Cultura Lúdica Híbrida: Práticas Inovadoras

Por: Beatriz Picolo Gimenes (Organizador), (Organizador), Maria Celia Rabello Malta Campos (Organizador) e Sirlândia Reis de Oliveira Teixeira (Organizador).

349 páginas. Nexus. 2020

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Sobre a Obra

Alegria de Brincar

Estava sentado em um banco no hall de um centro cultural e observei uma cena que imediatamente me fez lembrar que tinha o convite para escrever o prefácio desse livro. Meus sentidos estavam atentos e meu corpo preparado para brincar.

Um grupo de adultos e crianças ocupava o espaço que estava bem tranquilo. Os adultos estavam mais ou menos organizados em grupos de dois, no máximo três. Na cadência de passos lentos e vez por outra parando, eles conversavam seriamente, e iam avançando pelo hall rumo à saída. Assunto de adulto era certamente o teor das conversas! Uns gesticulavam, outros falavam mais alto, uns faziam uma cara de pouca satisfação, e de quando em vez era possível vê sorrisos, mas esses bem comedidos. As crianças por sua vez estavam todas alegres em uníssono. Elas serpenteavam o grupo de adultos correndo freneticamente praticando uma brincadeira que eu adorava quando criança, a brincadeira do “toca” (também chamada de pega-pega). Essa brincadeira sempre foi a minha preferida e continuo achando. É só correr. E até hoje eu gosto de correr. Não precisa de nenhum objeto para brincar. É uma brincadeira na qual o nosso corpo é autossu ciente, precisamos apenas do chão. E se tiver obstáculos, objetos, eles são incorporados naturalmente, tornando ainda mais divertido. Aquelas crianças brincavam com tanta alegria, que só de olhar dava alegria. E talvez de tanto me verem observando (e rindo da) algazarra deles, uma criança veio até onde eu estava sentado e disse: “Tio, vem correr e brincar do “toca”, é muito bom.” Subitamente eu disse: “vou, mas vocês todos terão que me pegar” (mania de adulto estabelecendo regras!). Levantei-me. Gritei “me pega” e corri. E o menino gritou para os demais: vamos pegar o “toca” grande (as crianças adoram um desa o). Em se gundos, tornei-me um imã para aquela criançada. Todos tinham um objetivo; queriam me fazer o “toca”, queriam me tocar. Corriam atrás de mim. E faziam dando gargalhadas, brincando com o corpo e com o ar nos movimentos de ziguezague. Não durou mais que um minuto e eles me “pegaram” e me senti ilhado de felicidade; todos me tocavam com tanta alegria que pareciam ter conquistado o mundo. Talvez eles se sentiam naquele momento assim mesmo, por quê eles dominam o mundo que criam; eles usufruem plenamente do que imaginam! Eu me senti abraçado, um abraço de crianças alegres. Eu não conhecia e nunca tinha visto nenhum deles, tampouco de seus pais. Essa pequena experiência sintetiza muito bem a magia do brincar.

Optei por inserir essa breve crônica no prefácio para mostrar com uma experiência vivencial que o brincar é algo muito poderoso. O brincar é realmente mágico. Os brinquedos - no sentindo amplo da palavra – acionam os botões do encantamento. Os estudos (como os que são bem apresentados nesse livro) sistematizam essa área, mas todos, uns mais outros menos, vivemos experiências que demonstram claramente que a alegria que nos inunda durante uma boa brincadeira é muito intensa. E não tem idade, brincando todos voltamos por uns instantes a sermos crianças. E não tem hora, tampouco lugar! A interação e a integração entre as pessoas  uem naturalmente, o lúdico sobressai incluindo todos naquele momento, o exercício de depender mos um do outro e do ambiente é realizado intensamente. As brincadeiras promovem o encontro do nosso corpo com a felicidade, ainda que em breves momentos de distração, como diria Guimarães Rosa.

Os textos apresentados nesse livro nos guiam por muitas formas de brincar e como a potência dessa estratégia pode ser explorada para aprimorar o aprendizado. Já diria Rubem Alves na sua belíssima crônica Brincando é que se aprende. “A inteligência gosta de brincar. Brincando ela  ca mais inteligentes ainda. É papel do professor entortar a sua disciplina para transformá-la num brinquedo que desa a a inteligência dos alunos.” Não é sobre infantilizar o processo de aprendizagem. É sobre aprender com alegria o conhecimento que passa a ter significado!

Como bem disse Adélia Prado, “o que amamos  ca eternizado na memória”. E todos amamos brincar. Então brincar é uma forma prazerosa de aprender. Brincar é uma forma e ciente de educar.

Prof. Antonio Gomes de Souza Filho
Departamento de Física - UFC

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