Desporto com Identidade Cultural

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DESPORTO COM IDENTIDADE CULTURAL

Leopoldo Gil Dulcio Vaz [1]

 

         O desporto, como tema literário, aparece pela primeira vez com Píndaro, embriagado pelos feitos atléticos dos campeões olímpicos:

"Durante a realização dos Jogos, desaguavam em Olímpia tudo o que na Grécia havia de artístico, filosófico e desportivo. Os poetas escancaravam o que lhes medrava na alma, os sofistas dialogavam com auditórios eruditos e os atletas competiam entre sí. Enfim, arte, filosofia e desporto num conúbio que muito enriqueceu a literatura grega. Já Homero poetizara as corridas de carros, mas literatura centrada no desporto ... foi Píndaro o primeiro !..." (VIEIRA E CUNHA & FEIO, s.d., p. 9).

         Depois dele, muitos outros.

"E no gaiato tagarelar das ruas de Atenas, o desporto nascia como verdadeiro fenômeno cultural". Virgílio, Horácio, Tíbulo, Propércio, em Roma; Dante e Petrarca, na Idade Média; Rebelais, Cervantes, Camões, Francisco de Quevedo, Jeronimo Mercurialis, Rousseau, na Idade Moderna ... Também na Literatura Brasileira é significativa a presença de escritores a evidenciarem uma simpatia pela prática desportiva.

         A exemplo do que acontece em França, Itália, Espanha e Portugal, procurar-se-á reunir textos desportivos da cultura brasileira, que deverão ser apresentados sob forma de uma antologia, a exemplo do que fizeram Manuel Sérgio Vieira e Cunha e Noronha Feio (Homo Ludicus - antologia de textos desportivos da cultura portuguesa, Lisboa : Compendium).

           Esses autores justificam a feitura dessa antologia afirmando que o desporto, ao contrário do senso-comum que se tem dessa manifestação, não se resume a

"uma atividade meramente corporal que, no setor da ciência, se confunde com a Medicina, no campo da convivência, com a expresso apaixonada da agressividade natural e manifestando o mais redondo desconhecimento pelo mundo da cultura" (p. 7).

           Afirmam  ser o desporto uma pujante afirmação de cultura; uma síntese original de criação artística e de contemplação estética; uma meio de educação e de comunicação de excepcional valia; e um "fenômeno social capaz de concorrer à Paz, à Saúde, à Tolerância, à Liberdade, à Dignidade Humana" (p. 8):

 "Ainda integrado na luta pela compreensão do desporto, permitimo-nos recordar que a Cultura Física é uma Ciência do Homem e como tal deve ser analisada, estudada, praticada, difundida e ... defendida! Daí que, ao nível da interdisciplinaridade com outros ramos do saber, no seja demasiado encarecer quanto a educação física e os desportos dialecticamente se relacionam, quer com as outras Ciências do Homem, quer com as Ciências da Natureza e as Ciências Lógico-Dedutivas..." (VIEIRA E CUNHA & FEIO, s.d., p. 8).

         O objetivo dessa antologia é a de reconstituir a trajetória do desporto em nosso país, articulando-se o trabalho de investigação e o trabalho de resgate, recuperação e organização de fontes documentais, procurando reagrupá-las, tornando-as pertinentes (FAVERO, 1994), para constituírem um conjunto através do qual a memória coletiva passe a ser valorizada, instituindo-se em patrimônio cultural.

VIEIRA E CUNHA, Manuel Sérgio & FEIO, Noronha (Org.). Homo Ludicus - antologia de textos desportivos da cultura portuguesa. Lisboa : Compendium, (s.d.).

FAVERO, Maria de Lourdes Albuquerque, O espaço PROEDES : memória, pesquisa, documentação. IN GOLDFABER, José Luiz (org.). ANAIS DO IV SEMINÁRIO NACIONAL DE HISTÓRIA DA CIÊNCIA E DA TECNOLOGIA. Belo Horizonte : FAPEMIG; São Paulo : Anna Blaume : Nova Stella, 1994. p. 100-103.

 

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