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Este número do Motus Corporis, dedicado ao futebol, consolida a política editorial traçada e explicitada em editoriais passados. Continuaremos, como tínhamos proposto, realizando o número do primeiro semestre com formato multitemático, sendo temático o do segundo semestre, no caso: Futebol e cultura.

A organização do número foi responsabilidade dos doutores Prof. Hugo Lovisolo e Prof. Antônio Jorge Soares.

O tema futebol é um dos eixos de nossas paixões nacionais e, crescentemente, de renovados e instigantes investimentos intelectuais. Sob este ponto de vista, tornou-se o futebol um núcleo de uma rede de análises e pesquisas das relações econômicas, políticas, éticas, culturais e técnicas que especificam o campo do futebol e de suas relações com outras esferas ou dimensões da sociedade envolvente. Ir da sociedade para o futebol e voltar do futebol para a sociedade com compreensões renovadas já é uma moeda corrente. Velho modo de andar que supõe que: realizamos pré-compreensões sobre o todo, com as quais nos aproximamos da parte, gerando novas compreensões que levam a modificar as originalmente elaboradas sobre o todo. Círculo hermenêutico, dirão alguns; outros pensarão, talvez com maior simplicidade, que é um dos modos de funcionamento da mente.

Os artigos deste número refletem, de modo parcial e provisório, como não podia deixar de ser, a diversidade das questões, dos enfoques teóricos e das metodologias com as quais nos aproximamos do futebol para entendermos seu lugar, seus efeitos e sua dinâmica histórica e cultural. Na própria diversidade, na possibilidade de fazermos perguntas diferenciadas, reside um dos vetores da riqueza das pesquisas que os artigos apresentam. Identidade local e nacional, racismo, segregação e reações, política, construção do herói e elaboração das derrotas, violência e biografia são eixos centrais dos artigos de Futebol e Cultura.

Importa destacar que os autores deste número pertencem, por formação, ao campo da história, das ciências sociais, da comunicação e da educação física e esporte. A multiplicidade de referências de áreas de formação indica, claramente, que o futebol é um tema cuja natureza, quase que espontaneamente, demanda e permite diferentes abordagens. É um lugar de possível diálogo entre disciplinas academicamente diferenciadas, porém referenciadas nas relações entre os esportes e a cultura. O diálogos interdisciplinares sobre temas como o futebol aparecem, em princípio, como possibilidade de redução das barreiras existentes entre as disciplinas. Contudo, não podemos deixar de mencionar que questões e categorias de análise da história e das ciências sociais dominam os artigos que compõem Futebol e Cultura. Acreditamos, no entanto, que a qualidade e o interesse dos artigos favorecerão o diálogo e motivarão novos investimentos na reflexão sobreo futebol e que, também, contribuirão para o relacionamento intelectual entre os interessados em suas questões.

A maioria dos artigos que apresentamos são resultado da atividade acadêmica e, especialmente, da pesquisa produzida no contexto de elaboração de dissertações e teses ou de programas de formação ainda em curso de mestres e doutores. Os artigos de Arlei Sander Damo, Plínio José Labriola de C. Negreiros, Antônio Jorge Soares e Alexandre Fernandez Vaz representam essa vertente. Sem dúvida, suas produções reforçam a impressão de que estamos diante da formação de um campo de estudo, cultura e futebol, no contexto de diferentes programas de pós-gradução e matrizes disciplinares: antropologia, geografia, sociologia, história, educação física ou ciências dos esportes. Luiz Carlos Rigo e Silvio Ricardo da Silva focalizam a memória do futebol, a Copa de 1950, a partir de informantes que participaram do evento. Ronaldo Helal, que trabalha há vários anos com a temática do futebol, focaliza neste número a temática do herói e, esperemos, encontre novos parceiros para o diálogo. Hugo Lovisolo e Fábio FranziuÍ participam do número mediante resenhas. Forma parte da política editorial promover a realização de resenhas, pois pensamos que é uma de nossas carências intelectuais o baixo número de resenhas realizadas no Brasil. Refletir sobreo trabalho do colega, mediante resenhas que sejam críticas, é tanto uma forma de afiançar a comunidade dos pesquisadores quanto de facilitar a formação de um público informado. Por último, apresentamos os resumos das dissertações e teses defendidas e ainda não divulgadas em números anteriores de Motus Corporís.

Helder G. Resende 
Hugo R. Lovisolo 
Editores científicos

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