Educação Física na Escola e Sistema Sexogênero-sexualidade: o Que nos Dizem Algumas Bichas?

Por: A. I. M. Ribeiro e V. M. Prado.

IX Congresso Internacional de Educação Física e Motricidade Humana XV Simpósio Paulista de Educação Física

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Resumo

Gênero e sexualidade são dispositivos culturais que objetivam construir corpos em consonância com normas regulatórias pré- estabelecidas. No que se refere à construção de uma estética de existência, não ser decodificado socialmente como "heterossexual" condiciona a vida de alguns sujeitos à angustia, ansiedade, desconforto e medo de ser "identificado" como "estranho", "esquisito" ou "anormal". As práticas escolares da Educação Física, não raro, acionam esses dispositivos e homogeneízam as possibilidades de sentir os corpos, movimentos e prazeres. Ancorados em uma perspectiva póscrítica de pensamento, objetivamos refletir sobre as potencialidades de aproximação da teoria queer da área. Pautados na ideia de subversão, que possibilita a insurgência de novas composições corporais, problematizamos a construção da Educação Física Escolar no Brasil enquanto um discurso atendente a ótica sexo-gênero-sexualidade, bem como analisamos alguns impactos das práticas escolares da área no processo de subjetivação de experiências de sujeitos que se autorrepresentam como homossexuais. Por meio de seis entrevistas semiestruturadas com egressos do ensino médio, inspirada no Método da História Oral, elaboramos algumas inferências sobre normalização dos corpos por meio das práticas corporais, dentre elas, às esportivas. O processo analítico se baseou na técnica de Análise de Conteúdo. Como considerações, argumentamos que a Educação Física Escolar em muito contribui para a construção e manutenção do preconceito homofóbico. Talvez não de maneira deliberada, mas por não questionar o inconsciente histórico que constituiu os conhecimentos da área a partir de ideais machistas, misóginos e heterossexistas. Cabe ressaltar que a omissão pedagógica de professores e professoras frente a situações de discriminação também reitera a ordem normativa e discriminatória que rechaça qualquer forma de expressão não pautada no "pensamento heterossexual". A injúria se estabelece na escola como um dos primeiros mecanismos que visam instituir e marcar uma diferença no "outro". Como último apontamento indagamos que a Educação Física necessita buscar referentes teóricos em áreas que questionem a abordagem biomédica como único foco direcionador de intervenções sobre a cultura corporal de movimento. 

Endereço: http://www.periodicos.rc.biblioteca.unesp.br/index.php/motriz/article/view/10060/10060

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