Ecletismo Desportivo

Por: André Fernandes da Cunha.
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Resumo

O ecletismo, enquanto símbolo de diversidade, adquire características peculiares no associativismo desportivo em Portugal. Do nascimento à consolidação das coletividades desportivas mais antigas, o ecletismo foi o passo seguido por muitos clubes – de pequena ou de grande dimensão – como meio de afirmação social e por via da presença em diferentes modalidades desportivas. Num momento posterior, a profissionalização no processo desportivo e a afirmação do futebol como principal agregador de praticantes e adeptos (entre outros fatores) lançaram esses clubes na procura de um equilíbrio entre custos e receitas. Alguns desses reduziram a sua atividade competitiva ou impuseram o princípio do utilizador-pagador e outros diminuíram o número de modalidades ou restringiram os escalões etários da prática desportiva. Após este processo de racionalização financeira, o ecletismo desportivo vem assumir características um pouco diferentes.

Se a opção por clubes multidesportivos é um fenómeno com maior relevo na Europa meridional, por contraponto, o associativismo desportivo do norte da Europa tende a afirmar-se em torno de uma só modalidade. A função social do desporto – enquanto catalisador de ligações entre pessoas – é pressentida como importante, pelo que garantir uma diversidade desportiva racional pode melhorar, na nossa realidade, a resposta aos diversos anseios da comunidade, sem qualquer menosprezo pela relevância inegável do futebol. Da simples prática desportiva ao espetáculo dos estádios vai uma grande panóplia de participação das pessoas, mas o fenómeno do Desporto consegue abarcar essa diversidade e criar oportunidades de ligação entre elas. Não deverá ser (e não é) estranho alguém gostar de ver o futebol do clube do seu coração e também gostar de participar em corridas pela serra. Tal como não será fora do comum alguém jogar futebol em torneios não federados e dirigir a secção de ciclismo do clube do seu coração. O desafio atual está em encarar o ecletismo não apenas nas modalidades, mas, em complemento, no tipo de participação no desporto. Uma coletividade desportiva que consiga enquadrar, no seu seio, as diferentes motivações de participação aumenta a sua relevância social e responde, com maior eficácia, às necessidades da comunidade.

É, pois, com extremo gosto que escrevo estas linhas e faço-o por dois motivos essenciais. Por um lado, reconheço a valia pessoal e profissional dos responsáveis por este novo projeto, que se assumem como os garantes da sua qualidade editorial e do seu potencial em interligar pessoas, registar acontecimentos ou partilhar ideias: o verdadeiro ecletismo. Por outro lado, a entidade centenária que lança esta publicação é – em si mesma – uma verdadeira instituição desportiva e social, ao serviço da comunidade que a acolhe. Deixo aqui os meus parabéns ao Club Sport Marítimo e aos maritimistas por mais este desafio.

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