Editorial. Decidir Sobre Nós Mesmos

Por: , Felipe Quintão de Almeida e Jaison José Bassani.

Revista Brasileira de Ciências do Esporte - v.37 - n.4 - 2015

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O presente número da RBCE traz, uma vez mais, a pluralidade da produc¸ão em educac¸ão física/ciências do esporte. A leitura em conjunto dos artigos que temos publicado, e não é diferente na presente edição, que contém 15 trabalhos originais, mostra que na área se faz pesquisa de todo tipo e com interfaces muito variadas. Além disso, há artigos escritos individualmente, assim como outros com um número de autores que operam em cooperacção ou em divisão social do trabalho acadêmico, até com pesquisadores do exterior. A conformação de redes de pesquisa é uma realidade cada vez mais visível e profícua nesses tempos de comunicac¸ão muito rápida.

Se tudo isso, e muito mais, expressa o movimento da área, apresenta desafios para a organizac¸ão da pesquisa e também para a veiculação de resultados, seu tópico mais premente diz respeito a uma tensão que precisa ser equacionada. Referimo-nos à posição da Educac¸ão Física/Ciências do Esporte na grande área da saúde, mas à presença, em seu interior, de trabalhos oriundos das ciências humanas e sociais. Programas de pós-graduac¸ão apresentam pesquisadores de humanidades, ainda que em número muito menor do que aqueles vincados na saúde; bolsas de produtividade em pesquisa e outras modalidades de financiamento são destinadas a pesquisadores de história da Educac¸ão Física e dos esportes, de formac¸ão de professores e outras subáreas correlatas; os periódicos apresentam um equilíbrio variável entre artigos de uma e outra área. A RBCE tem mantido há vários anos uma relac¸ão numérica igualitária entre trabalhos de saúde e humanidades, fiel ao projeto do Colégio Brasileiro de Ciências do Esporte de representar a pluralidade da área. O próprio CBCE, no entanto, apresenta dificuldades nessa representação, o que se pode observar em seus grupos de trabalho temático, quase todos dedicados ao estudo e debate de questões internas às humanidades. Já sabemos que a delimitac¸ão de objetos, metodologias e abordagens, bem como os critérios de avaliação, não são sempre os mesmos em diferentes áreas ou subáreas de conhecimento. Mas que consequências tiramos dessa conclusão ainda é uma pergunta que não foi respondida, talvez porque nos falte coragem para pautá-la.

Os desafios e as tensões mencionados, que são da RBCE, do CBCE e da Educac¸ão Física/Ciências do Esporte, se colocam em outro patamar com a intensificação das exigências para indexação. Bases importantes demandam cada vez mais rigidamente no que se refere às normas para os formatos da produção do conhecimento, movimento no qual a internacionalizac¸ão desponta como meta e mito, simultaneamente. Internacionalizar obriga ao passo de redigir em inglês, seja originalmente ou em forma de traducão, o que requer recursos não apenas, mas principalmente,

Endereço: http://revista.cbce.org.br/index.php/RBCE/article/view/2171/1133

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