Currículo do Estado de São Paulo e a Praxiologia Motriz: Reflexões Iniciais

Por: E. A. Corrêa, J. M. Nozaki, L. A. Ferreira, R. C. Zaguetto e Y. B. Martins.

IX Congresso Internacional de Educação Física e Motricidade Humana XV Simpósio Paulista de Educação Física

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Resumo

A Praxiologia Motriz (PM) tem trazido contribuições importantes para que possamos conhecer melhor as lógicas internas e as dinâmicas operacionais das diferentes práticas motrizes. Tal conhecimento pode ser materializado como um recurso para conduzir o trabalho do professor, especialmente na escolha das práticas motrizes que irá desenvolver com seus alunos. Como as políticas públicas educacionais, nos últimos oito anos, tem se estabelecido com proposições curriculares estaduais e municipais caracterizadas, dentre outras questões, também pela definição de conteúdos, este estudo teve como objetivo analisar o componente curricular Educação Física no Currículo Oficial do estado de São Paulo na perspectiva da PM. A metodologia que orientou o estudo teve como base a abordagem qualitativa e se pautou pela análise documental, especificamente os cadernos do professor de Educação Física do 8º. e 9º. ano (volume 1 e 2) do ensino fundamental II. Para analisar os dados foi utilizada a classificação das práticas motrizes proposta pela PM: o CAI, sendo que C: companheiro, A: adversário, I: Incerteza do ambiente. Estes elementos podem gerar inúmeras combinações, resultando em manifestações sociomotrizes. Na ausência de dois destes elementos (C e A), as práticas motrizes são caracterizadas como psicomotrizes. Os resultados apresentaram uma diversidade de conteúdos propostos nos referidos cadernos. Os mesmos foram distribuídos em: 18 temas, divididos em 38 situações de aprendizagem que se orientaram por 95 etapas de desenvolvimento. As atividades descritas nos cadernos foram classificadas em: 27% de práticas com companheiro (C); 4% de práticas com adversário (A); 41,5% de práticas que combinavam companheiro e adversário (CA); 27,5% de práticas psicomotrizes, sem companheiro e sem adversário. No que se refere à incerteza do ambiente (I), não foi identificada nenhuma prática proposta em ambiente natural e sujeito à imprevisibilidade. Além das práticas motrizes anteriormente classificadas, constatamos um significativo conjunto de atividades que podem ser classificadas como situações didáticas, na medida em que vão zelar por elementos mais próximos do que a PM chama de lógica externa, ou seja, os elementos culturais acerca das práticas motrizes. Embora muitas situações de aprendizagem sejam propostas com uma "abertura de possibilidades" para que o professor junto com os alunos partilhem de um processo de construção ou reconstrução das práticas motrizes, vale destacar a porcentagem alta de práticas psicomotrizes. Tal cenário pode reduzir as redes de comunicação entre os alunos. A ausência de práticas motrizes sem a incerteza pode estar relacionada com a estrutura da escola e seus espaços formais para o desenvolvimento das aulas requerendo, portanto, outras estratégias que possam envolver ambientes como: praças públicas arborizadas, passeios e acampamentos à ambientes em contato com a natureza nos quais possam ser realizadas práticas motrizes.

Endereço: http://www.periodicos.rc.biblioteca.unesp.br/index.php/motriz/article/view/10060/10060

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