Educação Física Escolar na Fronteira Brasil-Bolívia: Desafios e Dilemas Interculturais

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267 páginas. 2017 14/02/2017

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Resumo

O presente trabalho foi desenvolvido na cidade de Corumbá, no estado de Mato Grosso do Sul (Brasil), um local fronteiriço que faz interação particular com a Bolívia. Neste local, existe a presença permanente de diferentes etnias que transitam e perpassam aquele território. É diante desta realidade e suas complexas nuances fronteiriças (Brasil-Bolívia) que a Educação Física escolar é discutida nesta tese, vinculada a temas como educação, diversidade cultural, interculturalidade, etnicidade, etnocentrismo, esporte e corpo. Ressalta-se que a região estudada é influenciada pelos diversos acontecimentos (macro e micro) dos campos social, cultural, político e econômico, criando um mosaico de aproximações, trocas, dificuldades, fricções e constrangimentos que permeiam as relações humanas na fronteira, as quais tendem a ser valoradas, tensionadas e/ou compartilhadas pelas pessoas que convivem naquele local. Assim, o presente estudo buscou compreender a Educação Física escolar em um território fronteiriço, que sofre diversas influências do seu próprio contexto, decorrentes das leis nacionais e internacionais, de fatores culturais, políticos/diplomáticos, econômicos, sociais e étnicos. Considerando os processos de aproximações e preconceitos existentes na região, o objetivo geral foi examinar os aspectos étnicos que permeiam as ações pedagógicas da disciplina Educação Física escolar, especialmente observando como descrevem professores e alunos – estes de etnias e identidades distintas (em alguns casos híbridas) – sobre as práticas corporais numa escola fronteiriça. Em termos metodológicos, a pesquisa teve como pano de fundo a etnografia, sobretudo considerando a complexidade de articulação entre a área de Educação Física e os diferentes aspectos da fronteira em estudo. Foram entrevistados sete professores e 20 alunos (brasileiros-bolivianos) de uma escola pública municipal (CAIC), particularmente próxima à fronteira (Brasil-Bolívia) e com maior número de discentes residentes na Bolívia, que fazem o movimento pendular para estudar no Brasil. Os dados da pesquisa de campo foram coletados através de entrevistas previamente estruturadas (roteiro) e analisadas qualitativamente (análise de discurso). Posteriormente, com as informações de todos os entrevistados, foi possível comparar os dados ‘intragrupos’ (docente X docente / discente X discente) e também ‘intergrupos’ (docentes X discentes). Obtiveram-se, dessa forma, convergências e divergências entre os discursos dos pesquisados, particularmente sobre as questões ligadas à educação intercultural e aos aspectos socioculturais na condução da disciplina Educação Física em região de fronteira. Os dados analisados indicam existir potencialidades da área para colaborar na superação dos possíveis processos discriminatórios entre os alunos, projetando também novas questões-preocupações educativas para os professores de Educação Física e aos demais cursos de formação superior em licenciatura, especialmente para os que pretendem considerar o tema da educação intercultural em regiões com integração fronteiriça internacional.

Endereço: https://bdtd.ucb.br:8443/jspui/handle/tede/2025

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