da escola. O objetivo do trabalho foi analisar as relações de gênero de alunos de Educação Física de uma escola pública à luz de suas ações e de suas opiniões, buscando intervir criticamente para desenvolver ações de coeducação nas aulas de Educação Física durante o estágio curricular supervisionado de professores em formação. Participaram da pesquisa 28 alunos do quinto ano de uma escola pública de uma cidade do interior do Estado de São Paulo (média de idade de 10,2 anos). O primeiro procedimento foi o desenvolvimento de 15 horas de observação das aulas. Posteriormente empreendeu-se ao planejamento de estágio que pudesse contemplar intervenções à luz da coeducação. Foram desenvolvidas 12 aulas (total de 600 minutos de intervenção). Para averiguar as opiniões dos alunos, realizou-se também dois grupos focais, um antes do início das intervenções práticas e outro ao final do processo. Os dados foram submetidos à análise de conteúdo buscando comparar os discursos antes e após as intervenções. O diagnóstico gerado pela observação indicou diversos preconceitos cristalizados pelos alunos os quais, em sua grande maioria, não interagiam explicitamente com os do sexo oposto e nem sequer sentavam-se próximos. As ações foram confirmadas com a exclusão das meninas em grande parte das atividades. O primeiro grupo focal permitiu que as ações observadas fossem reforçadas por discursos que tendiam a criticar os pares do sexo oposto. A intervenção abordou temas como futebol em duplas, discussões sobre imagem corporal, jogos e brincadeiras de roda com interação, entre outros. Ao final do processo, os alunos participantes do grupo focal demonstraram mais consciência no que corresponde à temática de gênero. Contudo, mantiveram parte das opiniões preconceituosas e reforçaram atitudes discriminatórias para o sexo oposto. Conclui-se que o tempo de intervenção não foi suficiente para transformações na perspectiva da valorização do gênero para as relações entre alunos e alunas nas aulas de Educação Física. Além disso, o tema gênero deveria fazer parte dos processos de ensino e aprendizagem de todas as disciplinas, para que os procedimentos pudessem gerar resultados mais efetivos. É fundamental que a perspectiva de gênero seja considerada na formação inicial na Educação Física de modo que os futuros professores possam ter um olhar inclusivo, reforçando atitudes democráticas e não discriminatórias.

Endereço: http://www.periodicos.rc.biblioteca.unesp.br/index.php/motriz/article/view/10060/10060

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