Educação Física e o Curso de Formação de Professores de 1o Grau (normal)

Por: Eduardo Alexandre Dantas da Veiga.

I EnFEFE - Encontro Fluminense de Educação Física Escolar

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Desde 1992 , tenho me envolvido com a disciplina Educação Física no contexto do curso de formação de professores de 1o grau (usualmente conhecidos como curso ‘Normal’). Já naquela ocasião, determinadas perguntas me angustiavam. Qual deve ser a proposta de um curso de educação física naquele contexto? Quais os conteúdos deveriam ser trabalhados? Que objetivos devem ter as futuras professoras(es) ao trabalhar com a educação física? Como dividir e selecionar os conteúdos no decorrer dos três anos de curso? Existiria a possibilidade destas(es) docentes trabalharem com a educação em escolas que não possuem professores específicos desta disciplina?
Desde então, tenho procurado respostas para estes questionamentos, seja no âmbito da esfera legal (leis e determinações que por ventura procurassem regulamentar e explicitar o papel desta disciplina nestes cursos) ou no âmbito acadêmico (existiriam estudos dedicados a esta problemática?).
Na verdade, as relações entre educação física e o curso de formação de professores de 1o grau são bastante longínquas. De fato, afirma-nos o prof. Inezil Penna Marinho, em estudos de 1957, que desde a criação das Escolas Normais (1876) se previa a prática de atividades físicas institucionalizadas. Obviamente, os objetivos eram diferenciados e mudaram vertiginosamente no decorrer dos tempos, mas, de alguma forma, estas relações sempre se mantiveram. Existiram até mesmo preocupações no seio das primeiras escolas de formação em educação física em conceder espaço significativo para a formação de professores adequados ao ensino desta disciplina no contexto de primeiro grau.
Basta ver que a Escola Nacional de Educação Física e Desportos, uma das mais importantes da área, desde sua fundação dedicou um curso exclusivo (chamado Educação Física Normal) à formação de professores exclusivos de 1o grau. Para realizar este curso, o candidato (a) deveria possuir formação de 2o grau no Normal. Tal curso foi desligado em 1968 e a partir de então passou a ser responsabilidade das Escolas Normais o ministrar de disciplinas específicas ligadas à educação física.
Hoje, segundo a coordenadoria de 2o grau do Curso de Formação de professores do Estado do Rio de Janeiro o plano vigente é o Parecer n. 089/94 , onde este plano foi extraído do projeto de reformulação de currículos do Conselho Estadual de Educação que tem a responsabilidade de gerenciar este plano. Após esta reformulação a disciplina passou a ser entendida como Educação Física/ Conteúdos e metodologia da Educação Física consistindo em duas aulas de 50 minutos por semana e o curso basicamente dividido em duas fases . A primeira fase, relativo ao primeiro ano do curso, é caracterizada pela vivência dos conteúdos de pré à 4a. série, contextualizadas na educação física, ou seja, a professoranda se apropriará do conhecimento através da prática (esta deverá estar associada a prática esportiva). A segunda fase, referente aos dois últimos anos, priorizando-se a instrumentação das professorandas (os) através do aprofundamento teórico, vivenciados na prática, no sentido de compreender a inclusão da educação física na educação escolar. Simultaneamente busca-se o desenvolvimento harmonioso e saudável do próprio corpo do professorando (a).
Vê-se que a proposta curricular oficial não corresponde com a importância do curso de magistério, formadora de nossas futuras profissionais, com isto nota-se a atenção desta coordenadoria em direcionar esta proposta.
Em detrimento à proposta curricular vigente, no livro de Inezil, onde este mostra o programa de Educação Física e Recreação do curso normal do Instituto do Distrito Federal. Neste, o programa é definido assim: Objetivos, Parte Técnica, Parte Técnico-Prático, Parte Teórica, Noções de Metodologia, e ainda sugestões de trabalhos em grupo seminários e debates. Nota-se que estou citando de programas com cinco décadas, pois o programa vigente discute em apenas um parágrafo toda a proposta curricular
Em visita feita à coordenadoria geral do magistério, foi constatado não haver representantes da área de Educação Física nesta estrutura administrativa desde 1989. Daí surgem mais questionamentos. Então, quem redigiu a proposta da disciplina em questão? Será que quem redigiu conhece a necessidade e a rotina dos cursos de normal?
Surpreendentemente, a despeito da importância que este assunto ocupou no passado e da importância destas futuras profissionais de educação, contemporaneamente poucos são os estudos têm procurado discutir as peculiaridades da disciplina ‘educação física’ no contexto dos cursos de formação de professores(a).
Este estudo, ainda em fase preliminar, tem por objetivos: analisar criticamente a atuação dos professores de educação física que atuam neste contexto da formação profissional; a partir desta análise e de uma revisão da literatura propor direcionamentos que contribuam para uma prática de qualidade destes (as) profissionais.
Fica claro e evidente que os profissionais desconhecem o que se refere a esfera legal (leis e determinações) regulamentada pelo plano curricular da coordenadoria de 2o grau do Estado do Rio de Janeiro, bem como tem atuado sem consciência clara dos parâmetros necessários ao ministrar as aulas neste curso responsável pela formação dos profissionais que educarão futuramente, estando ainda , atuando a nível do senso comum. Assim, tenho ultimamente me dedicado a, introdutoriamente, abordar este problema.
Obviamente, meu interesse na realização desta pesquisa , não se resume em simplesmente em analisar a realidade das escolas estaduais e particulares. Minha expectativa é partir da necessidade precípua de encontrar respostas às minhas indagações, surgidas na minha prática cotidiana e na minha experiência enquanto professor da Rede Estadual de ensino. Através desta pesquisa, pretendo encontrar subsídios para a melhoria de minha prática cotidiana, como também apontar caminhos para outros profissionais que, como eu, têm se deparado com problemática semelhante.
Logo, pretendo desenvolver uma abordagem teórica sobre as peculiaridades da disciplina educação física (sua prática e desenvolvimento) nos cursos de formação de professores de 1o grau. Com isto pretendo propor sugestões e direcionamento, que venham a desembocar em uma proposta de melhoria da disciplina e de sua contribuição, colaborando para legitimá-la naquela estrutura curricular. Creio que, desta forma , estaria também a contribuir para a melhoria da prática profissional destas futuras professoras(es), em grande parte responsáveis pela formação básicas das crianças e pela construção inicial de conhecimentos, vislumbrando também para colaborar para que efetivamente possam contribuir no processo de construção da cidadania de seus alunos.
Para o alcance de meus objetivos pretendo traçar críticas a nível de regionalidade e pedagógico ao programa oficial da Secretaria de Educação no sentido de indagar se este é compatível às diversas regiões do estado do Rio de Janeiro, já que nos municípios afastados do grande centro há um déficit de professores (as) de educação física e também analisar os programas e as aulas da disciplina em dez escolas, confrontando tal observação com o programa oficial do Estado. Além disto, uma revisão da literatura acerca de assuntos correlatos auxiliará na construção teórica que será responsável pela análise crítica que apontará alguns caminhos e sugestões.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
*MINISTERIO DA EDUCAÇÃO E CULTURA. Secretaria de Educação Física e Desportos. Subsídios para professores de educação física. Brasília:, 1987
*SECRETARIA DE ESTADO DE EDUCAÇÃO. Coordenadoria Geral Pedagógica Planos curriculares do curso de formação de professores. Rio de Janeiro: 1994
*MARINHO, Inezil Penna. Educação Física, Recreação e Jogos.Rio de Janeiro:1957

 

 

 

 

 

 

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