Determinação da Velocidade Pico a Partir de Diferentes Protocolos Incrementais: Reprodutibilidade e Correlação com a Performance em Corridas de Endurance

Por: Cecília Segabinazi Peserico.

126 páginas. 2012 23/11/2012

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Resumo

A velocidade pico (Vpico) tem se mostrado uma efetiva preditora da performance em corridas de endurance, assim como outras variáveis fisiológicas (consumo máximo de oxigênio, limiares relacionados à resposta do lactato sanguíneo) é determinada a partir da realização de testes incrementais máximos. Além disso, o design do protocolo incremental influencia nas respostas destas variáveis. Assim, o objetivo do presente estudo foi verificar o melhor protocolo, a partir de testes incrementais com diferentes taxas de incremento (0,5 km·h-1, 1 km·h-1 e 2 km·h-1), para determinação da Vpico. Participaram do estudo 20 corredores com idade de 25,3 ± 3,1 anos; massa corporal 76,2 ± 8,5 kg; estatura 178,5 ± 0,1 cm; índice de massa corporal 23,9 ± 2,3 kg·m-2; percentual de gordura 13,5 ± 3,2% e com experiência em provas de 10 km (tempo de prática de 3,5 ± 3,2 anos). Os participantes realizaram, aleatoriamente em teste-reteste, três diferentes testes incrementais máximos de corrida em esteira ergométrica multiprogramável com velocidade inicial de 8 km·h-1 e estágios de três minutos de duração. Cada teste diferenciou-se em relação à taxa de incremento entre os estágios, sendo estes de 0,5 km·h-1 (protocolo leve), 1 km·h-1(protocolo médio) e 2 km·h-1 (protocolo pesado). Após os testes incrementais, os participantes realizaram duas performances de uma hora (time trial) de corrida, sendo a primeira realizada em esteira ergométrica e a segunda, em pista de atletismo de 400m. Durante os testes incrementais, ao final de cada estágio, foram monitoradas a freqüência cardíaca (FC) e a percepção subjetiva de esforço (PSE), sendo os maiores valores de FC e PSE atingidos ao final do teste incremental máximo considerados como a freqüência cardíaca máxima (FCmax) e a PSE máxima (PSEmax). A Vpico foi considerada a máxima velocidade atingida no teste incremental, sendo ajustada a partir da equação proposta por Kuipers et al. (2003), caso o participante não concluísse o último estágio do teste. Nas performances foram registradas as velocidades médias - VM (ritmo de corrida) a cada 15 minutos, e os valores de FC e PSE a cada 10 minutos para determinação da FCmax, freqüência cardíaca média (FCmed) e PSEmax. No 5° minuto após o término de cada teste (incrementais e performances), foram coletadas amostras sanguíneas para a determinação da concentração pico de lactato sanguíneo (LApico). A reprodutibilidade teste-reteste foi representada pelos coeficientes de correlação intraclasse (CCI) e de correlação de Pearson (r), pelo erro padrão da medida (EPM), coeficiente de variação (CV) e análise de Bland-Altman. As variáveis obtidas nos três diferentes protocolos incrementais foram comparadas pela Anova de medidas repetidas; as performances foram comparadas pelo teste t para amostras pareadas. As relações entre as performances e a Vpico foram demonstradas pelo coeficiente de correlação de Pearson iv (r), erro padrão da estimativa (EPE) e pela análise de regressão linear simples. Adotou-se, para todas as análises, nível de significância de P < 0,05. Os resultados demonstraram que os valores da Vpico foram estatisticamente diferentes entre os protocolos leve, médio e pesado (14,6 ± 0,7 km·h-1; 15,6 ± 0,7 km·h-1; 16,5 ± 0,8 km·h-1, respectivamente). Além disso, a Vpico apresentou elevada reprodutibilidade nos três protocolos, com elevados valores de correlação (r = 0,85 a 0,96; CCI = 0,85 a 0,94) e baixos valores de EPM (0,17 a 0,30) e CV (1,13% a 1,78%). As variáveis duração do teste, FCmax e PSEmax também apresentaram-se reprodutíveis; entretanto, o LApico pós-exercício não mostrou-se reprodutível, principalmente devido aos elevados valores de CV e baixos valores de CCI. A Vpico determinada no protocolo médio apresentou a mais elevada correlação (r = 0,88 e 0,83 em esteira e pista, respectivamente) e o menor EPE (esteira = 0,38; pista = 0,47) com ambas as performances. A VM da prova realizada em esteira (11,8 ± 0,8 km·h-1) foi estatisticamente menor que na prova em pista (12,2 ± 0,8 km·h-1). Em conclusão, a taxa de incremento utilizada no protocolo incremental influenciou as repostas da Vpico e de outras variáveis fisiológicas (FCmax, LApico pós-exercício, FC e PSE submáximas). Além disso, a Vpico apresentou elevada reprodutibilidade e correlação com as performances em provas de uma hora.

Endereço: http://nou-rau.uem.br/nou-rau/document/?code=vtls000205491

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