Educação Física Cultural: Relatos de Experiência

Por: (Organizador).

209 páginas. Paco Editorial. 2018

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Sobre a Obra

APRESENTAÇÃO

O que move professores e professoras a narrarem suas experiências pedagógicas? O que pode haver de interessante nesses trabalhos que mereça ser divulgado? Por que a Pró-Reitoria de Cultura e Extensão da Universidade de São Paulo investe recursos na publicação de registros docentes? Quem se beneficia com a produção ou o acesso a esses materiais? Que efeitos suscitam a elaboração ou a leitura desses documentos?

Embora a prática de relatar ações didáticas contextualizadas, identificando os objetivos alcançados, as falas dos estudantes e toda a gama de dificuldades e desafios enfrentados não possa ser tomada como novidade, a pesquisa sobre o tema e o emprego de relatos de experiência como recursos para a formação inicial e continuada de professores e professoras é algo bem recente. Estudos realizados nas duas últimas décadas sobre a chamada documentação pedagógica disponibilizam um amplo conjunto de respostas às questões acima. Já se sabe, por exemplo, que o ato de registrar a própria prática atua simultaneamente como forma de análise do processo vivido e produção de saberes pedagógicos. As pesquisas também dão a conhecer que cada professor ou professora interpreta suas ações didáticas de uma determinada maneira, independentemente da etapa de escolarização ou do componente em que atue. Além disso tudo, longe de constituir exemplo a ser seguido ou modelo de uma determinada proposta, a narrativa docente age como dispositivo no sentido foucaultiano, influenciando não só quem lê mas também quem escreve. Ou seja, ninguém passa incólume ao interagir com um relato de experiência. Ele deixa suas marcas, apesar de que, na maior parte das vezes, sejam impossíveis de identificar, pois tanto o Educação Física Cultural: relatos de experiência 7 induzir a uma falsa compreensão. É importante lembrar que tais referências se enraízam no escolanovismo e no tecnicismo educacional, ou seja, dizem respeito à promoção de situações didáticas em que os estudantes protagonizam o processo de aprendizagem ou docentes ensinam por meio de atividades criativas e motivantes. Frise-se que em nenhum dos casos os cânones curriculares são abalados.

O primeiro capítulo marca essa distinção ao explicar a importância que as narrativas docentes exercem não só na documentação da Educação Física cultural, mas na própria construção de conhecimentos sobre a proposta. É possível dizer que uma não existiria sem a outra. Não fosse o esforço de professores e professoras para registrarem suas experiências, partilhá-las em livros, seminários ou no site do Grupo de Pesquisas em Educação Física escolar da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (GPEF), talvez essa perspectiva de ensino sequer existisse ou, no mínimo, não teria alcançado a atual visibilidade e impactado tantos professores e professoras, chegando a influenciar na redação de currículos oficiais.

Os relatos de experiência, ao serem transformados em objetos de estudo pelos membros do grupo, ocuparam um lugar importante no aprimoramento dessa vertente de ensino. É o que se percebe por meio da leitura dos textos elaborados por Aline dos Santos Nascimento, André Vieira, Alessandra Müller, Arthur Müller, Everton Arruda Irias, Flávio Nunes dos Santos Júnior, Vitor Nunes Quaresma, Franz Carlos Oliveira Lopes, João Paulo dos Reis Nery, Jorge Luiz de Oliveira Júnior, Leandro Rodrigo Santos de Souza, Luiz Alberto dos Santos, Marcelo Ferreira Lima, Pedro Xavier Russo Bonetto, Marina Basques Masella, Ricardo de Oliveira e Ronaldo dos Reis. Docentes que atuam na Educação Infantil, no Ensino Fundamental ou no Ensino Médio de escolas públicas como tantas outras. Cada qual ao seu modo, tematizou uma brincadeira, dança, luta esporte ou ginástica, com toda a complexidade que isso implica e fez valer a condição de autor ou autora do ato curricular para produzir, não só o fazer pedagógico, mas também o seu registro escrito e imagético. Quando narra a própria experiência, o docente reinventa e ressignifica o percurso vivido. Mescla descrição, análise e pensamento. Deixa emergir interpretações, recupera memórias e lhes confere ou- Marcos Garcia Neira 8 tros sentidos. Relatar a própria prática é falar sobre si. A docência é mais do que planejar, executar e avaliar. É também discursar sobre. Nisso reside todo o potencial deste livro. Talvez, a leitura dos documentos pedagógicos leve à compreensão da proposta. Talvez, estimule professores e professoras a registrarem os trabalhos que realizam. Talvez, até, possa tornar-se fonte de inspiração para outros docentes. Em meio a tantas dúvidas, cabe uma certeza. Este Educação Física cultural: relatos de experiência, ao promover discursos dos docentes sobre uma determinada concepção curricular, produz política e pedagogicamente a sua existência. Cumpre a função de tornar pública uma perspectiva de ensino democrática e democratizante. Uma proposta que toma partido, não se acovarda. Assume explicitamente uma posicão a favor dos mais fracos e defende o direito que todas as pessoas têm a expressar sua gestualidade e as formas de representá-la. É sempre bom lembrar que essa postura precisa ser exaltada nos tempos sombrios em que vivemos.

Marcos Garcia Neira

São Paulo, outubro de 2018.

Sumário

título página
Relatos de Experiência com o Currículo Cultural da Educação Física: Formando Professores e Professoras no Chão da Escola 9
Bad o Quê? Uma Produção Sobre o Badminton 20
Desconstruindo o Normativo Através das Mochilas: Existem Outras Possibilidades de Ser? 29
Brincando na EMEI Jaguaré 40
Huka-Huka e Derruba o Toco: Lutas Indígenas nas Aulas de Educação Física 50
Transmutando as Performances dos Corpos: Rebeldias e Transgressões Educacionais 59

Endereço: http://www.gpef.fe.usp.br/

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