Educação Higiênica e a Ginástica no Projeto de Modernidade de Salvador

Por: e .

XV Congresso de História do Esporte, Lazer e Educação Física - CHELEF

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Resumo

Este estudo aborda o pensamento higienista e sua relação com a ginástica no projeto de modernidade baiano, tendo como objetivo compreender as concepções pensadas para uma educação higiênica que apontava a importância da inserção da ginástica nas instituições escolares de Salvador-BA (1850 e 1920). Optamos pela perspectiva metodológica da Nova História Cultural, tendo, como fontes, materiais de revistas e jornais publicados na Bahia, com circulação em Salvador no período histórico demarcado na pesquisa, além de teses e outros materiais da Faculdade de Medicina da Bahia. Entendemos que o processo de modernização brasileiro, deflagrado na primeira metade do século XIX, caminhou alinhado ao Movimento Higienista, que foi apontado como elemento basilar para a formação do novo homem e de uma nova sociedade, ambos civilizados. Sociedade na qual o cuidado com o corpo ganha centralidade, tendo a prática de atividades físicas como elemento de fundamental importância. Dentre elas, a ginástica aparecia como a prática predileta. Neste contexto, voltamos nosso olhar para a capital do estado da Bahia, Salvador, buscando perceber estas questões nas peculiaridades locais no período histórico referido por ser um momento de construções legais e teóricas do modelo educativo baiano. Assim, dentre as informações nas fontes encontradas, apontamos primeiramente para o fato de que a educação, quando do desejo da modernidade, passa a ser vista como instrumento inculcador e multiplicador de hábitos vistos como civilizados, higiênicos. Civilidade esta centrada no modelo europeu. Observamos também a emergência da necessidade de um indivíduo que possuísse práticas culturais consideradas modernas. Outra questão encontrada foi a crença veiculada de que através dos exercícios gímnicos era possível formar e transformar os indivíduos em ‘homens fortes e vigorosos’; autônomos, capazes de cuidar de si e cuidar do outro; também, possibilitava a cura das “mazelas do caráter”, visualizadas nas camadas populares, pelos intelectuais. Destarte, existia entre a elite intelectual baiana, um claro desejo pela implementação e expansão da ginástica como prática educativa relevante, justo por encampar os fundamentos tidos como essenciais ao movimento higienista, fundamentos os quais os soteropolitanos deveriam aprender para tornarem-se representação de uma sociedade moderna.

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