Do Prado Ao Mineirão: a História dos Estádios na Capital Inventada

Por: Georgino Jorge de Souza Neto.

243 páginas. 2017 25/07/2017

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Resumo

Este estudo teve por objetivo investigar o movimento e o contexto que permitiu a construção dos principais estádios de futebol na cidade de Belo Horizonte-MG, e como estes se legitimam à partir do diálogo que estabelecem com o seu entorno social, nos diversos aspectos (econômico, político, cultural, dentre outros). Para tanto, o período delimitado para a investigação abrangeu os anos de 1904 a 1965, por este abrigar o tempo em que estes estádios foram erguidos na paisagem belohorizontina. Por representar uma investigação historiográfica, o estudo fundamentou-se metodologicamente em dois aportes teóricos balizadores: a História Cultural, particularmente a noção de representação, desenvolvida por Roger Chartier, e a Micro-História, notadamente o conceito de paradigma indiciário descrito por Carlo Ginzburg. Neste sentido, as fontes de pesquisa privilegiaram os periódicos. Assim, foram utilizados jornais e revistas da época, que possibilitaram a tessitura da trama proposta. Neste sentido, os capítulos foram estruturados em recortes temporais específicos, a saber: a construção do Prado Mineiro e sua apropriação pelo futebol (1904-1923); os estádios que surgem na década de 1920 e que passam por importantes reformas na década de 1940, atrelados aos principais clubes da cidade (1923-1948); o estádio Independência, vinculado ao clube Sete de Setembro e importante espaço futebolístico, notadamente na sua relação com a Copa do Mundo de 1950 (1948-1950); e por fim, o estádio do Mineirão, principal palco do futebol na cidade desde a sua inauguração até os dias atuais (1958-1965). Os indícios apontam para a identificação de três constatações particularmente pontuais: a primeira diz respeito à relação estabelecida entre estes estádios e a estruturação urbanística/espacial no seu entorno, promovendo e/ou provocando rearranjos quanto à mobilidade urbana, construção de vias de acesso, planejamento viário, melhorias estruturais, etc. Em todos os momentos, esta relação se mostra bastante potente, podendo ser percebido um influxo de organização do espaço da cidade em função da existência dos estádios. Um outro entendimento trata do quanto estes espaços se configuram dentro da lógica da modernidade, atendendo (ou procurando atender) às exigências e demandas de um outro ordenamento social, desde aspectos urbanísticos à espetacularização do fenômeno esportivo e de seu atrelamento à uma crescente determinação mercadológica. A ideia de modernidade se configura, portanto, como importante categoria relacional destes estádios com a cidade de Belo Horizonte, estabelecendo, em certa medida, o convencimento legitimador de sua construção. Por fim, a maneira como os estádios em Belo Horizonte são fortemente demarcados pelo contexto político, em todo o decurso temporal do estudo. Do Prado ao Mineirão, a ordem política é determinante para a viabilização dos projetos que originam os estádios, desde embates de adversários políticos, privilégios de determinados grupos que detinham o controle do campo esportivo na cidade, e elaboração de uma legislação facilitadora para a implementação.

Endereço: http://www.bibliotecadigital.ufmg.br/dspace/handle/1843/BUOS-B2CGRB

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