Correlação Entre as Características Clínicas da Doença de Parkinson e o Alinhamento Postural

Por: D. A. R. Jaimes, E. Liriani-silva, F. J. Alejandra Maria, L. C. Morais, e P. H. S. Pelicioni.

IX Congresso Internacional de Educação Física e Motricidade Humana XV Simpósio Paulista de Educação Física

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Resumo

A doença de Parkinson (DP) é uma doença neurodegenerativa, caracterizada pela degeneração dos neurônios dopaminérgicos presentes na Substância Negra parte compacta e causam diversos sintomas motores, como o tremor em repouso, a rigidez e a bradicinesia. Estes sinais/sintomas podem levar a alguns comprometimentos posturais, como por exemplo, alteração no alinhamento postural. Ainda não é conhecida a relação entre sinais/sintomas específicos da DP (rigidez, tremor em repouso e bradicinesia) e o alinhamento postural. Desta forma, o objetivo deste estudo foi correlacionar as características clínicas da DP com o alinhamento postural (plano sagital). Participaram desse estudo, 42 pacientes com DP idiopática (69,39±7,26 anos), entre os estágios leve e moderado da doença. As variáveis clinicas foram avaliadas por meio da Unified Parkinson´s Disease Rating Scale (UPDRS III e total), Hoehn & Yahr (HY) e sintomas como Bradicinesia, tremor de repouso e rigidez. O alinhamento postural no plano sagital foi analisado por meio do Software para Avaliação Postural (SAPO). As variáveis posturais analisadas foram: ângulo da inclinação da cabeça, curvatura da coluna, flexão do tronco, inclinação do quadril, flexão do tronco-coxa, joelho e tornozelo. Para a analise estatística foi utilizado o software SPSS, versão 18.0. A análise de correlação entre as variáveis clínicas e de alinhamento postural foi realizada através do teste de correlação de Spearman e o nível de significância adotado foi de p < 0.05. O teste de correlação de Spearman apontou: relação inversa da flexão do tronco com a UPDRS III (r=-0,306/p=0,049) e bradicinesia (r=-0,391/p=0,011), HY (r=-0,323/p=0,037); Relação inversa da curvatura da coluna com HY (r=-0,324/p=0,036) e bradicinesia (r=-0,401/p=0,009); Relação inversa da flexão do tronco-coxa com UPDRS III (r=-0,415/p=0,006), UPDRS Total (r=-0,35/p=0,023), HY (r=-0,456/p=0,002) e bradicinesia (r=-0,445/ p=0,003); Relação inversa da flexão do joelho com UPDRS III (r=-0,395/p=0,01), UPDRS Total (r=-0,33/p=0,033) e HY (r=-0,338/ p=0,028). Os resultados indicam que o alinhamento postural é diretamente relacionado com as características clinicas de pacientes com DP, onde conforme maior a severidade da DP, mais prejudicado o alinhamento postural. Isso pode acontecer, pois conforme maior o avanço da DP e maiores comprometimentos motores, esses pacientes apresentam além da instabilidade postural, uma característica postural marcante que é a stooped posture. Essa postura é caracterizada por maiores flexões de tronco, quadril-coxa, joelho e curvatura da coluna, confirmando os achados das relações clínicas. A bradicinesia que leva a redução da velocidade e amplitude de movimento, também pode afetar o alinhamento postural, pois ela prejudica o controle de movimentos automáticos como, por exemplo, o alinhamento postural. Assim, através destes achados, sugerimos que intervir nos componentes clínicos da DP pode trazer melhoras no alinhamento postural.

Endereço: http://www.periodicos.rc.biblioteca.unesp.br/index.php/motriz/article/view/10060/10060

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