Déficit nas Práticas Corporais e Culturais dos Alunos do 1º Ano do Ensino Fundamental

Por: C. P. S. Francisco.

IX Congresso Internacional de Educação Física e Motricidade Humana XV Simpósio Paulista de Educação Física

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Resumo

Nos últimos 10 anos de atuação nos anos iniciais do Ensino Fundamental é notável observar que os alunos que chegam ao 1º ano do Ensino Fundamental da Escola Estadual Antônio de Oliveira Bueno Filho da Diretoria de Ensino de Araraquara apresentam um déficit nas práticas corporais em realizar movimentos simples necessários para a prática de atividades físicas ou brincadeiras/jogos populares. Podemos citar como déficit nessas práticas o que foi observado e analisado nos 62 alunos que frequentaram o 1º ano em 2014, que representam o mesmo padrão dos anos anteriores com relação às dificuldades e falta de conhecimentos. As situações observadas foram as seguintes: 60 % dos alunos não conseguem alcançar o pé no alongamento de sentar e alcançar. 70% dos alunos não sabiam "pular" amarelinha, desses 50% não sabiam realizar a transição de saltitos com um pé e os dois pés em sequência. 72% dos alunos também não sabiam "pular" corda, quando a habilidade exigida era bater e pular individualmente essa porcentagem subia para 83%. 40% dos alunos tem dificuldades em atividades de recepção de bolas (manipulação de objeto), desses 85% são meninas que se esquivavam com medo da bola. 100% dos alunos não conheciam brincadeiras/ jogos populares propostos para o 1º ano pelo Projeto Ler e Escrever da Secretaria de Educação do Estado de São Paulo, sendo eles: mamãe da rua, carniça (pular cela), balança- caixão ( versão do esconde-esconde), mamãe polenta e corre cutia. 98% dos alunos não sabem "bambolear". 92% dos alunos não conseguem acertar a mira em três tentativas seguidas. 45% dos alunos quando indagados se sabiam uma cantiga para brincar de roda não conseguiam responder. Os motivos para que tais situações ocorressem são os mais variados, sendo necessária uma investigação mais profunda, Porém ao questionar os alunos, algumas hipóteses foram levantadas e entre elas temos: a pouca diversidade nas atividades oferecidas nas escolas de Educação Infantis localizadas perto da escola de onde vêm à maioria dos alunos, muitos dizem que só brincavam na areia, massinha, pato, pato, ganso e desenhar. Do total de alunos 60% deles também relataram que não brincam na rua de casa com os colegas, utilizando como argumentos que os pais têm medo da violência e do trânsito das ruas. 85% dos alunos afirmaram que brincam sozinhos em casa e 62% dizem que suas brincadeiras favoritas estão relacionadas com tecnologia (tablete, computador, joguinhos de celular e videogame). Com isso, concluímos que a Educação Física é primordial para desenvolver, ampliar e melhorar as práticas corporais dos alunos, servindo como agentes de disseminação cultural. Sendo assim, precisa ser revisto a sua não obrigatoriedade na Educação Infantil. Além disso, pais e responsáveis devem estimular a prática de atividades físicas das crianças nos momentos de lazer.

Endereço: http://www.periodicos.rc.biblioteca.unesp.br/index.php/motriz/article/view/10060/10060

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