Educação Física Escolar no Período da Ditadura Militar em Jundiaí - Sp (1964-1985)

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2011 09/05/2011

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Resumo

Diante das nossas experiências vividas e duma história contada pela literatura especializada, que concebe a Educação Física (EF) em diferentes momentos históricos como preponderante nos planos do Estado e da classe dominante na concepção de sociedade vislumbrada, nos propusemos a investigar as nuances dessa história que comumente ignora os professores de EF como agente do processo de construção desta área do conhecimento. A forma determinista como tal literatura aborda o período em questão, como se o modo de produção fosse capaz de determinar todas as ações daqueles indivíduos, enquadrando-os num sistema causa-efeito em que o sujeito pouco pode controlar os rumos de seus atos, nos levou a erigir uma hipótese alicerçada na vivencia pedagógica dos professores, ou seja, a EF, como área profissional, aproximava-se, e ao mesmo tempo, afastava-se da visão estatal. Suas posições eram determinadas não por forças exclusivas de um governo autoritário, mas também pela perspectiva individual dos professores pela mudança de cenário da Educação Física escolar (EFE). Diante disso, para alcançarmos o objetivo do estudo nos valemos da metodologia proposta pelo historiador Paul Thompson, a história oral. Além disso, também nos propusemos a analisar as leis e decretos promulgados na época, além do currículo formal da única Faculdade de EF criada no período na cidade de Jundiaí, haja vista o contexto das nossas investigações e o diálogo continuo que procuramos manter com a literatura especializada. Sendo assim, apoiamos a análise dos depoimentos no conceito de experiência de E.P. Thompson, e pudemos perceber o quanto a história é mais nuançada, e apesar de, o esporte ter sido conteúdo hegemônico dos professores por nós entrevistados, não podemos confirmar que isso se deu por uma imposição cultural que tinha a EFE o cerne das aspirações estatais. Isso porque como evidenciamos, os professores procuraram no fenômeno esportivo uma forma de legitimidade social. Além disso, as singularidades no trato pedagógico dado pelos professores nos mostraram como cada sujeito, a seu modo, lida com aquilo que lhe é determinado e às vezes age sobre a determinação, dentro de certos limites. Por fim, podemos afirmar que a prática pedagógica desses professores não foi determinada por um governo mancomunado com a classe dominante a fim de incutir os valores que os interessavam. Apesar de admitirmos as ações ideológicas no período, pensamos que o professor diante de seus condicionantes históricos agia perante aquilo que lhe foi proposto e foi ativo no processo de consolidação da EFE..

Endereço: http://www.usjt.br/biblioteca/mono_disser/mono_diss/2011/163_araujo_wesley.php

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