Corporeidade e Cultura Amazonica: Re-flexões a Partir do Passaro Junino do Para

Por: Pedro Paulo Araujo Maneschy.

2001 30/11/2001

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Resumo

Tendo como cenário a manifestação teatral popular do Pássaro Junino de Belém do Pará e baseado numa abordagem cultural, este trabalho visa indicar as possibilidades de construir um mosaico reflexivo que interpenetre algumas temáticas vinculadas à necessidade e ao desejo de associar e distinguir sentidos relacionais entre corporeidade, cultura e sociedade. Em um primeiro' momento, intenciona-se construir uma interpretação sobre o humano que entrelace, de forma complexa, as suas múltiplas dimensões auto-organizativas enquanto um ser natural por cultura e cultural por natureza. Esta problemática, na Educação Física, tem-se colocado como um nó górdio que dificulta uma aproximação crítica e criativa entre os diversos matizes de pensamento presentes na área. O corpo emergiria aqui como ponto, ou superfície de contato, entre natureza e cultura. A corporeidade viva seria, portanto, a condição fundante de nossa existência. Posteriormente, a tentativa é desvelar os nexos relacionados à questão da chamada "identidade cultural", na qual parece residir a base convencional das análises que discutem a cultura na América Latina, no Brasil em geral, e na Amazônia em particular. Neste sentido, busca-se uma reflexão segundo a qual as concepções de cultura, fundadas sobre o princípio da identidade, acabam por tentar definir algo de primeiro e uno em que cada grupo busca sua identidade. Tais grupos prosseguem vendo-se como representantes legítimos e primeiros de determinada cultura, edificando uma certa "identidade sedentária" cristalizada no tempo e no espaço, tendo uma perspectiva de preservação baseada em elementos de imobilismo, isolamento e num diálogo lacônico e unilateral com o outro, com o diferente. Nesse terreno movediço, vislumbra-se a cultura amazônica como elemento híbrido, lugar de intersecções aberto a quaisquer eventualidades e linguagens que se corporificam no mestiço, fruto do encontro conflituoso e sedutor dos diversos corpos que se entrelaçaram durante a história da colonização. Desse universo, emerge uma corpo rei dade que se mobiliza no espaço e no movimento da natureza, produzindo expressões e linguagens que se tatuam no corpo e se caracterizam pelo lúdico-erótico-ecológico, como aparecem nas apresentações do Pássaro da Terra. Finalizando em rizomas, pensar-viver a Educação Física, nesse contexto sociocultural, implica na incorporação de uma abertura a um saber tolerante e amigo da diferença, capaz de associar/distinguir as linguagens da cultura regional como componentes curriculares, afim de produzi r uma nova visão/vivência da Educação Física na Amazônia

Endereço: http://www.bibliotecadigital.unicamp.br/document/?code=vtls000237843&opt=1

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