Corporeidade: Uma Referência Para a Filosofia do Esporte

Por: Clézio J. dos Santos Gonçalves e Martha M. Roessler.

XVI Congresso de Ciências do Desporto e Educação Física dos Países de Língua Portuguesa

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Resumo

INTRODUÇÂO: Este trabalho analisou a cognição humana como processo emergente de fatores complexos e não lineares na corporeidade como experiência significativa no processo de aprender. Pressupostos da abordagem: 1)O trabalho cognitivo em instituições de aprendizagem caracteriza-se por abordagem dicotomizada entre bases biológicas do cérebro e a relação com a mente, privilegiando aspectos discursivos 2) Apesar dos avanços conceituais em várias ciências (neurociências, etologia, psicologia cognitiva, IA, filosofia da mente) as repercussões destes conhecimentos no aprender, não avançou no fundamento da ação pedagógica. 3) Neste trabalho o processo de conhecer é conceituado como sistema complexo cuja emergência na corporeidade ecologicamente situada implica múltiplos fatores que necessitam de atenção para o desenvolvimento harmônico. 4) Todo ser humano existe enquanto corporeidade vivencial num contexto delimitado em estrutura e organização. Diferentes estudos apontam que a cognição não é apenas função específica do córtex cerebral, mas um processo em emergência de sistemas complexos em dinâmicas não-lineares. METODOLOGIA: revisão bibliográfica nas atuais pesquisas em neurociências, Inteligência artificial, epistemologia evolutiva, ciências cognitivas, procurando-se a construção de reflexões sobre as implicações pedagógicas destas áreas. Debater a questão da corporeidade como dinâmica do conhecer enquanto processo vital alavancado em categorias ligadas aos sistemas complexos e auto-organizativos de dinâmicas não-lineares. CONCLUSÕES:A partir das análises encontra-se elementos que como diz VARELA (1993) “o cérebro não é um computador. Não podemos entender a cognição se a abstrairmos de sua encarnação”. Estamos tão habituados ao fluxo constante de nossa experiência corporal e de suas variantes sensoriais que não percebemos o quanto ela está implicada em nossa construção do mundo, situação que VARELA chama de “enação”. Não se trata de um mundo definido por uma lista de propriedades, como se faz nas simulações de computador. Fala-se de embodied cognition, cognição encarnada, ou ainda, em enação “O cérebro existe no corpo, o corpo existe no mundo e o organismo age, se mexe, caça, reproduz-se, sonha, imagina. E é dessa atividade permanente que emergem o sentido do seu mundo e as coisas” (VARELA,1991). As implicações conceituais das áreas pesquisadas apontam preliminarmente para esta vertente de pesquisa como um foco produtivo de futuras investigações e possibilidade de aplicações pedagógicas significativas no cotidiano da educação.

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