Cristianismo, Saúde e Educação Física: Introdução da Educação Física em Escolas Paulistanas (1920-1940).

Por: Bruna Ribeiro Dias.

III Congresso de Ciência do Desporto

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Sabemos, que o poder da religião cristã na Europa perde espaço para o saber científiconos círculos culturais, aumentando a influência do cientificismo sobre a educação. Mas no Brasil a influência religiosa era bastante importante no campo educacional. Fato que não mpediu a introdução das aulas de Educação Física, pois caso ocorresse, a Igreja seria coerente com sua herança cultural sobre o corpo e as atividades que tivessem como meio ou fim as práticas corporais. Silva e Ferreira (2004) demonstraram que em Juiz de Fora, Minas Gerais, os colégios mantidos por instituições religiosas colaboram com a introdução das aulas de Educação Física, em consonância com o discurso higienista. Contudo Pagni (1997) estudando o fundamento moral da prescrição de exercícios físicos, defende que: "O cultivo do próprio corpo representava a descoberta das necessidades e desejos humanos obscurecidos pelo pensamento religioso, a possibilidade do pecado, colocando em risco a moral cristã e a formação espiritualista pretendida pelos colégios religiosos (p.62). Por isso, perguntamos, caracterizando nossa problemática, qual a influência da religião cristã, mais especificamente, das escolas religiosas, na introdução das aulas de Educação Física Escolar, nos anos de 1920-1940, na cidade de São Paulo? Opuseram-se, seguindo uma tradição cristã? Ou, incentivaram sua prática como formação moral? Com isso, pretendemos compreender a influência dos colégios e instituições religiosas na introdução das aulas de Educação Física na cidade de São Paulo, nos anos de 1920 e 1940. Usaremos técnicas de pesquisa, estas consistirão na análise documental de fontes primárias e secundárias. Inicialmente realizaremos uma revisão de literatura, levantando as fontes secundárias sobre a relação entre Educação Física e Religião. Posteriormente, pesquisaremos os arquivos de orientação religiosa cristã. A partir destas fontes, vamos comparar o discurso dos religiosos com o dos médicos em relação aos objetivos das aulas de Educação Física, identificando continuidades e descontinuidades. A partir dos resultados obtidos, explicaremos o posicionamento das instituições escolares religiosas sobre a Educação Física na cidade de São Paulo nos anos de 1920 e 1940. Podemos então identificar neste estudo uma consonância entre o ieário republicano, o positivismo de caráter eclético no Brasil, com os ideais e a prática pedagógica liberal da Escola Normal de São Paulo. Como existia também uma apropriação da Ginástica nas escolas liberais e laicas da Europa do século XIX, e uma crescente influência norte-americana na Escola Normal com os ideais pedagógicos de Caetano de Campos, houve uma reforma curricular, que em 1890, introduziu a Ginástica na Escola Normal de São Paulo. Já em 1894 a inauguração do novo prédio na Praça da Repblica criou a estrutura necessária para o desenvolvimento da cadeira de Ginástica na Escola Normal. Compreendemos que a descrição histórica da Ginástica na Escola Normal não refletia a realidade do ensino da disciplina em outras escolas paulistas. Pois a Escola Normal era o modelo ideal de educação pública de São Paulo, ou seja, não era realidade do ensino paulista. Contudo seria interessante verificar a influência dos alunos normalistas formados como professores nas Escolas Primárias e Complementares no início do século XX. Sem dúvida seria uma agenda de pesquisa muito interessante para os próximos estudos.

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