Diversidade Sexual, Corpo e Educação Física: Aproximações Político-acadêmicas na Ufpr

Por: Nilo Silva Pereira Netto.

58 Reunião Anual da SBPC

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Este trabalho teve como objetivo sintetizar as primeiras conclusões acadêmicas do Grupo de Estudos e Pesquisas em Diversidade Sexual, Corpo e Educação Física, vinculado ao Núcleo de Estudos e Pesquisas Sócio-Filosóficas e Culturais em Educação e Educação Física do Departamento de Educação Física da Universidade Federal do Paraná. Fruto da reunião de alguns/mas pesquisadores/as interessados/as em aprofundar as relações (acadêmicas e profissionais) entre Diversidade Sexual e Educação Física, o grupo tem como objetivos principais: Propiciar espaço de compartilhamento e aprofundamento de conhecimentos pautados nas relações entre Diversidade Sexual, Corpo e Educação Física; Estimular o emergente e necessário debate a respeito da diversidade sexual no ambiente universitário; Oferecer espaço de formação profissional diferenciado e contínuo para acadêmicos/as, bem como para a comunidade interessada em geral; Propiciar subsídios teórico/práticos e estímulo à extinção de comportamentos homofóbicos e heterosexistas na postura docente em Educação Física. As questões que circunscrevem a Diversidade Sexual têm encontrado, principalmente a partir da modernidade, terreno fértil em uma série de teorizações filosóficas, sociológicas, médicas, pedagógicas. Em grande parte tais reflexões partem do corpo e/ou desembocam nele. Justifica-se assim, a necessidade de discussão destas questões nas pesquisas acadêmicas, especificamente dentro da área da Educação Física.


METODOLOGIA:

O trabalho se construiu a partir de atenta revisão de literatura sobre a temática nas produções da Educação e da Educação Física, em busca de mapear e problematizar algumas destas produções. Neste sentido algumas importantes questões conceituais podem ser levantadas. Sobre os estudos ligados ao tema específico da homossexualidade, Mott (1988) afirma que a partir do início do século XX, cresceram as pesquisas relacionadas ao tema dentro dos discursos médicos, aparecendo em menor número e mais recentemente pesquisas ligadas a outras áreas de conhecimentos. Porém, na área específica da Educação Física, como comenta Rosa (2004), são poucos/as os/as estudiosos/as que se dedicam a pesquisar as questões relativas à diversidade sexual, demonstrando assim a carência de compreensão da sexualidade através de pesquisas acadêmicas dentro da área da Educação Física. Ainda segundo Mott (1988), as pesquisas sobre sexualidade tendem a ser "temas menores" dentro do espaço acadêmico, sendo encaradas como "sacanagem". Para o autor, muitos seriam os motivos que explicariam o descaso dos/as pesquisadores/as em relação ao tema, dentre eles ser um tabu dentro da cultura ocidental cristã e a dificuldade em abordá-lo devido à diversidade de opiniões que ele gera, desde contundente reprovação até defesa e propaganda. Além destes/as autores/as aparecem com destaque LOURO (1997), LUZ JUNIOR (2003), ROMERO (1994), SCOTT (1995) e BRITZMAN (1996).


 RESULTADOS:

Depois de realizadas as primeiras incursões investigativas com relação à temática proposta, o grupo aponta, como também primeiros resultados, algumas considerações: a) As discussões de diversidade sexual na Educação Física encontram-se em fase inicial e estão, em sua grande maioria, relacionadas às discussões de gênero e feminismos; b) Existe, na produção investigada, a preocupação de ampliar a idéia de uma educação sexual pautada em características unicamente biologicistas, indicando que tal educação envolve uma série de outras dimensões do humano; c) A Educação Física, ainda que contando com pouco material produzido, é apontada como área com amplo potencial de trabalho com a diversidade sexual, principalmente por conta de ter o corpo em movimento como foco de trabalho; d) Existem, dentro da Educação Física, manifestações que se destacam por suas amplas possibilidades de discussão na temática, apresentando altos índices de manifestações homofóbicas e heterossexistas, sendo que Dança e Futebol aparecem como as mais significativas; e) A bibliografia aponta, em geral, a crescente necessidade de ampliação dos estudos e pesquisas no campo das sexualidades.


CONCLUSÕES:

Tratar das diversas formas de viver as sexualidades na sociedade contemporânea, tendo como parâmetro para isso a perspectiva da defesa da livre expressão da sexualidade e das intervenções sociais sobre o corpo, pelas práticas sociais e conseqüentemente pela Educação Física se caracteriza, sobretudo como um duro desafio. Significa atravessar conflitos com uma sociedade estagnada nos valores burgueses, que historicamente conta com o campo da Educação Física conservando essa realidade, tanto em sua prática pedagógica e formação profissional, quanto em sua produção teórica. Uma história marcada pelos saberes médicos e militares que ditam a conservação e a reprodução social em nome de uma suposta condição da natureza humana, e mesmo atualmente aparecem refletidos como pensamento hegemonicamente instaurado na área. Uma série de discursos prescrevem as sexualidades normais e anormais. Tais configurações não são externas ao cotidiano pedagógico, portanto, permeiam o trabalho de professores e professoras de Educação Física. Estas preocupações têm crescido em meio a pesquisadores e pesquisadoras da área, no entanto ainda estão longe de efetivar real mudança nas estruturas das práticas pedagógicas. Neste sentido, aponta-se aqui a questão como de fundamental importância na edificação de uma educação e de um mundo de relações humanas pautadas no respeito ao outro.

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