Divertimentos, Esportes e a Modernidade Relativa em Belo Horizonte

Por: Sarah Teixeira Soutto Mayor.

Congresso Mundial de Lazer 2018

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Resumo

O presente artigo tem como objetivo problematizar a utilização discursiva dos divertimentos e dos esportes, em suas variadas facetas, como um dos contributos para a afirmação do progresso e da modernidade de Belo Horizonte, capital do estado de Minas Gerais. Aliada a outros referenciais, tais como número de edificações construídas, extensão de área asfaltada, implantação e expansão de serviços de saúde, educação e saneamento, incremento das atividades comerciais, dentre outras intervenções no cenário social, os esportes, juntamente com algumas manifestações de diversão – a exemplo do cinema, do teatro e da dança – lograram importante visibilidade dentre as características veiculadas sobre a cidade em alguns periódicos durante os anos 1930 e 1940, tornando-se indicativo da tentativa de consolidação da jovem capital construída no final do século XIX. Em se tratando da prática esportiva, o olhar da imprensa sugeria uma possibilidade fértil não apenas para se propagandear o progresso citadino, mas também para difundir valores educativos considerados essenciais para a formação do novo cidadão belo-horizontino. As assertivas supracitadas tornaram-se possíveis de serem formuladas e problematizadas por meio da leitura e análise de jornais e revistas que circularam na cidade no período proposto, a saber: revista Alterosa, revista Bello Horizonte, revista Minas Tenis, revista Leitura e jornal Estado de Minas. Embora distintas em vários quesitos, o que envolve comissão editorial, tipo de público consumidor, tiragem, periodicidade e tempo de circulação no mercado jornalístico, todas estas publicações possuíam um ponto convergente: a veiculação expressiva dos feitos realizados na cidade de Belo Horizonte, sobretudo, a ação de políticos em momentos comemorativos, como no aniversário do município, que se cumpre no dia 12 de dezembro. Foram selecionadas reportagens de todos os periódicos sinalizados e, em momento posterior, analisada e problematizada a forma como algumas das diversões e dos esportes era veiculada, atentando-se especificamente à maneira como estas manifestações eram relacionadas aos indicativos de progresso e de modernidade. Junto a outras referências de evolução do município, amparadas especialmente por marcadores numéricos que atestavam o crescimento urbano almejado, manifestações esportivas e de divertimento, bem como lugares construídos especialmente para ambas as finalidades, foram divulgados como importantes ações na promoção de uma ideia de cidade próspera e moderna. Pode-se dizer que em Belo Horizonte, cidade nascida com o regime republicano e idealizada para representar um símbolo supremo desta forma de governo, os divertimentos e os esportes caminharam junto a outras estratégias de desenvolvimento da cidade e seu incentivo e veiculação se direcionavam, sobremaneira, à proposição de novos costumes aos moradores. O incitamento ao gosto e à admiração por manifestações desta natureza estavam no cerne das ambiguidades contidas no desejo da capital mineira de ser uma metrópole moderna, ainda que esta modernidade tenha sido absolutamente relativa, materializada por suas próprias condições locais

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