Discurso Pedagógico Autoritário: Onde Ele Se Mostra E/ou Se Esconde?

Por: Maria Lívia C. M. Ramos Gonçalves.

III Congresso de Ciência do Desporto

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Introdução: Esse trabalho apresenta a análise de um questionário aplicado durante as aulas de skate realizadas no Projeto Âncora, Organização Não Governamental localizada em Cotia-SP, voltada ao público infanto-juvenil. Nesse contexto, buscamos caracterizar a presença do discurso pedagógico autoritário (cf. Orlandi, 2006), atribuído principalmente ao cenário escolar, produzindo sentido em outros ambientes que não a escola. Lançamos mão da da Análise de Discurso proposta por Orlandi (2001), que converge sujeito, língua e história na constituição do
discurso.

Objetivo: Caracterizar a presença e/ou ausência do Discurso Pedagógico Autoritário em um questionário aplicado nas aulas de skate do Projeto Âncora. Metodologia: Valeremo-nos da questão do Discurso Pedagógico (DP) abordado no livro: A linguagem e seu funcionamento: as formas do discurso (ORLANDI, 2006) para analisar os 56 questionários respondidos individualmente por alunos com idades entre 7 e 16 anos.Notamos traços do DP autoritário em algumas perguntas do questionário. Por exemplo, na questão: “O que é preciso para ser um bom skatista”, ao utilizar a expressão “é preciso”, produz-se um sentido de que os alunos deveriam saber a resposta (certa). Assim, anulou-se a imagem que as crianças poderiam ter do skatista, emergindo o discurso do professor em 47 respostas. Porém, 5 alunos responderam com um discurso diferente, mostrando-se influenciados por outras formações discursivas. Em 3 respostas observamos a alusão à necessidade de possuir o skate para ser um bom skatista. Essas considerações refletem a realidade sócio-histórica em que esses sujeitos estão inseridos, além de ser uma formação discursiva delineada pela sociedade de consumo. Outras 2 respostas atribuíram preparo físico e boa alimentação ao bom skatista. Podemos relacioná-las à popularização dos esportes na grande mídia, já que esses critérios não foram tratados em aula, mas são temas recorrentes em comunicações sobre práticas esportivas. Também notamos perguntas que direcionam as respostas dos alunos. Ao perguntar: “O que você aprende nas aulas além de andar de skate?”, o professor parte do pressuposto de que há necessariamente algo a mais para se aprender nas aulas, além de andar de skate. A maioria das respostas à essa pergunta fizeram alusão ao respeito ao próximo e ao incentivo em ajudar os colegas. Tais respostas podem ser consideradas como sendo reflexo do DP autoritário e/ou da falta de materiais para as aulas de skate. Outros traços do DP autoritário foram observados, assim como contrapontos à essa formação discursiva.

 Conclusão: O DP autoritário observado nos mostrou como o ambiente escolar torna-se opressor em relação aos outros espaços sociais que os jovens freqüentam. Sugerimos alterações no discurso das aulas para que seja possível transformar a forma autoritária de se chegar aos jovens (que recebem todo dia esse tipo de abordagem na escola, família etc.) nas outras formas discursivas que Orlandi (2006) propõe: o discurso lúdico e o polêmico. Nesses discursos os sujeitos têm a possibilidade de se colocarem como protagonistas de sua forma de aprender determinado conteúdo, tanto cognitivamente, quanto relacionado com suas próprias experiências.

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