Da Natureza do Espaço Ao Espaço da Natureza: Reflexões Sobre a Relação Corpo-natureza em Parque Publicos Urbanos

Por: Sandoval Villaverde.

1999 25/08/1999

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Resumo

O objetivo deste estudo foi investigar a experiência humana de lazer em parques públicos urbanos, enfocando as nuanças da vivência espacial, em particular a relação corpo-natureza. O estudo partiu da análise dessa experiência num parque público específico da Zona Distrital da cidade de Campinas (SP), o Parque Ecológico Prof. Hermógenes Freitas Leitão Filho, conhecido também como Parque do Lago. Optei neste estudo por uma pesquisa de natureza qualitativa, apoiando-se no referencial da análise cultural proposta por Geertz (1989). Utilizei, de uma forma combinada, dois recursos de captação de dados complementares entre si: observações e entrevistas. No concernente às observações realizadas, estas podem ser consideradas na linha da Observação Participante, enquanto as entrevistas foram semi-estruturadas do tipo tópica (Abramo, 1979). A realidade investigada mostrou existir diferenciadas motivações e formas de vivenciar a totalidade espacial do Parque, o que parece expressar a natureza híbrida da relação humana com o espaço, em especial aquele destinado ao lazer. No concernente às práticas de apropriação espacial que configuram a interação do corpo com o espaço do Parque, é possível apontar a prevalência da caminhada e da corrida, entre outras formas de comunicação corporal. Sob um determinado ângulo, e em relação a alguns freqüentadores, tanto a caminhada como a corrida podem ser associadas a uma obstinada busca pela boa forma e por um estado de boa saúde, atendendo, entre outras coisas, aos apelos freqüentes da chamada cultura de consumo. Neste sentido, considerando o número cada vez mais expressivo de pessoas que aderem à intensa rotina de manutenção da forma e condições de performance corporal, seja em clubes, nas academias, nos parques ou nas ruas da cidade, é possível remeter à metáfora do corpo como um projeto, um vir-a-ser. Um fenômeno a ser moldado, enfeitado e treinado como expressão de uma identidade individual. Por outro lado, o parque público urbano pode ser palco de vivências corporais menos compulsivas. Para muitos dos sujeitos entrevistados, a prática da caminhada ou da corrida nesses locais está vinculada a uma outra intenção, não seguindo simplesmente a lógica do "estar em atividade". Trata-se não somente de caminhar ou correr, mas de um vivenciar harmonioso do corpo e do espaço, onde a comunicação com outras pessoas e com outros elementos da natureza são aspectos importantes a serem levados em conta. A análise do Parque como um espaço público destinado ao lazer, permitiu evidenciar problemas que vão desde a sua incipiente inserção nas prioridades da administração municipal até o deficiente planejamento de suas configurações internas. Esta realidade aponta a ausência, especialmente na esfera municipal, de diretrizes políticas gerais comprometidas com o estabelecimento de políticas públicas setoriais qualificadas e atuantes. O l1ão estabelecimento dessa política pública setorial incide de forma marcante na estruturação e dinâmica administrativa de espaços públicos de lazer de forma geral, e dos parques urbanos em especial.

Endereço: http://www.bibliotecadigital.unicamp.br/document/?code=vtls000188557&opt=1

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