Corrida de Aventura: Lazer, Competição, Senso de Equipe e Superação dos Limites no Ambiente Escolar.

Por: Maria de Fátima de Oliveira Amorim.

VIII EnFEFE - Encontro Fluminense de Educação Física Escolar

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Introdução

O objetivo deste estudo é apresentar aos docentes e discentes de Educação Física a corrida de aventura mostrando sua importância e apontando maneiras como ela pode ser inserida dentro das aulas de Educação Física escolar. Trata-se de um estudo exploratório e o instrumento utilizado nesta pesquisa qualitativa foi o relato de experiência de atleta da área.

Trazer para a escola a corrida de aventura, é estar possibilitando aos alunos e professores a vivência do que é o espírito de aventura, de equipe e enfatizando a importância da harmonia com a natureza, possibilitando o sentimento intenso de todas as emoções presentes em nossa vida.

Um breve histórico

De acordo com a Webventure (2004) a corrida de aventura teve início na Nova Zelândia em 1989 com o jornalista e amante da natureza o francês Gerard Fusil.. A maior e mais famosa corrida de aventura do mundo, é o Eco-Challenge, do expedicionário norte americano Mark Burnett.

Devido à inserção da corrida de aventura na mídia1, foi criado por Burnett um dos programas televisivos de maior audiência, o reality show "survivor", onde homens e mulheres estão unidos por um único objetivo, chegar ao final de uma competição.

A primeira etapa do Eco-Challenge realizada na América do Sul foi na Argentina, na região da Patagônia (extremo Sul da América).

A corrida de aventura chegou ao Brasil através do empresário paulista Alexandre de Freitas que após 17 anos no mercado financeiro resolveu participar de uma corrida na Nova Zelândia e gostou tanto, que importou a idéia e trouxe para o nosso país.

Então, Alexandre de Freitas passou a se dedicar a corrida de aventura, aliando esse esporte a um novo estilo de vida e criando a Sociedade Brasileira de Corridas de Aventura (SBCA), que organizou a primeira corrida de aventura do país chamada Expedição Mata Atlântica (EMA). Desta maneira, no Brasil, a primeira corrida de aventura teve início em outubro de 1998 com a, chamada Expedição Mata Atlântica (EMA). A Expedição Mata Atlântica (EMA), hoje, faz parte do circuito mundial, sendo a única etapa da América do Sul. Outras corridas que se destacam no cenário brasileiro atualmente são: a Rio Eco, o Ecomotion Circuit e o Circuito Nordestino.

Conceituação

O estudo conceitua a corrida de aventura de acordo com o relato de experiência dos atletas como sendo uma junção de várias modalidades de esportes radicais em uma única competição; onde as modalidades a seguir estão presentes da seguinte forma: Onde a Orientação - consiste em o atleta se localizar através de mapa e bússola, traçando assim sua coordenada para passar em todos os postos de controle (PC) e chegar ao final da prova; Trekking - caminhada que dependendo do atleta pode virar uma corrida. Poderá ser em trechos com asfalto, estradas e trilhas no meio de mato; Montain Bike - trata-se de trilhas feitas com bicicletas apropriadas em diferentes tipos de terrenos; Canoagem - normalmente feita em botes infláveis (ducks), ou em canoas canadenses, canoas havaianas já fizeram parte de uma competição; Técnicas verticais - os mais comuns são o rapel2 e a tirolesa3

Dependendo da região, existem também, outras modalidades que também foram incluídas em algumas corridas como: Patins - Roller/skateboart que é a prática em pistas de skatboard até mesmo em ruas utilizando-se patins com rodas presos aos pés ou skates;

Costeira - andar sobre pedras; Vela e mergulho - Vela é normalmente quando se atravessa de uma ilha para outra os organizadores utilizam barcos a vela ou botes, caiaques, canoas etc. Já o Mergulho - realizado em superfície, utilizando máscara, snokel e nadadeiras
Animais como cavalos e outros típicos de cada região também já foram utilizados como meio de transportes em algumas corridas. No entanto as corridas de aventura se dividem em quatro tipos diferenciados, sendo eles: Curtas - São aquelas corridas que possuem uma duração de três a sete horas; Corridas com mais de 24 horas-provas: São aquelas que começam em um dia e terminam no outro.

Exemplo: Ecomotion; Corridas com mais de 24 horas - São aquelas corridas com mais de dois dias. O planejamento e a tática variam de acordo com cada equipe. Exemplo: EMA, Ecomotion e etc; Expedições - São aquelas corridas mais longas, com mais de cinco dias de duração. Exemplo: Eco-Challenge.

A composição das equipes pode variar passando pelo número de componentes até a equipe de apoio4. Sendo elas: Duplas - Esta composição é utilizada para corridas curtas, sendo composta, normalmente um homem e uma mulher; podendo utilizar ou não o apoio;

Quatro pessoas - Esta composição é utilizada para corridas longas, sempre usando a equipe de apoio, sendo obrigatório à presença de no mínimo uma mulher na equipe.

Vale ressaltar que a chegada das equipes nos postos de controle devera ser realizada com todos os participantes juntos. Se a equipe não chegar com todos os integrantes, ela estará desclassificada da competição.

Possibilidades da corrida de aventura em educação física escolar

Durante uma corrida de aventura, todas as suas emoções e sentimentos dos participantes são expostos, da mesma forma que acontecem no decorrer das atividades, nas aulas de Educação Física. A partir desta observação, o estudo considera que uma educação baseada na aventura pode não contribuir diretamente para a aquisição de habilidades necessárias para que os alunos se tornem melhores em suas atividades acadêmicas, diversas, mas ela pode certamente fazê-la, indiretamente.

As crianças podem aprender sobre dedicação, compromisso, cooperação, confiança, empatia, compaixão, tolerância, sucesso, fracasso, paciência e satisfação, entre outras coisas, que certamente ajudarão na formação de cada cidadão o que é objetivo da Educação Física juntamente com as demais disciplinas que compõem o currículo escolar.

A corrida de aventura pode ser pontuda em uma série de aspectos que podem perfeitamente ser trabalhados em Educação Física escolar como pré-desportivo desta, sendo eles: O sentimento de equipe; o sentimento de aventura; O sentimento de superação de seu próprio limite e o não conhecimento do que é o limite; A sensação de ser capaz e principalmente a certeza de que somos capazes juntos; O cuidado com o companheiro ou companheira; O contato com a natureza e ter realmente a certeza que sem ela não poderemos viver, e principalmente ter a consciência que ela precisa ser protegida com todas as nossa forças.

Poderemos fazer brincadeiras que transporte à criança para um mundo cheio de aventuras e que sintam todas as emoções de uma corrida de aventura de verdade. Exemplos:

Caça ao tesouro, da seguinte forma: nas dependências das escolas é possível praticar atividades como tirolesa5, skateboard`6 e roller in line (patins), fazendo uma pista com obstáculos, que podem ser corrimão, escadas, rampas etc. para então encontrarem o tesouro.

Outras atividades como o cabo de guerra, podem ser incluídas para se alcançar o tesouro.
Brincadeiras na piscina como: o professor deverá jogar na piscina vários objetos (brinquedos) que seria as jóias, a equipe que obtivesse mais, seria o vencedor.

A Corrida com obstáculos - alunos serão divididos em equipes e a equipe que passar por todos os obstáculos unida em menos tempo, será a vencedora;

Passeios para praia, campos onde poderão ser estimulados os esportes: boiacross, rafting, surf, escalada outdoor, canyoning, mountain bike e sandboard, tomando todos os cuidados e respeitando limitações, idade, estatura apropriada para a prática de cada um.

O professor deverá analisar e avaliar as condições para a prática de cada atividade apresentada fazendo o reconhecimento do local, checagem da qualidade do material ou idoneidade da empresa que prestará o serviço junto ao mercado especializado.

Outra maneira de estimulação dos esportes aventura e a apresentação de vídeos sobre o esporte de aventura com as competições em si e relatos de atletas durante a competição. Contar a história de cada esporte.

Propomos que cada profissional solicite o material: Nas escolas públicas poderão solicitar aos alunos e também solicitar a ajuda da comunidade e entidades local; Nas particulares cabe o esclarecimento da importância de incluir estes equipamentos no orçamento anual.

Considerações finais

Visto que o objetivo do estudo foi apresentar aos docentes e discentes de Educação Física a corrida de aventura, apontando maneiras como ela pode ser inserida dentro das aulas de Educação Física escolar podemos afirmar que "ao refletir a utilização dos esportes radicais na Educação Física Escolar para o ensino fundamental, procuraremos elucidar aspectos como liderança, espírito de equipe, responsabilidade, (geralmente encontrados nestas atividades), mas conscientes de que tais valores não surgem automaticamente no cotidiano dos nossos alunos".(UVINHA, 2001: 104).

Concluímos o estudo, lembrando que esses esportes mais a natureza fazem uma bela combinação, para quem quer desafios e vencer a si próprio. Existem momentos na vida que merecem ser vividos e jamais esquecidos, isto deveria ser oferecido para todos.

Os autores, Maria de Fátima de Oliveira Amorim e João Paulo de Morais Leal Parreira são graduandos em educação física (UNIABEU) e a professora Ana Patrícia da Silva é licenciada em educação física e mestranda em Educação/UFRJ, UNIABEU.

Notas:

1 O estudo endente por inserção na mídia o aparecimento de notícias a respeito da corrida de aventura na imprensa fala, escrita e televisiva além da internet e do aparecimento de revistas especializadas no assunto.

2 Rapel é a técnica em que o atleta se utiliza à corda seguramente ancorada para descer de uma superfície, utilizando o atrito como controle da velocidade.

3 Tirolesa é uma travessia horizontal em corda fixa suspensa do solo.

4 Apoio - Trata-se de pessoas que irão lhe ajudar durante toda a competição, Essas pessoas que irão lhe fornecer toda uma base como: manutenção do equipamento, alimentação, o transporte das bikes para os locais destinados etc.

5 A tiroleza com o material adequado e com as devidas precauções.

6 O skateboard poderá começar a fazer parte das aulas, começando a inclusão de alguns skates.

Bibliografia

  • Brasil. Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: educação física. Brasília: MEC/SEF, 1998.
  • Turato, Egberto Ribeiro. Tratado da metodologia da pesquisa clinico - qualitativa: construção teórico metodológica, discussão comparada e aplicação nas áreas da saúde e humanas. 2 ed. Petrópolis: Vozes, 2003.
  • Moreira, Evando Carlos. Educação Física escolar: desafios e propostas. Judiai: Fontoura, 2004. in: UVINHA, Ricardo Ricci. Esportes radicais nas aulas de Educação Física do ensino fundamental -pp. 103- 111.
  • Webventura, Site sobre corrida de aventura. Disponível em: www.webventure.com.br, acesso em setembro de 2004.

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