Educação Física e Saúde Coletiva: Políticas de Formação e Perspectivas de Intervenção

Por: (Organizador) e Felipe Wachs (Organizador).

UFRGS. 2007

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Sobre a Obra

Apresentação

O livro Educação física e saúde coletiva: políticas de formação e perspectivas de intervenção é o principal resultado do projeto Estilo de vida ativo versus sedentarismo: efeitos de um programa de promoção de atividade física e saúde na cultura corporal urbana, desenvolvido pelo Núcleo UFRGS da Rede Cedes (Centro de Desenvolvimento do Esporte Recreativo e do Lazer) do Ministério do Esporte. Aqui estão reunidos trabalhos de investigação desenvolvidos em diferentes lugares; trabalhos estes que se articulam em torno do processo de formação e das possibilidades de atuação em educação física dentro dos princípios da saúde coletiva.

Madel Luz abre o livro com a discussão sobre a incipiente presença de práticas corporais no sistema de saúde a partir de resultados encontrados em estudos socioantropológicos do Grupo de Pesquisa Racionalidades Médicas e Práticas em Saúde da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ).

Vera Maria da Rocha e Carla Centurião estruturam seu texto na crítica à formação dos profissionais de saúde enraizada no modelo biomédico e hospitalar. Elas discorrem, tendo como base as diretrizes curriculares dos cursos da área da saúde, sobre a possibilidade de organizarmos o processo de formação de saberes e competências baseado no princípio da integralidade e voltado para a atuação multiprofissional.

A formação universitária em educação física é discutida a partir de uma perspectiva crítica por Marcos Bagrichevsky. O texto privilegia a reflexão sobre políticas de formação a partir da experiência de elaboração e implementação do curso de licenciatura em educação física do Instituto Blumenauense de Ensino Superior (IBES) em Blumenau, Santa Catarina.

Ricardo Ceccim e Luiz Fernando Bilibio partem do entendimento de que o corpo se inscreve na cultura pela potência dos seus gestos, posturas, movimentos, imitação e, além de tudo, pela criação de signos. A reflexão sobre o cuidado em saúde dos profissionais de educação física, inspirado na defesa e afirmação da vida, é o fio condutor de um texto que busca potencializar o olhar fronteiriço da educação física/saúde coletiva.

Yara Carvalho aborda a experiência em desenvolver práticas corporais junto ao Centro de Saúde Escola Samuel B. Pessoa da Universidade de São Paulo (USP). A autora trabalha diversos conceitos, princípios e diretrizes que orientam as intervenções e pesquisas no referido centro para discutir a importância da formação em serviço, bem como da realização de pesquisas que aproximem a educação física da saúde coletiva.

José Geraldo Damico, ao escrever seu artigo, parte da sua experiência profissional junto à comunidade do Campo da Tuca, em Porto Alegre, articu-lando saberes pertinentes à educação física e suas possíveis conexões com a psicanálise para discutir as possibilidades de intervenção nas unidades básicas de saúde. Também tece críticas sobre a lógica sanitária eminentemente biomédica, e defende a integralidade como princípio do cuidado para melhor atender as demandas em saúde pública. 

Felipe Wachs, a partir da sua experiência no atendimento a um adolescente com diagnóstico de esquizofrenia, apresenta o modo como foi “capturado” pela luta antimanicomial. Fundamentado no aporte teórico foucaultiano, situa o processo de constituição dos manicômios para discutir a emergência do movimento das reformas sanitária e psiquiátrica no Brasil, bem como os limites e possibilidades de atuação da educação física no âmbito da saúde mental.

Dagoberto de Oliveira Machado desenvolve, a partir de uma experiência vivenciada ao acompanhar uma agente de saúde, uma reflexão sobre acessos. Em três movimentos discute: a formação que lhe deu acesso àquela vivência; o Programa de Saúde da Família como acesso do sistema de saúde; e a inserção na educação física de discussões relacionadas ao campo da saúde coletiva. 

Alex Branco Fraga, Igor Ghelman Sordi Zibenberg, Rute Viégas Nunes, Felipe Wachs e Dagoberto de Oliveira Machado apresentam o processo de constituição do desenho investigativo e a agenda dos investimentos analíticos resultantes da pesquisa Estilo de vida ativo versus sedentarismo: efeitos de um programa de promoção de atividade física e saúde na cultura corporal urbana.

A Carta de Porto Alegre fecha o livro. Este material foi elaborado no “Seminário de Educação Física e Saúde Coletiva: inserção no SUS” realizado na capital gaúcha nos dias 23 e 24 de junho de 2006. O documento foi sistematizado por uma equipe indicada pelos participantes na plenária final do evento, visando ressaltar as contribuições que emergiram do debate que contou com a presença dos(as) autores(as) que assinam os textos deste livro.

Os textos aqui reunidos procuram fomentar políticas de formação, intervenção e pesquisa na zona fronteiriça entre educação física e saúde coletiva. Nossa intenção foi a de organizar um livro situado nesse entre-lugar que começa a ser aberto, de modo ainda incipiente, no mundo do trabalho e no universo acadêmico. Somos gratos ao Ministério do Esporte e à Editora da UFRGS por nos permitir dar vazão ao que aí vem sendo produzido para, quem sabe, de algum modo afetar (e sermos afetados) pelas produções que estão porvir. É, portanto, um “livro-convite”. Sintam-se convidados. Boa leitura!

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